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Casal de Wyoming enterrou 20 tubos sob estufa geotérmica de 170 m², driblou frio de -40°C e passou a colher frutas tropicais o ano todo, mostrando como o calor da terra pode produzir laranjas e limões na neve sem aquecimento tradicional

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Escrito por Carla Teles Publicado em 24/06/2026 às 23:48 Atualizado em 24/06/2026 às 23:51
Casal de Wyoming enterrou 20 tubos sob estufa geotérmica de 170 m², driblou frio de -40°C e passou a colher frutas tropicais o ano todo, mostrando como o calor da terra pode produzir (7)
Estufa geotérmica em Wyoming usa tubos subterrâneos e calor da terra para colher frutas tropicais na neve.
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Em Cody, no Wyoming, Lynn e Karl Lampe ergueram uma estufa geotérmica de 170 m² com tubos subterrâneos, usando calor da terra para cultivar frutas tropicais, cítricos e verduras o ano todo, enquanto o sistema mostra como produzir alimentos na neve sem aquecimento tradicional caro e constante no clima extremo.

A estufa geotérmica construída por Lynn e Karl Lampe em Cody, no Wyoming, virou exemplo de como tubos subterrâneos e calor da terra podem transformar uma região de inverno rigoroso em espaço produtivo para frutas tropicais. O casal concluiu a estrutura no outono de 2023, em uma área de 170 m².

Segundo reportagem do Cowboy State Daily, o projeto chamou atenção em abril de 2025 porque permite colher alimentos durante todo o ano em uma região onde a estação de cultivo costuma ser curta, com cerca de 115 dias. Dentro da estrutura, os Lampes cultivam cítricos, hortaliças e outras plantas usando uma solução que dispensa aquecimento tradicional constante.

Uma estufa construída para enfrentar o frio de Wyoming

Estufa geotérmica em Wyoming usa tubos subterrâneos e calor da terra para colher frutas tropicais na neve.
Imagem: Divulgação/Cowboy State Daily.

Wyoming é conhecido por ventos fortes, frio intenso e uma janela de plantio limitada. Para quem gosta de jardinagem, isso significa lidar com uma temporada curta e com risco de perder culturas sensíveis antes de amadurecerem. Foi esse desafio que levou Lynn Lampe a buscar uma alternativa fora do modelo convencional.

Em vez de apostar apenas em uma estufa comum, o casal decidiu construir uma estufa geotérmica parcialmente apoiada no calor natural da terra. A lógica é simples na aparência, mas exigente na engenharia: aproveitar a temperatura subterrânea, mais estável que o ar externo, para aquecer no inverno e ajudar a resfriar no verão.

Como funciona a estufa geotérmica dos Lampes

Estufa geotérmica em Wyoming usa tubos subterrâneos e calor da terra para colher frutas tropicais na neve.
Imagem: Divulgação/Cowboy State Daily.

O sistema usa tubos enterrados sob a estrutura para circular o ar e equilibrar a temperatura interna. No caso dos Lampes, há 20 tubos subterrâneos, divididos em dois conjuntos. Dez deles têm 30 metros de comprimento e ficam enterrados a 3 metros de profundidade. Outros dez, também com 30 metros, ficam a 2,4 metros de profundidade.

Esses tubos passam sob camadas de cascalho e terra, criando uma espécie de “bateria térmica” no solo. Durante o funcionamento, o ar da própria estufa circula pelo sistema, troca calor com a terra e retorna ao ambiente interno em condições mais favoráveis para as plantas. A terra funciona como reguladora natural, reduzindo a dependência de aquecedores tradicionais.

O diferencial está no sistema fechado de circulação

Estufa geotérmica em Wyoming usa tubos subterrâneos e calor da terra para colher frutas tropicais na neve.
Imagem: Divulgação/Cowboy State Daily.

Muitas estufas geotérmicas usam entradas externas para captar ar ambiente e empurrá-lo pelos tubos. No projeto dos Lampes, o sistema é fechado, com recirculação do ar interno. Isso permite controlar melhor o fluxo e adaptar a estrutura tanto ao frio quanto ao calor excessivo.

A estufa também conta com distribuições separadas para ar quente e ar frio, além de pequenos tubos ajustáveis e amortecedores que direcionam a circulação. Essa escolha foi feita para lidar com um problema comum em estufas: no inverno, falta calor; no verão, sobra calor. O projeto tenta resolver os dois extremos usando o mesmo princípio subterrâneo.

Frio de -40°C não impediu as plantas de sobreviver

Segundo Lynn Lampe, mesmo durante dias de frio extremo, quando a temperatura externa chegou a cerca de -40°C, a estufa manteve condições internas suficientes para sustentar a vegetação. Ela relatou que, no ponto mais baixo, o ambiente ficou perto de 39°F, valor que as plantas conseguem tolerar por algum tempo.

Durante os meses frios, a parte inferior da estufa fica normalmente em torno de 45°F a 50°F. Já na primavera e no verão, o ambiente interno pode se manter próximo de 85°F. A operação diária, segundo os relatos da fonte, varia de cerca de US$ 0,50 a US$ 1 por dia, dependendo das condições e do uso do sistema.

Laranjas, limões e verduras em plena neve

Estufa geotérmica em Wyoming usa tubos subterrâneos e calor da terra para colher frutas tropicais na neve.
Imagem: Divulgação/Cowboy State Daily.

O resultado mais chamativo está no cultivo. Lynn Lampe mantém árvores cítricas como laranjas, limões, limas, toranjas e romãs. Também há oliveiras, figueiras e pessegueiros, além de hortaliças e verduras cultivadas conforme a necessidade da família.

Entre os alimentos citados estão alface, espinafre, acelga, tomates, morangos e ervilhas. Parte do cultivo é feita diretamente nos canteiros, com replantio conforme as colheitas terminam. A estufa geotérmica permite uma rotina rara para o clima local: plantar, colher, corrigir o solo e recomeçar em qualquer época do ano.

A ideia veio depois de uma visita ao Nebraska

Antes de construir o projeto em Cody, o casal visitou uma estufa no Nebraska ligada à empresa Greenhouse in the Snow, conhecida por trabalhar com estruturas geotérmicas. A visita serviu como inspiração, mas os Lampes queriam adaptar o conceito para outra necessidade: melhorar também o resfriamento da estufa.

Esse ponto é importante porque muita gente associa estufa apenas ao aquecimento. Porém, em dias de sol forte, o calor acumulado pode se tornar excessivo e prejudicar as plantas. Por isso, o casal decidiu desenvolver um sistema capaz de lidar com o frio e também com o superaquecimento, aproveitando o ar mais fresco do subsolo.

Projeto teve apoio de especialista local

Estufa geotérmica em Wyoming usa tubos subterrâneos e calor da terra para colher frutas tropicais na neve.
Imagem: Divulgação/Cowboy State Daily.

Para transformar a ideia em obra, os Lampes contaram com Mike Poulsen, da Alpine Botanica, empresa local especializada em estufas geotérmicas. Poulsen ajudou a desenvolver a circulação de ar e a adaptar o sistema às condições específicas do terreno e do clima de Wyoming.

A Alpine Botanica foi criada em 2022 e trabalha com projetos voltados à jardinagem, autossuficiência alimentar e estruturas de cultivo. Embora a instalação de uma estufa geotérmica exija investimento inicial, a proposta é reduzir custos de operação ao longo do tempo, principalmente em regiões onde manter uma estufa aquecida pode sair caro.

Sustentabilidade sem depender apenas de tecnologia cara

O caso dos Lampes chama atenção porque combina baixa tecnologia aparente com engenharia inteligente. Não se trata de uma solução baseada em painéis, baterias elétricas sofisticadas ou aquecimento constante, mas de um sistema que usa a estabilidade térmica da terra como principal aliada.

Isso não significa que qualquer pessoa consiga copiar o modelo sem planejamento. Profundidade dos tubos, tipo de solo, drenagem, ventilação, insolação, umidade e tamanho da estrutura influenciam o resultado. A força da estufa geotérmica está justamente na adaptação ao lugar onde ela será construída.

Uma resposta para estações de cultivo cada vez mais desafiadoras

Estufa geotérmica em Wyoming usa tubos subterrâneos e calor da terra para colher frutas tropicais na neve.
Imagem: Divulgação/Cowboy State Daily.

Em regiões frias, a limitação da estação de cultivo afeta tanto jardineiros domésticos quanto pequenos produtores. Uma solução como essa amplia a possibilidade de colher alimentos frescos por mais meses, reduzindo a dependência de produtos transportados de longe.

Ao mesmo tempo, a experiência mostra que a agricultura em pequena escala pode se beneficiar de soluções híbridas, misturando conhecimento tradicional, observação do clima e engenharia de circulação de ar. No caso de Cody, a estrutura criou um ambiente onde plantas tropicais convivem com a neve do lado de fora.

A estufa também virou espaço de bem-estar

Além da produção de alimentos, Lynn Lampe descreve a estufa como um espaço agradável para permanecer enquanto o clima externo está severo. O fato de a estrutura ser parcialmente protegida e menos exposta ao vento ajuda a criar uma sensação de abrigo no meio de uma paisagem difícil.

Esse ponto ajuda a explicar por que projetos desse tipo despertam curiosidade. Eles não resolvem apenas uma questão de cultivo, mas criam um microclima habitável, produtivo e visualmente surpreendente. Em vez de esperar a neve passar, o casal construiu um pedaço de verão controlado sob o frio de Wyoming.

Calor da terra virou colheita tropical

Estufa geotérmica em Wyoming usa tubos subterrâneos e calor da terra para colher frutas tropicais na neve.
Imagem: Divulgação/Cowboy State Daily.

A história da estufa geotérmica de Lynn e Karl Lampe mostra como uma solução bem planejada pode transformar limitações climáticas em oportunidade. Com 20 tubos enterrados, circulação de ar e uso estratégico do calor do solo, o casal conseguiu cultivar frutas tropicais e verduras durante todo o ano em uma região marcada por frio extremo.

O projeto não elimina os desafios de custo, manutenção e adaptação técnica, mas prova que o calor da terra pode ser uma ferramenta poderosa para quem busca produzir alimentos fora da estação convencional. Você acha que uma estufa geotérmica como essa faria sentido em regiões frias do Brasil ou seria cara demais para a realidade local? Deixe sua opinião nos comentários.

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Carla Teles

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