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China evacuou áreas sob segredo de Estado, apagou aldeias inteiras do mapa e fez vilarejos desaparecerem, enquanto imagens de satélite revelavam no lugar gigantescas estruturas nucleares erguidas em silêncio que preocupam o mundo inteiro

Escrito por Ana Alice
Publicado em 27/04/2026 às 23:06
Atualizado em 27/04/2026 às 23:10
Assista o vídeoImagens de satélite indicam que aldeias desapareceram em Sichuan e deram lugar a estruturas nucleares em área sensível da China.
Imagens de satélite indicam que aldeias desapareceram em Sichuan e deram lugar a estruturas nucleares em área sensível da China.
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Imagens analisadas por especialistas reacendem alertas sobre mudanças em uma região sensível da China, onde vilarejos desapareceram e novas estruturas reforçadas passaram a integrar um complexo associado ao programa nuclear do país.

Imagens de satélite analisadas pela CNN mostram que áreas rurais da província de Sichuan, no sudoeste da China, foram demolidas e deram lugar a novas construções associadas ao programa nuclear do país, segundo reportagem publicada em 4 de abril de 2026.

A investigação afirma que moradores questionaram autoridades locais em 2022 sobre o confisco de terras e receberam como resposta que o caso envolvia “segredo de Estado”.

A apuração se concentra em uma região próxima ao condado de Zitong, onde há instalações ligadas há décadas ao programa nuclear chinês.

De acordo com a CNN, imagens recentes indicam a construção de prédios reforçados, vias reformadas, cercas de segurança e estruturas de apoio em áreas que antes tinham aldeias e moradias.

Aldeias demolidas em Sichuan

Entre os casos descritos pela CNN está o de moradores de Sichuan que, em 2022, procuraram explicações sobre a perda de suas terras e a saída forçada de suas casas.

Mais de três anos depois, imagens de satélite mostram que a aldeia foi arrasada e substituída por novas edificações que, segundo a emissora, integram uma área de produção de armas nucleares.

A região citada fica no entorno de Zitong, ponto já acompanhado por agências de inteligência dos Estados Unidos desde a Guerra Fria.

A diferença apontada por especialistas ouvidos pela CNN está na escala das obras recentes, que envolvem não apenas novos prédios, mas também reformas em estradas, áreas logísticas e pontos de conexão entre instalações.

O Ministério das Relações Exteriores da China afirmou: “Não temos conhecimento da situação mencionada”.

O Ministério da Defesa chinês, segundo a emissora, não respondeu aos pedidos de comentário sobre as descobertas.

Cúpula reforçada no rio Tongjiang

Uma das estruturas identificadas nas imagens fica às margens do rio Tongjiang.

Segundo a investigação, trata-se de uma grande cúpula reforçada, erguida em menos de cinco anos e ainda aparentemente em fase de instalação de equipamentos.

A CNN afirma que o prédio tem área equivalente à de 13 quadras de tênis.

A estrutura é descrita como envolta por concreto e aço, com monitores de radiação, portas blindadas, equipamentos de tratamento de ar e uma rede de tubulações conectada a outro edifício com uma chaminé alta de ventilação.

Especialistas consultados pela emissora disseram que essas características são compatíveis com ambientes projetados para manter materiais radioativos, como urânio e plutônio, sob contenção.

No entorno da instalação, a CNN identificou três camadas de cercas de segurança e um túnel que entra na encosta de uma montanha.

Jeffrey Lewis, pesquisador de segurança global do Middlebury College e um dos especialistas que analisaram o material, afirmou à emissora que a construção faz parte de uma reconfiguração do complexo de Zitong e pode indicar aumento de capacidade produtiva ao fim do processo.

Estradas ligam bases nucleares em Zitong

A cúpula não aparece de forma isolada nas imagens.

Ainda de acordo com a reportagem, estradas reformadas ligam o chamado Sítio 906 a pelo menos outras três bases de armas nucleares localizadas em vales próximos ao condado de Zitong.

Documentos do governo chinês analisados pela CNN identificam o projeto da cúpula como XTJ0001.

Outra instalação citada é o Sítio 931, que teria se expandido sobre a vila de Baitu, provocando a remoção de moradores.

A vila vizinha de Dashan também foi demolida para dar lugar ao desenvolvimento da base, segundo a apuração.

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Além disso, um ponto de transferência rodoviária-ferroviária conectado à rede passou por reformas desde 2021.

Para analistas ouvidos, esse conjunto de obras sugere uma modernização de infraestrutura, e não apenas a construção pontual de um prédio.

A avaliação leva em conta a integração entre bases, vias de transporte, estruturas de segurança e áreas capazes de apoiar operações de longo prazo.

Arsenal nuclear da China segue menor que o de EUA e Rússia

A China ainda mantém um arsenal nuclear menor que os de Estados Unidos e Rússia.

A Federação de Cientistas Americanos estimou em 2025 que Pequim possuía cerca de 600 ogivas nucleares, enquanto o arsenal norte-americano era estimado em aproximadamente 3.700 ogivas.

O SIPRI também calculou que a China tinha ao menos 600 ogivas em janeiro de 2025.

Apesar da diferença numérica, centros de pesquisa e autoridades dos Estados Unidos vêm apontando crescimento acelerado do programa nuclear chinês.

O Pentágono afirmou que Pequim conduz uma ampla modernização de suas forças nucleares e projetou que o país poderá superar 1.000 ogivas até 2030.

Especialistas citados pela CNN avaliam que a análise do poder nuclear chinês não deve considerar apenas o número de ogivas.

Segundo eles, a reorganização de instalações, a ampliação de estruturas de produção e a renovação de redes logísticas também influenciam a capacidade de manter, proteger e eventualmente expandir um arsenal.

China mantém defesa da política de não primeiro uso

O governo chinês afirma que sua política nuclear tem caráter defensivo.

Em declarações oficiais, Pequim diz seguir a doutrina de “não primeiro uso” de armas nucleares e sustenta que mantém suas forças no nível mínimo necessário para a segurança nacional.

O Ministério da Defesa chinês também rejeitou acusações recentes feitas por autoridades dos Estados Unidos sobre supostos testes nucleares proibidos.

Em resposta citada pela CNN, o porta-voz Jiang Bin afirmou que declarações desse tipo “distorcem os fatos e difamam a China”.

Essa posição oficial contrasta com avaliações de Washington e de centros de pesquisa ocidentais, que apontam falta de transparência sobre o ritmo e o alcance da expansão chinesa.

Para analistas da área de controle de armas, a ausência de informações verificáveis dificulta a comparação entre a política declarada por Pequim e a evolução observada por imagens de satélite.

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Fim do Novo START afeta controle nuclear

As obras em Sichuan ocorrem em um momento de enfraquecimento dos acordos internacionais de controle de armas.

O Novo START, último grande tratado de limitação de armas nucleares estratégicas entre Estados Unidos e Rússia, expirou em 5 de fevereiro de 2026 sem um substituto legalmente vinculante.

Com o fim do tratado, Washington e Moscou deixaram de estar submetidos a limites bilaterais formais para armas estratégicas implantadas.

O acordo também previa mecanismos de verificação e transparência, embora inspeções já estivessem suspensas nos anos anteriores.

A inclusão da China em um eventual novo pacto é considerada difícil por especialistas em controle de armas.

Pequim argumenta que seu arsenal continua muito menor que os estoques norte-americano e russo, enquanto os Estados Unidos defendem que qualquer acordo futuro precisa considerar a expansão chinesa.

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https://www.youtube.com/watch?v=DIuoCBC0g5s

Incerteza sobre capacidades pesa nas decisões militares

O avanço das instalações em Sichuan adiciona novas dúvidas a um cenário de baixa transparência entre potências nucleares.

Para especialistas, a principal preocupação está menos em uma estrutura específica e mais no conjunto de mudanças observado na rede de Zitong.

Quando governos não têm acesso a dados completos sobre as capacidades de um rival, decisões militares podem passar a se basear em estimativas.

Jeffrey Lewis afirmou à CNN que autoridades nos Estados Unidos podem defender a expansão da própria capacidade nuclear não para igualar exatamente o que a China faz, mas para responder ao que acreditam que Pequim esteja fazendo.

Esse tipo de percepção é um dos fatores que especialistas em segurança internacional associam ao risco de nova corrida armamentista.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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