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China concluiu no fundo do mar um teste a 3.500 metros de profundidade para erguer um telescópio de neutrinos com torres de 700 metros, uma máquina submarina criada para usar a Terra como escudo e captar os sinais mais extremos do Universo

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 07/05/2026 às 23:29
China conclui testes do telescópio submarino TRIDENT a 3.500 metros para detectar neutrinos e estudar o Universo.
China conclui testes do telescópio submarino TRIDENT a 3.500 metros para detectar neutrinos e estudar o Universo.
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Projeto chinês transforma o oceano profundo em plataforma científica para detectar partículas quase invisíveis vindas do espaço, combinando engenharia submarina, física de partículas e observação astronômica em uma estrutura planejada para operar continuamente a 3.500 metros de profundidade.

A China concluiu novos testes em águas profundas para avançar na implantação do TRIDENT, telescópio submarino de neutrinos liderado pela Universidade Jiao Tong de Xangai, estrutura projetada para operar a 3.500 metros de profundidade e investigar sinais associados aos fenômenos mais extremos do Universo.

Na primeira fase, o observatório deverá receber 10 linhas de detecção com aproximadamente 700 metros de altura cada uma, formando um sistema voltado à identificação de neutrinos de alta energia, partículas subatômicas que atravessam quase toda a matéria sem interagir facilmente.

Justamente por atravessarem o planeta praticamente sem obstáculos, os neutrinos são considerados difíceis de detectar, embora também sejam valiosos para a astronomia moderna por carregarem informações sobre eventos violentos e regiões remotas do cosmos.

Testes em mar profundo validam instalação do observatório submarino

Durante a campanha mais recente, os pesquisadores avaliaram equipamentos considerados essenciais para a instalação do observatório, entre eles o sistema SPIDER, responsável pelo lançamento de instrumentos submarinos, além de tecnologias de posicionamento acústico e conectores preparados para operar sob pressão extrema.

Em um dos ensaios realizados no fundo do mar, o SPIDER executou um teste de pouso a 3.500 metros de profundidade e passou por verificação de movimentação coordenada com uma embarcação de posicionamento dinâmico, etapa vista como necessária para reduzir riscos durante a implantação.

China conclui testes do telescópio submarino TRIDENT a 3.500 metros para detectar neutrinos e estudar o Universo.
China conclui testes do telescópio submarino TRIDENT a 3.500 metros para detectar neutrinos e estudar o Universo.

Como o observatório deverá operar em ambiente de baixa temperatura, alta pressão e acesso logístico limitado, qualquer falha em sensores, conectores ou cabos pode comprometer a estabilidade da estrutura e afetar diretamente a continuidade das operações científicas.

Como o TRIDENT pretende detectar neutrinos no fundo do oceano

Diferentemente de telescópios tradicionais voltados diretamente para o céu, o TRIDENT foi concebido para observar o Universo “olhando para baixo”, estratégia que utiliza a própria Terra como um filtro natural para bloquear partículas comuns e destacar neutrinos vindos do outro lado do planeta.

Quando uma dessas partículas interage de forma rara com a água do mar, o processo pode gerar partículas secundárias capazes de emitir sinais luminosos extremamente fracos, registrados pelos módulos ópticos responsáveis por estimar a direção e a energia do evento detectado.

Além disso, a escolha de uma região próxima ao equador amplia a cobertura celeste ao longo do tempo, já que a rotação terrestre permite ao observatório examinar diferentes direções e complementar a atuação de detectores instalados em outras partes do mundo.

Estrutura do projeto prevê 1.200 linhas de detecção

Mesmo concentrada inicialmente em apenas 10 linhas de detecção, a proposta completa do TRIDENT prevê uma estrutura muito mais ampla, formada por cerca de 1.200 cabos verticais equipados com aproximadamente 20 módulos ópticos híbridos distribuídos ao longo de cada linha.

Segundo o desenho conceitual apresentado pela equipe chinesa, o observatório foi projetado para monitorar aproximadamente 8 quilômetros cúbicos de água do mar durante duas décadas, ocupando uma extensa área submarina e formando um dos maiores detectores de neutrinos já planejados.

Conhecidos como hDOMs, os módulos híbridos concentram sensores de alta sensibilidade capazes de captar sinais luminosos em níveis extremamente baixos, característica considerada fundamental para reconstruir eventos raros produzidos pela passagem de neutrinos através da matéria.

Região escolhida oferece estabilidade e transparência da água

Localizada no Mar do Sul da China, ao largo de Hainan, a área escolhida para receber o observatório fica sobre uma planície abissal considerada adequada para operações científicas prolongadas em águas profundas, segundo levantamentos realizados pela própria equipe do projeto.

China conclui testes do telescópio submarino TRIDENT a 3.500 metros para detectar neutrinos e estudar o Universo.
China conclui testes do telescópio submarino TRIDENT a 3.500 metros para detectar neutrinos e estudar o Universo.

Os estudos apontaram condições vistas como favoráveis para a detecção de neutrinos, incluindo fundo relativamente estável, correntes moderadas e propriedades ópticas compatíveis com a observação de sinais luminosos extremamente fracos produzidos pelas raras interações dessas partículas.

De acordo com as medições divulgadas pelos pesquisadores, os comprimentos médios de absorção e espalhamento da luz atingiram cerca de 27 metros e 63 metros, respectivamente, desempenho considerado importante para reconstruir trajetórias e estimar energia com maior precisão.

Paralelamente à instalação dos detectores, o programa mantém uma rede de monitoramento ambiental contínuo no fundo do mar, acompanhando parâmetros como temperatura, salinidade, correntes oceânicas, ruído acústico, radioatividade natural e luminosidade do ambiente profundo.

China amplia disputa científica por observatórios de neutrinos

O TRIDENT começou a ganhar visibilidade após missões de reconhecimento e medições ambientais realizadas nos últimos anos, enquanto a primeira fase do programa foi oficialmente iniciada em 2022 com foco na validação de equipamentos e parâmetros operacionais.

Apresentações técnicas divulgadas posteriormente indicaram a continuidade dos testes em mar profundo e o avanço do planejamento para expansão do arranjo, consolidando o projeto como uma das principais iniciativas chinesas voltadas à astronomia de neutrinos.

Com essa estrutura, a China passa a disputar espaço em uma área dominada por detectores como o IceCube, instalado no gelo da Antártida, além de projetos submarinos localizados no Mediterrâneo e dedicados à observação de partículas de alta energia.

A proposta chinesa aposta em uma infraestrutura permanente instalada no fundo do oceano para transformar uma região a 3.500 metros de profundidade em plataforma científica contínua, enquanto os testes mais recentes indicam que sistemas de implantação e posicionamento já avançaram para etapas decisivas.

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Maria da piedade neves
Maria da piedade neves
15/05/2026 14:35

UM dia a terra se partira no meio ficando com duas terras e quem sobreviver terá que se adaptar as novas faces da terra

Wagner Júnior
Wagner Júnior
15/05/2026 11:55

Será que, o fato dessa pesquisa ser no fundo do mar, é válido acreditar que a Bíblia não está mentindo quando diz que acima do céu temos água ao invés de vácuo, como nos foi ensinado ?

Idiota
Idiota
13/05/2026 11:26

Incrível!

Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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