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CEO da Lecar, o “Elon Musk brasileiro”, admite que carro elétrico abaixo de R$ 100 mil é sonho impossível, cobra lei por preços altos e leva só picape de isopor ao Salão do Automóvel 2024

Publicado em 23/12/2025 às 08:47
CEO da Lecar admite que carro elétrico barato é inviável, culpa leis e custos, promete fábrica e mostra no Salão do Automóvel o desafio do preço no Brasil.
CEO da Lecar admite que carro elétrico barato é inviável, culpa leis e custos, promete fábrica e mostra no Salão do Automóvel o desafio do preço no Brasil.
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Líder da Lecar, Flávio Figueiredo Assis afirma que carro elétrico abaixo de 100 mil reais é inviável por causa da tecnologia e das leis, justifica preços altos, atrasa fábrica e leva só picape de isopor ao Salão do Automóvel de 2024 em São Paulo, com promessa de estreia em 2026.

Entre 30 de outubro e 10 de novembro de 2024, durante o Salão do Automóvel de São Paulo, o CEO da Lecar, Flávio Figueiredo Assis, admitiu em entrevista que carro elétrico abaixo de 100 mil reais continua fora da realidade do mercado brasileiro, mesmo com a ofensiva de marcas chinesas e novas montadoras nacionais. Segundo ele, atingir a faixa de 90 mil a 100 mil reais, considerada ideal para o bolso do consumidor, é hoje um objetivo inalcançável.

Apresentando a Lecar como a 1ª montadora elétrica 100% brasileira, o executivo atribuiu os preços altos ao custo da tecnologia e às exigências de segurança e emissões, enquanto defendia o polêmico mockup de picape de isopor levado ao Salão de 2024 e prometia entregar um protótipo funcional em janeiro de 2026, após uma sequência de atrasos no cronograma.

Realidade dura do preço do carro elétrico no Brasil

Na avaliação de Figueiredo, carro elétrico barato ainda é mais desejo do que produto possível de fábrica, inclusive para os grandes players internacionais.

Ele afirma que ninguém conseguiu entregar um modelo realmente competitivo na faixa de 90 mil a 100 mil reais, nem mesmo as montadoras chinesas que hoje pressionam o mercado brasileiro com preços agressivos.

O CEO sustenta que a combinação de baterias, eletrônica embarcada, motores e sistemas de segurança encarece de forma estrutural o projeto.

Segundo ele, a indústria tenta equilibrar custo e marketing, oferecendo mais tecnologia para atrair o consumidor, mas o efeito colateral é um carro elétrico naturalmente mais caro que veículos a combustão tradicionais.

Leis, ADAS e impacto direto no bolso do motorista

Figueiredo aponta a legislação como um dos principais fatores que afastam o sonho do carro elétrico acessível.

Ele cita, em especial, a exigência do sistema Adas nível 2, que será obrigatório no Brasil a partir de 2028. Esses sistemas usam sensores e câmeras para acionar frenagem automática de emergência, alertar saída de faixa e evitar colisões, o que demanda componentes sofisticados.

Para o empresário, “tudo isso é custo”, desde sensores até módulos de controle que protegem passageiros, condutor e pedestres.

Ele argumenta que o encarecimento não é apenas um fenômeno brasileiro, mas global, resultado de normas mais rígidas de segurança e emissões.

Na prática, quanto mais camadas regulatórias são adicionadas, mais distante fica o carro elétrico abaixo de 100 mil reais.

Lecar promete ser montadora 100% brasileira, mas fábrica segue no papel

Fundada em 2022 e sediada em Barueri, no interior de São Paulo, a Lecar se apresenta ao público como montadora elétrica 100% brasileira, mas ainda não tem carro elétrico funcional à venda nem fábrica em operação.

Os modelos são anunciados, exibidos em imagens ou mockups, enquanto a estrutura industrial real segue em fase de promessa.

O plano industrial mudou várias vezes. Primeiro, a produção de carros elétricos foi anunciada para dezembro de 2024, no Rio Grande do Sul.

Depois, o cronograma e o endereço migraram para agosto de 2026 em Camaçari, na Bahia, onde hoje funciona a planta da BYD.

Agora, a aposta é fabricar híbridos a partir de agosto de 2026 em Sooretama, no Espírito Santo, em uma planta projetada para 120 mil veículos por ano.

Três modelos e um Salão com picape de isopor

No Salão do Automóvel de São Paulo de 2024, realizado entre 30 de outubro e 10 de novembro, a Lecar apresentou ao público três projetos.

O Lecar 459 é descrito como cupê de 4 portas, com velocidade limitada a 150 km/h para priorizar autonomia e segurança, reduzindo a curva de potência do motor elétrico.

A Lecar Campo é a picape pensada para disputar espaço com a Fiat Strada e se enquadrar nos programas Finame e Pro Rural, com financiamentos de até 100 parcelas, juros menores e carência de dois anos, voltados especialmente ao produtor rural e a pequenos negócios.

Já o Lecar Tático é um SUV 4×4 com preço estimado entre 170 mil e 180 mil reais, que, segundo o CEO, foi o modelo que mais despertou interesse do público, a ponto de ele afirmar que, se pudesse recomeçar, lançaria a marca por ele.

Na prática, porém, o grande símbolo da estreia da empresa no Salão foi uma picape de isopor. A Lecar levou ao evento apenas um mockup da Campo, sem motor, freios, suspensão ou chassi.

O veículo foi construído com isopor, madeira, papelão, adesivos e LEDs, montado sobre pranchas com rodas para ser empurrado.

Os outros dois modelos apareceram apenas em imagens no telão, reforçando a distância entre o discurso da montadora e a existência de um carro elétrico pronto para rodar nas ruas.

Tecnologia de extensor de autonomia e rede de parceiros

Apesar da ausência de protótipos funcionais no Salão de 2024, a Lecar destaca a proposta técnica dos veículos.

Todos usam tração elétrica com extensor de autonomia, um sistema no qual um motor flex, abastecido com etanol ou gasolina, aciona um gerador que converte a queima do combustível em energia elétrica para alimentar o motor principal.

De acordo com Figueiredo, o sistema é tão eficiente que mesmo pequenas quantidades de combustível seriam capazes de gerar energia suficiente para movimentar o carro elétrico por longas distâncias.

Ele afirma que a engenharia da Lecar desenvolveu internamente o conceito do extensor de energia e que o projeto ganhou robustez com a entrada de parceiros como a WEG, responsável pelo gerador, e a Renault, além da participação mencionada da Rolls, agregando mais tecnologia e know-how ao conjunto.

O “Elon Musk brasileiro” reage às críticas e mira 2026

Flávio Figueiredo ganhou o apelido de “Elon Musk brasileiro” por ter saído do setor de meios de pagamento e cartões para apostar em carro elétrico e híbrido, assim como o bilionário sul-africano migrou da tecnologia para a indústria automotiva.

Ele diz não se incomodar com a comparação e vê nela uma forma rápida de explicar ao público brasileiro o tipo de inovação que pretende entregar.

Sobre o episódio da picape de isopor no Salão do Automóvel de 2024, o CEO defende que se trata de “algo nunca visto na engenharia automotiva brasileira” e afirma que a principal crítica válida é o não cumprimento da promessa de levar um protótipo funcional ao evento.

Ele admite atrasos, mas diz que todos os prazos foram descumpridos “por pouco” e reafirma que em janeiro de 2026 a empresa pretende, enfim, entregar um protótipo em condições reais de rodagem.

Segundo Figueiredo, a fase atual de protótipos é decisiva para consolidar a tecnologia, fechar parcerias, definir fornecedores e validar o design com o público.

Para ele, quem visitou o estande da marca no salão teria se surpreendido positivamente, enquanto os maiores ataques vieram de quem viu apenas fotos e vídeos nas redes sociais, sem contato direto com o projeto.

No fim das contas, você acha que o Brasil está perto de ter um carro elétrico abaixo de 100 mil reais ou as exigências de segurança, emissões e tecnologia tornam esse sonho distante demais?

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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