Projeto em Xinjiang reúne barragem recorde, reservatório bilionário e tecnologias digitais em uma obra chinesa voltada a água, energia, irrigação e controle hídrico em região de clima extremo.
A barragem de Dashixia, em Xinjiang, voltou a chamar atenção fora da China após entrar na fase de armazenamento de água e se aproximar da operação hidrelétrica.
O projeto reúne uma estrutura de 247 metros de altura, reservatório superior a 1,1 bilhão de metros cúbicos, uso de inteligência artificial, equipamentos sem operador e tecnologias digitais aplicadas à construção.
Localizada no curso médio e inferior do rio Kumarak, na região de Aksu, a obra faz parte do Projeto de Controle Hídrico de Dashixia, voltado a abastecimento, irrigação, controle de cheias, geração de energia e fornecimento ecológico de água ao rio Tarim.
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Segundo fontes chinesas, o reservatório começou a armazenar água em setembro de 2025, etapa posterior ao coroamento da barragem principal.
A conclusão do coroamento ocorreu em 30 de dezembro de 2024, oito meses antes do cronograma previsto, de acordo com a China Gezhouba Group Co., subsidiária da China Energy Engineering Corporation.
A empresa informou que a estrutura é a mais alta do mundo no modelo de areia e cascalho com face de concreto.
Ao todo, a barragem consumiu 18,9 milhões de metros cúbicos de materiais, volume que, segundo a companhia responsável pelo investimento, seria suficiente para encher 7.560 piscinas padrão.
O empreendimento foi iniciado em setembro de 2021 e recebeu investimento estimado em quase 9 bilhões de yuans, o equivalente a cerca de US$ 1,2 bilhão na cotação informada pela imprensa chinesa.
Barragem de Dashixia combina abastecimento, irrigação e energia
O Projeto Dashixia integra a lista de grandes obras hídricas aprovadas pelo governo chinês para conservação e fornecimento de água.
A SASAC, órgão do Conselho de Estado da China que supervisiona empresas estatais, classifica o empreendimento como um dos 172 projetos nacionais de economia e abastecimento hídrico.
A barragem deverá contribuir para o fornecimento de água ao rio Tarim e para áreas irrigadas da bacia do rio Aksu.
Segundo a China Gezhouba, o projeto foi concebido para reduzir a escassez de água na primavera e beneficiar mais de 533 mil hectares de terras agrícolas.
Na geração elétrica, a usina associada ao empreendimento terá 750 mil quilowatts de capacidade instalada.
A previsão divulgada pela empresa indica produção anual próxima de 1,9 bilhão de quilowatts-hora quando o sistema estiver em operação.
O cronograma operacional aparece com variações entre as fontes consultadas.
O China Daily informou que todas as unidades de geração estavam programadas para entrar em operação em julho de 2026, enquanto a plataforma especializada Seetao publicou, em abril de 2026, que a primeira unidade geraria energia em junho e que as três unidades entrariam em operação em agosto.

Construção enfrentou temperaturas extremas em Xinjiang
A construção ocorreu em uma área sujeita a variações climáticas relevantes para a execução de obras hídricas.
Li Yang, executivo ligado ao projeto, afirmou ao China Daily que a região registra granizo com frequência, temperaturas de até 39,5°C no verão e mínimas de 22°C negativos no inverno.
Segundo Li, o investimento na barragem ficou próximo de 9 bilhões de yuans, valor equivalente a cerca de US$ 1,2 bilhão na conversão informada pela publicação chinesa.
O dado foi apresentado como parte do balanço da etapa de construção divulgada após o coroamento.
As condições ambientais exigem controle de etapas como transporte de materiais, compactação e verificação de umidade.
Essa relação foi apontada por Zhong Denghua, acadêmico da Academia Chinesa de Engenharia, ao tratar do uso de tecnologia inteligente na construção.
No modelo adotado em Dashixia, a barragem é formada por areia, cascalho e materiais compactados, com uma face de concreto voltada para montante.
A função dessa superfície é reduzir infiltrações e atuar como elemento de vedação da estrutura, conforme descrição técnica do tipo de barragem publicada em fontes chinesas.
Inteligência artificial foi aplicada nos testes de campo
A inteligência artificial foi aplicada em etapas de controle técnico da construção, segundo Zhong Denghua.
O acadêmico afirmou que a tecnologia ajudou a enfrentar desafios como testes rápidos em campo para medir teor de umidade e qualidade da compactação.
O especialista também declarou que Dashixia foi construída com tecnologia cooperativa avançada envolvendo compactadores inteligentes não tripulados.
A informação foi atribuída a Zhong em reportagem publicada pelo China Daily e reproduzida por veículos chineses.
A CGTN informou, em setembro de 2025, que a obra utilizou modelagem BIM desde o início, além de plataforma em nuvem para gestão inteligente e sistemas automáticos de monitoramento meteorológico, hidrológico, sísmico e de qualidade do ar.
Esses recursos foram apresentados pela emissora estatal chinesa como parte da digitalização do canteiro.
O uso de “gêmeo digital” foi citado em reportagem do South China Morning Post publicada em setembro de 2025, segundo a qual a barragem começou a armazenar água após ser construída com apoio de inteligência artificial e tecnologias digitais.
A reportagem associa o projeto a recursos de digital twin, mas essa expressão não aparece de forma equivalente em todas as fontes oficiais consultadas.
Reservatório de Dashixia começou a armazenar água em 2025
Depois do coroamento da barragem, o projeto avançou para novas etapas de armazenamento, testes e preparação operacional.
Em setembro de 2025, veículos estatais chineses informaram que o Dashixia Water Control Project havia começado a armazenar água.
A CGTN publicou que o empreendimento fica na confluência dos condados de Wensu e Wushi, no Grande Cânion do rio Kumarak, em Aksu.
A reportagem descreveu o projeto como uma infraestrutura que combina controle de cheias, irrigação, geração de energia e gestão ecológica.
Na mesma reportagem, Huang Jin, representante da Xinjiang Dashixia Water Conservancy Construction Management Co., Ltd., afirmou que o projeto deve assegurar fornecimento ecológico anual de 3,4 bilhões de metros cúbicos de água.
O número se refere ao volume regulado ao longo do ano, e não à capacidade estática do reservatório.
Esse esclarecimento é necessário porque a capacidade do reservatório e o volume anual movimentado medem coisas diferentes.
Enquanto a primeira indica quanto o reservatório pode armazenar, o segundo corresponde à água liberada ou regulada durante o período de operação.
Projeto hídrico chegou à fase final em 2026
Em abril de 2026, a Seetao informou que o avanço geral do Projeto Dashixia havia chegado a 98%.
A publicação também afirmou que o volume de preenchimento da barragem havia superado 10 milhões de metros cúbicos e que a área de concretagem dos painéis passava de 120 mil metros quadrados.
A mesma fonte publicou que a energia gerada pela usina será enviada para a subestação de Aksu de 750 kV por meio de uma nova linha de transmissão de 220 kV.
O sistema foi descrito como parte da infraestrutura necessária para integrar a hidrelétrica à rede regional.
Com essa configuração, o projeto passou a reunir uma barragem de 247 metros, reservatório superior a 1,1 bilhão de metros cúbicos, geração hidrelétrica e tecnologias de construção automatizada.
Todas essas informações foram atribuídas a comunicados empresariais, reportagens de veículos estatais chineses e publicações especializadas.
As fontes identificam o empreendimento no rio Kumarak, na região de Aksu, em Xinjiang, e no Grande Cânion do Kumarak, entre Wensu e Wushi.
A escala da barragem e o uso de sistemas inteligentes ajudam a explicar por que Dashixia passou a receber atenção fora da China.
O interesse técnico, porém, vem dos dados divulgados pelas fontes envolvidas no projeto, não de avaliação independente apresentada no material original.


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