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Navio-aeródromo Atlântico navega mais de 730 km mar adentro com duas fragatas e chega pela primeira vez à Elevação do Rio Grande

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Escrito por Paulo Nogueira Publicado em 02/09/2026 às 19:58 Atualizado em 02/09/2026 às 20:09
Navio-aeródromo Atlântico navega em mar aberto
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O Navio-Aeródromo Atlântico avançou mais de 730 quilômetros mar adentro ao lado das fragatas Tamandaré e União e chegou pela primeira vez à Elevação do Rio Grande, numa operação que reuniu vigilância, treinamento, formação naval e pesquisa científica.

A Operação Sentinela ocorreu entre 26 de agosto e 1º de setembro no Atlântico Sul. O maior navio da Esquadra brasileira participou pela primeira vez de uma ação de presença nessa formação submarina.

A Elevação do Rio Grande alcança pontos situados a aproximadamente 1.200 quilômetros da costa. O Atlântico navegou até a região e superou 730 quilômetros de afastamento do litoral.

Durante o deslocamento, o navio encontrou as duas fragatas e realizou exercícios com aeronaves da Aviação Naval.

A missão combinou atividades operativas com o embarque de 40 aspirantes da Escola Naval e 15 pesquisadores de seis instituições brasileiras.

Navio-aeródromo Atlântico acompanhado por outro navio da Marinha
O Atlântico operou em conjunto com as fragatas Tamandaré e União no Atlântico Sul.

Navio-Aeródromo Atlântico levou ciência e formação ao mar

Conforme a Agência Marinha de Notícias, os pesquisadores atuam em ecologia, biologia marinha e oceanografia.

Eles estão ligados à FURG, Ufes, UFPA, USP, UFSCar e UFF. O embarque permitiu produzir conhecimento sobre uma área distante e de interesse estratégico.

Os aspirantes conheceram a rotina de um navio da Esquadra e acompanharam atividades operativas em mar aberto.

A bordo, também houve uma palestra sobre Direito Marítimo. A presença de diferentes áreas aproximou a formação militar da pesquisa e do debate jurídico.

Esse arranjo atende dois objetivos ao mesmo tempo. O navio treina sua tripulação e, enquanto permanece na região, oferece plataforma para coleta e interpretação científica.

A Elevação do Rio Grande tem área superior a 900 mil km² no fundo do oceano e abriga depósitos minerais e elementos usados por cadeias de alta tecnologia.

Pesquisas realizadas na região ajudam a sustentar o pleito brasileiro de extensão da plataforma continental diante da Comissão de Limites da Plataforma Continental.

O Brasil apresentou em dezembro de 2018 uma proposta que inclui as margens Oriental e Meridional e a própria Elevação do Rio Grande.

Os dados científicos são necessários para caracterizar o relevo submarino e sua relação com a margem continental brasileira.

Olhando assim, a presença naval não substitui a pesquisa. Ela cria condições de segurança, transporte e permanência para ampliar o conhecimento da área.

Helicópteros operam no convés do navio-aeródromo Atlântico
Aeronaves SH-16 e AH-11B ampliaram a vigilância e participaram dos treinamentos.

Helicópteros ampliaram o alcance da vigilância

As aeronaves SH-16 e AH-11B realizaram operações de esclarecimento durante a permanência na Elevação do Rio Grande.

Os voos ampliaram a área observada pelos navios e contribuíram para o patrulhamento. A Marinha informou que nenhuma embarcação estrangeira foi detectada durante a atividade.

A operação incluiu treinamento de pilotos e equipes de convés. Sempre que o Atlântico recebe helicópteros, essas qualificações precisam ser mantidas.

Também foi realizado um exercício de fast rope com a aeronave AH-11B e mergulhadores de combate.

A técnica permite inserir militares por corda em locais onde o helicóptero não consegue pousar, incluindo cenários de abordagem e retomada de navios ou plataformas.

O navio tem cerca de 208 metros de comprimento e 45 metros de altura total. Sua capacidade chega a 1.100 pessoas e 40 viaturas.

O hangar acomoda até 16 aeronaves, enquanto o convoo pode operar simultaneamente até sete. A velocidade máxima informada é de 16 nós, perto de 30 km/h.

Essas dimensões permitem reunir comando, controle, aviação, transporte e permanência no mar em uma única plataforma.

A gente percebe a distância da missão quando compara os 730 quilômetros navegados com a rotina costeira. A formação submarina ainda se estende quase 470 quilômetros além desse ponto.

A região contém crostas ricas em cobalto, metal usado em baterias e outras aplicações tecnológicas. Qualquer pesquisa ou exploração em área sob direitos brasileiros depende das normas e autorizações do país.

A Operação Sentinela demonstrou presença, mas também reuniu dados, treinamento e formação. O resultado não é apenas a chegada de um grande navio a um ponto do mapa.

O próximo passo para o Brasil é continuar produzindo conhecimento capaz de sustentar decisões jurídicas, ambientais e econômicas sobre essa parcela do Atlântico Sul.

A ação de presença também serve para testar a autonomia logística da Esquadra. Quanto maior a distância da costa, mais importante se torna coordenar combustível, alimentação, manutenção e aviação.

O Atlântico funciona como capitânia, concentrando comando e controle. As fragatas ampliam proteção e sensores, enquanto helicópteros levam a observação além do horizonte visual dos navios.

A velocidade máxima de 16 nós não transforma a viagem em deslocamento rápido. Permanecer na área e operar aeronaves exige planejamento de dias, estado do mar e janelas de treinamento.

Os 15 pesquisadores representam instituições das regiões Sul, Sudeste, Norte e Nordeste. Essa composição distribui o conhecimento obtido e aproxima diferentes programas acadêmicos da mesma região submarina.

Os 40 aspirantes, por sua vez, observaram na prática como navegação, aviação e ciência convivem numa missão. Essa experiência não cabe integralmente em exercício feito perto do porto.

A ausência de embarcações estrangeiras foi o resultado daquela janela de vigilância, não uma afirmação permanente sobre toda a Elevação do Rio Grande.

Monitoramento oceânico precisa de repetição, porque navios cruzam a área e condições ambientais mudam. Satélites, sensores, expedições e presença naval se complementam.

O potencial mineral aumenta o interesse, mas qualquer atividade futura dependerá de conhecimento ambiental e regras para o solo e o subsolo marítimos.

A proposta brasileira na comissão internacional também precisa de dados consistentes. Fazer presença sem produzir evidência científica teria valor operacional, mas deixaria incompleto o objetivo jurídico.

A missão terminou em 1º de setembro, porém amostras, observações e registros obtidos a bordo poderão continuar sendo analisados pelas instituições participantes depois do retorno.

O Brasil deveria ampliar missões científicas e navais na distante Elevação do Rio Grande?

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Paulo Nogueira

Técnico em Elétrica desde 2008, formado pelo Instituto Federal Fluminense (IFF), antigo CEFET, uma das mais tradicionais instituições de ensino técnico do Brasil. Atuou por diversos anos nas áreas de petróleo e gás offshore, energia e construção, experiência que hoje aplica na produção de conteúdo especializado sobre o setor energético. Com mais de 8 mil publicações em revistas e portais online, dedica-se à cobertura do mercado de trabalho, petróleo e gás, energia, economia, renováveis e empreendedorismo. Para dúvidas, sugestões ou correções, entre em contato pelo e-mail paulohsnogueira@gmail.com. Este canal não recebe currículos.

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