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China avança para investir R$ 200 milhões em SC: gigante chinesa negocia nova fábrica, promete 200 empregos diretos, já assinou protocolo com a InvestSC e tem Blumenau como favorita, enquanto o prefeito Egidio Ferrari vai à China em março para tentar fechar o acordo

Publicado em 05/03/2026 às 20:21
Xinhongye negocia investimento para fábrica em Blumenau, Santa Catarina. Veja o que pode mudar com o acordo.
Xinhongye negocia investimento para fábrica em Blumenau, Santa Catarina. Veja o que pode mudar com o acordo.
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China avança nas negociações para instalar uma fábrica de fios e cabos industriais em Santa Catarina, com Blumenau como destino mais provável, investimento inicial de R$ 200 milhões, previsão de 200 empregos diretos e uma missão oficial à China que pode transformar a tratativa em acordo concreto nas próximas semanas.

China avança em uma negociação que pode colocar Santa Catarina no centro de um novo investimento industrial estrangeiro. A empresa chinesa Xinhongye, apontada como uma das maiores fornecedoras de fios e cabos elétricos industriais da China, está em tratativas para instalar uma fábrica no Estado, com aporte inicial estimado em R$ 200 milhões e geração de 200 empregos diretos.

O movimento ganhou força porque já existe um protocolo de intenções assinado com a InvestSC, o que mostra que a conversa ultrapassou a fase preliminar e entrou em um estágio mais objetivo. Blumenau aparece como a principal candidata para receber a unidade, enquanto a agenda internacional do prefeito Egidio Ferrari, prevista para março, surge como uma tentativa de transformar interesse em decisão concreta.

O que está sendo negociado entre Santa Catarina, Blumenau e a gigante chinesa

A negociação envolve a possível instalação de uma nova fábrica da Xinhongye em Santa Catarina, com foco em produção ligada ao setor de fios e cabos elétricos industriais.

O valor estimado para essa primeira fase é de R$ 200 milhões, com criação de 200 empregos diretos, um número relevante para um projeto industrial que ainda está em fase de definição territorial. O dado mais importante, neste momento, é que a empresa já não aparece apenas como interessada: ela já participa de tratativas formais com o governo catarinense.

Esse avanço ficou mais evidente com a assinatura de um protocolo de intenções por meio da InvestSC. O documento prevê a possibilidade de incentivos fiscais para a instalação da fábrica, ao mesmo tempo em que estabelece uma contrapartida importante: a prioridade para prestadores de serviços catarinenses.

Na prática, isso indica que o possível investimento não está sendo tratado só como entrada de capital externo, mas também como oportunidade de ativação econômica local, com efeitos sobre fornecedores, obras, serviços e cadeias industriais do Estado.

Quando se observa o desenho da operação, o caso deixa de ser apenas uma visita corporativa e passa a representar uma negociação com impacto econômico mais amplo.

China avança porque há um eixo institucional formado, com participação do governo estadual, interlocução municipal e interesse empresarial já expresso em visitas e tratativas. Esse conjunto de fatores ajuda a explicar por que o projeto vem sendo acompanhado com tanta atenção.

Por que Blumenau desponta como favorita para receber a fábrica

Blumenau aparece como favorita porque já entrou no radar prático da empresa chinesa. Representantes ligados ao grupo controlador da Xinhongye teriam criado um grupo de trabalho e visitado a cidade para avaliar terrenos que poderiam receber a futura unidade.

Esse ponto é decisivo porque revela um filtro mais concreto dentro da negociação: quando uma empresa começa a olhar áreas físicas, logística e viabilidade local, a conversa deixa de ser genérica e passa a ter endereço possível.

A preferência por Blumenau também conversa com o perfil industrial e empresarial da cidade. Além da tradição econômica regional, o município surge como base capaz de sustentar uma operação de maior complexidade, especialmente em um segmento ligado a tecnologia de cabos, energia e integração com cadeias produtivas industriais.

Ainda que a decisão final não tenha sido anunciada, o fato de a cidade ter sido visitada e colocada na dianteira reforça sua condição de polo com maior aderência ao projeto.

Outro ponto que pesa a favor de Blumenau é o esforço político para aproximar o município da decisão final.

O prefeito Egidio Ferrari participou de contatos com representantes de empresas do grupo durante missão oficial à Ásia no ano passado e agora prepara nova viagem à China. Isso mostra que a cidade não está esperando o investimento passivamente; ela tenta construir a atração do projeto por meio de articulação direta.

O que a viagem de Egidio Ferrari à China busca destravar

A viagem do prefeito à China, prevista para ocorrer entre os dias 17 e 28 de março, tem um objetivo claro: fortalecer as relações institucionais e comerciais e tentar fechar o acordo para a instalação da fábrica em Blumenau.

O pedido para ausência do país foi encaminhado à Câmara de Vereadores, o que formaliza politicamente a missão. Os custos de passagens e estadia, segundo as informações apresentadas, serão bancados por associações empresariais e fundos privados chineses interessados em ampliar relações comerciais com Santa Catarina.

A agenda inclui compromissos em cidades como Changzhou e Wuxi, além de visitas a empresas de projeção global.

Em Changzhou, estão previstas reuniões que podem abrir caminho para uma relação mais próxima entre a cidade chinesa e Blumenau. Já em Wuxi, o foco principal será justamente a visita à Xinhongye. É nesse ponto da missão que a viagem ganha peso estratégico, porque a expectativa é consolidar a vinda definitiva da empresa para o município.

Além da Xinhongye, a comitiva também deve visitar empresas como Trina Solar, CRRC e Li Auto, além de uma companhia do setor médico e de uma grande empresa do segmento têxtil em Shaoxing.

A presença desses nomes na agenda mostra que o roteiro vai além de um único investimento e se conecta a uma tentativa de ampliar pontes com setores como energia renovável, mobilidade elétrica, indústria ferroviária, tecnologia e têxtil.

Ainda assim, é a reunião com a fabricante de cabos que concentra a maior expectativa local, porque dela pode sair um desfecho mais imediato para a instalação da nova fábrica.

Quem é a Xinhongye e por que esse investimento chama atenção

A Xinhongye atua como uma das principais fornecedoras chinesas de fios e cabos especiais voltados à indústria de novas energias. Entre os produtos fabricados estão cabos solares fotovoltaicos, cabos para veículos elétricos e fios elétricos industriais.

Esse perfil ajuda a entender por que o possível investimento chama tanta atenção: não se trata de uma operação industrial comum, mas de uma empresa ligada a setores considerados estratégicos na transição energética e na modernização tecnológica.

A carteira de clientes citada inclui montadoras como BYD, GM, Honda e Nissan, o que reforça a dimensão da companhia dentro de cadeias industriais altamente competitivas.

A empresa também conta com um parque fabril de 260 mil metros quadrados e presença em mercados da Ásia, Europa, América do Norte e Austrália.

Em junho de 2023, captou 1,6 bilhão de yuans ao entrar no mercado de ações de Shenzhen, um movimento que evidencia capacidade de expansão e musculatura financeira para projetos internacionais.

No caso brasileiro, o plano inicial fala em R$ 200 milhões de investimento e 200 empregos diretos, mas o alcance potencial vai além disso.

A estimativa apresentada pela companhia aponta para faturamento anual de R$ 500 milhões com a nova fábrica. China avança, portanto, não apenas com uma promessa de instalação, mas com a possibilidade de inserir Santa Catarina em uma operação industrial conectada a mercados globais, novas tecnologias e demanda crescente por soluções elétricas ligadas à energia solar e à eletrificação de veículos.

O que esse movimento pode representar para Santa Catarina

Para Santa Catarina, a possível chegada da Xinhongye pode significar mais do que a abertura de uma planta industrial.

O projeto reúne elementos que interessam diretamente ao Estado: geração de empregos, reforço da base industrial, atração de capital estrangeiro e aproximação com cadeias produtivas associadas a novas energias e eletrificação.

Esse tipo de investimento tende a irradiar efeitos para além dos postos diretos, alcançando serviços, fornecedores e relações comerciais no entorno da operação.

Ao mesmo tempo, o caso ainda está no terreno da negociação, e esse ponto precisa ser mantido com clareza. Há protocolo assinado, missão oficial marcada, visitas técnicas previstas e indicação de Blumenau como favorita, mas o fechamento do acordo ainda depende do avanço das conversas.

O interesse é real, os passos formais já começaram e os sinais são consistentes, porém a concretização do projeto depende justamente da etapa que será enfrentada nas próximas semanas.

É por isso que a viagem de março ganhou caráter decisivo. Se dela sair um entendimento final, Blumenau poderá transformar uma tratativa promissora em anúncio industrial de grande peso para a economia regional. Se não houver definição, o processo ainda poderá seguir em negociação.

Neste momento, o cenário mais importante é este: há um investimento relevante na mesa, uma cidade em posição privilegiada e uma missão internacional preparada para tentar converter expectativa em compromisso.

A possível instalação dessa fábrica em Blumenau pode mudar o jogo para a economia local e para a presença industrial estrangeira em Santa Catarina. Você acredita que esse acordo deve sair do papel ou ainda há etapas demais até a confirmação?

Vale mais apostar no impacto dos empregos, no avanço tecnológico ou na força política da missão à China?

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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