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O que fez a China olhar para a carne brasileira sem desmatamento, transformar a soja sustentável em peça valiosa dessa nova corrida verde e colocar alimentos rastreáveis no centro do consumo premium

Escrito por Caio Aviz
Publicado em 05/06/2026 às 02:38
Carne bovina brasileira, soja sustentável, rebanho bovino e terminal portuário com referência à China ilustram o avanço do comércio agrícola sustentável entre Brasil e mercado chinês.
Carne bovina certificada, soja sustentável e exportações agrícolas reforçam a crescente demanda chinesa por produtos brasileiros rastreáveis e livres de desmatamento.
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Acordos para compra de carne bovina e soja sustentável mostram avanço da demanda chinesa por produtos agrícolas rastreáveis, certificados e livres de desmatamento

A China ampliou a busca por produtos agrícolas sustentáveis e colocou a carne bovina brasileira livre de desmatamento no centro de uma nova etapa do consumo verde. A Associação de Carnes de Tianjin, no norte do país, firmou nesta quarta-feira um acordo para importar 50 mil toneladas do produto até o fim de 2027.

A carne será certificada pelo BOT, sistema desenvolvido pelo Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora). A ferramenta garante rastreabilidade em toda a cadeia produtiva e comprova a origem livre de desmatamento.

A compra reforça uma mudança relevante no mercado chinês. Consumidores e empresas passaram a observar critérios ambientais, sociais e de governança antes de fechar negócios. Dessa forma, o preço deixou de ser o único fator determinante para a decisão de compra.

O movimento ocorre em meio ao crescimento do interesse por produtos com certificação ambiental. Além disso, empresas importadoras passaram a valorizar fornecedores capazes de comprovar a origem dos alimentos comercializados.

Consumo verde avança e muda decisão de compra na China

Segundo Xing Yanling, presidente da Associação de Carnes de Tianjin, a procura por alimentos sustentáveis cresceu de forma consistente nos últimos anos. O avanço acompanha o aumento da consciência ambiental entre consumidores chineses.

De acordo com Zhang Xinhao, CEO de uma importadora chinesa de carne bovina, compradores passaram a observar aspectos como rastreabilidade, qualidade estável e padrões ESG. Assim, produtos certificados ganharam espaço em diferentes segmentos do mercado.

Mesmo com preço estimado entre 5% e 10% acima da carne convencional, Xing demonstrou confiança no potencial de vendas. Os produtos serão comercializados em supermercados premium, restaurantes e plataformas de transmissão ao vivo.

A produção livre de desmatamento será apresentada como um dos principais diferenciais. Em abril, Xing liderou uma comitiva chinesa que visitou a Amazônia para acompanhar iniciativas relacionadas à produção sustentável.

A expectativa da associação é ampliar o interesse dos consumidores por alimentos certificados e fortalecer práticas produtivas alinhadas à preservação ambiental.

Rebanho de gado bovino em pastagem observado por técnicos durante visita de inspeção, representando o monitoramento da produção de carne brasileira voltada ao mercado chinês e aos padrões de sustentabilidade.
Rebanho bovino em área de pastagem durante inspeção de campo, prática cada vez mais valorizada em cadeias produtivas que buscam atender à demanda internacional por carne rastreável e livre de desmatamento. – Foto fornecida pela Associação de Carnes de Tianjin

Soja sustentável brasileira também entra na rota verde chinesa

A demanda verde chinesa não se limita à carne bovina. Em 2025, COFCO International, China Mengniu Dairy e Sheng Mu Organic Dairy assinaram um acordo para adquirir 1,5 milhão de toneladas de soja sustentável produzida no Brasil.

O fornecimento ocorrerá entre 2025 e 2030. A matéria-prima será verificada por auditoria independente para comprovar que sua produção ocorreu sem desmatamento e sem conversão de vegetação nativa.

A iniciativa amplia a participação de produtos agrícolas sustentáveis nas relações comerciais entre os dois países. Ao mesmo tempo, fortalece a presença do Brasil em um mercado que valoriza cada vez mais certificação, origem e transparência produtiva.

O acordo também demonstra que a preocupação ambiental passou a influenciar decisões de compra em diferentes cadeias do agronegócio chinês.

Plano verde chinês reforça compras sustentáveis

De acordo com o 15º Plano Quinquenal da China (2026-2030), o país pretende acelerar a adoção de modelos de produção e consumo sustentáveis. O documento também prevê incentivos para ampliar a economia de baixo carbono.

Em janeiro, o Ministério do Comércio da China e outros oito departamentos governamentais lançaram um plano nacional com 20 medidas voltadas ao fortalecimento do consumo sustentável.

As ações abrangem setores como produtos agrícolas, eletrodomésticos e hospedagem. Além disso, o programa prevê a ampliação da oferta de alimentos verdes e orgânicos para os consumidores chineses.

Entre as medidas anunciadas estão áreas exclusivas para venda de produtos sustentáveis, exibição de certificações de qualidade, selos de rastreabilidade e divulgação de testes relacionados a resíduos de agrotóxicos.

O conjunto de iniciativas reforça o papel das políticas públicas na consolidação do consumo verde no país asiático.

Brasil e China veem força estratégica na agricultura sustentável

Segundo Zhu Chunquan, assessor sênior da Aliança das Florestas Tropicais do Fórum Econômico Mundial, a postura chinesa pode influenciar produtores em diferentes regiões do mundo ao priorizar produtos desvinculados do desmatamento.

Na avaliação dele, a decisão contribui para a proteção das florestas tropicais e para os esforços globais relacionados às mudanças climáticas.

Laudemir Müller, presidente da ApexBrasil, destacou que Brasil e China possuem forte complementaridade estratégica. Afinal, a China permanece como a principal compradora de soja e carne bovina brasileiras.

Para Müller, a demanda por produtos sustentáveis incentiva produtores brasileiros a manter práticas ambientais mais rigorosas. Além disso, aumenta o valor agregado dos produtos exportados e fortalece a competitividade internacional do agronegócio nacional.

Por fim, Bai Yunwen, vice-diretora do Instituto de Finanças e Sustentabilidade, defendeu a ampliação da cooperação bilateral em áreas como normas ambientais, tecnologia agrícola e finanças verdes. Segundo ela, a parceria entre Brasil e China pode servir de referência para uma agricultura mais sustentável, contribuindo simultaneamente para a segurança alimentar e para a estabilidade climática global.

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Caio Aviz

Escrevo sobre o mercado offshore, petróleo e gás, vagas de emprego, energias renováveis, mineração, economia, inovação e curiosidades, tecnologia, geopolítica, governo, entre outros temas. Buscando sempre atualizações diárias e assuntos relevantes, exponho um conteúdo rico, considerável e significativo. Para sugestões de pauta e feedbacks, faça contato no e-mail: avizzcaio12@gmail.com.

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