Declaração do CEO da Ford, Jim Farley, expõe mudança no equilíbrio da indústria automotiva mundial, com avanço das montadoras chinesas em design, eletrificação e tecnologia, além de destacar o papel crescente do software e da transformação no conceito de uso dos veículos
O CEO da Ford, Jim Farley, afirmou que fabricantes chineses passaram rapidamente de uma posição de atraso para liderança em determinados aspectos da indústria automotiva. A declaração ocorre em meio à crescente presença dessas marcas na Europa e às mudanças estruturais do setor.
A avaliação de Jim Farley sobre o avanço das montadoras chinesas foi feita ao comentar o cenário atual da indústria automotiva mundial. Segundo o executivo da Ford, o fenômeno ganhou visibilidade recentemente, mas vinha sendo construído há vários anos dentro do setor.
Farley destacou que a atuação da Ford se concentra principalmente nos Estados Unidos e na Europa, dois mercados que apresentam características bastante distintas. Além das diferenças nos tipos de veículos vendidos, existe também uma diferença na presença de fabricantes chineses.
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Enquanto o mercado norte-americano permanece amplamente protegido dessas marcas, na Europa elas começam a aparecer como concorrentes diretas das montadoras tradicionais. Esse cenário tem ampliado a competição para empresas como a Ford.
CEO da Ford reconhece avanço rápido das montadoras chinesas
Jim Farley afirmou que o crescimento da indústria automotiva chinesa já era percebido por parte do setor há anos. Segundo ele, muitos profissionais da indústria acreditavam que algo relevante ocorreria no país, embora não imaginassem a velocidade dessa evolução.
O CEO da Ford declarou que quem não percebeu esse movimento cinco anos atrás provavelmente estava enganado. Ainda assim, ele destacou que o nível de avanço alcançado pelas empresas chinesas superou as expectativas da própria indústria.
Segundo Farley, as marcas locais evoluíram rapidamente e passaram a desenvolver veículos com características que surpreenderam executivos do setor. Ele afirmou que os carros chineses deixaram de estar atrás das montadoras ocidentais e passaram a apresentar vantagens em diversos aspectos.
Ford relata surpresa após visita à China depois da pandemia
Farley explicou que a percepção sobre o avanço da indústria chinesa foi afetada pelas restrições de viagem durante a pandemia de COVID. Executivos de empresas estrangeiras, incluindo a Ford, ficaram longos períodos sem visitar o país.
De acordo com o CEO da Ford, a primeira visita realizada após esse período revelou um cenário diferente daquele que muitos imaginavam. Ele relatou que, ao chegar à China com o vice-presidente da empresa, John Lawler, percebeu rapidamente a dimensão das mudanças.
Segundo Farley, após cerca de uma hora observando o mercado local, ambos se perguntaram o que havia acontecido com a indústria chinesa. O executivo afirmou que os veículos encontrados apresentavam designs considerados muito avançados.
Além disso, destacou que muitos desses carros já eram totalmente elétricos e incluíam tecnologias específicas. Um exemplo citado por ele foi o sistema de troca de baterias desenvolvido pela fabricante Nio.
Ford aponta subestimação global da indústria automotiva chinesa
Para o CEO da Ford, parte do problema está relacionado à forma como o resto do mundo percebeu o desenvolvimento do setor automotivo na China. Segundo ele, a indústria global subestimou a capacidade das empresas locais.
Farley afirmou que fabricantes chineses receberam apoio significativo do governo do país, o que contribuiu para a consolidação dessas marcas no mercado. Esse processo permitiu que elas se tornassem concorrentes relevantes em pouco tempo.
Ele também mencionou o exemplo da BYD para ilustrar essa trajetória. Embora muitos considerem o sucesso atual da empresa algo recente, Farley destacou que a fabricante produz veículos elétricos há cerca de 20 anos.
Ford vê transformação no setor com eletrificação e autonomia
Além da ascensão das marcas chinesas, Farley afirmou que a indústria automotiva enfrenta outras mudanças estruturais importantes. Entre elas estão a eletrificação dos veículos e o desenvolvimento de tecnologias de condução autônoma.
O executivo da Ford afirmou que o próprio conceito de uso do automóvel está passando por transformação. Segundo ele, no passado a experiência do consumidor estava centrada apenas em entrar no carro e dirigir.
Farley comparou essa mudança ao que ocorreu com os telefones celulares. Assim como os smartphones passaram a ser usados para diversas funções além das chamadas, os veículos também podem ganhar novos usos.
Ford destaca papel crescente do software nos veículos
Segundo o CEO da Ford, os carros podem se tornar um terceiro espaço para os usuários, além da casa e do trabalho. Nesse ambiente, os ocupantes poderiam realizar atividades como consumir conteúdo ou participar de videoconferências durante deslocamentos.
Farley afirmou que trajetos em rodovias podem oferecer períodos de tempo disponíveis para essas atividades. Isso, segundo ele, levanta novas questões sobre como os veículos devem ser projetados no futuro.
Ao concluir sua análise, o executivo da Ford destacou que muitas pessoas associam três grandes temas da indústria atual: China, software e veículos elétricos. Para ele, porém, esses fatores não são equivalentes.
Segundo Farley, o software representa o elemento mais importante para o futuro da indústria automotiva. Ele afirmou que, em sua avaliação, essa tecnologia é dez vezes mais relevante do que os outros fatores mencionados.

Enquanto as empresas mundiais ,só correm atrás do lucro da ganância ! A China correu atrás de um carro popular e acessível de ponta ! Assim futuramente vão vender para todos e com preço justo e acessível, atingindo as camadas mais perto do povo.