O que começou como visitas de fim de semana ao antigo rancho da família acabou mudando completamente a vida de um casal mineiro, que decidiu trocar o trânsito, a correria e noites mal dormidas da capital por uma rotina cercada por natureza, silêncio, cultivo orgânico e qualidade de vida em São José da Barra, no interior de Minas Gerais
Dormir apenas três horas por noite, viver no ritmo acelerado da cidade grande e passar boa parte do dia cercado por trânsito, compromissos e pressão profissional parecia algo normal para Nina e Evaldo durante os anos em que moraram em Belo Horizonte. No entanto, tudo mudou depois de uma visita ao antigo rancho da família, localizado às margens do chamado “Mar de Minas”, em São José da Barra, no sudoeste de Minas Gerais. Conforme relatado pelo casal em entrevista ao canal ‘Diário da Roça’, do criador de conteúdo Eduardo, a decisão de abandonar a capital aconteceu após descobrirem um estilo de vida completamente diferente daquele que levavam na cidade.
O local, cercado por mata, águas tranquilas e silêncio absoluto, fazia parte da história da família de Evaldo desde a década de 1970. O rancho foi comprado por seu pai em 1975, inicialmente como um simples ponto de apoio para pescarias. Com o passar dos anos, a propriedade ganhou novas construções, reformas e, principalmente, valor sentimental.
Hoje, décadas depois, o espaço se transformou em um verdadeiro refúgio rural, onde o casal vive rodeado por plantas medicinais, peixes criados sem ração industrializada, fogão a lenha e uma rotina completamente diferente daquela que tinham na capital mineira.
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Do caos urbano ao silêncio do interior: a mudança que transformou a vida do casal

A história começou quando Evaldo levou Nina para conhecer o rancho durante um fim de semana. Na época, ela trabalhava na área de moda em Belo Horizonte, atuando como estilista, modelista e professora. A rotina era intensa, cansativa e praticamente sem pausas.
“Eu dormia três horas por noite. Era uma loucura”, contou Nina durante a conversa. Segundo ela, naquele momento acreditava que aquela vida corrida era necessária para construir o futuro profissional que desejava.
Tudo mudou quando ela conheceu o ambiente do rancho.
O contato direto com a natureza, o silêncio da represa, o canto dos pássaros e a tranquilidade do interior provocaram um impacto imediato. Pouco tempo depois, Evaldo fez a pergunta que mudaria completamente a vida dos dois: ela teria coragem de abandonar Belo Horizonte para morar naquele lugar?
A resposta veio na mesma hora.
O casal se casou, permaneceu cerca de um ano na capital organizando a mudança e depois decidiu seguir para o interior. Inicialmente, foram morar em Passos, cidade próxima à região da Serra da Canastra. Porém, o desejo de viver definitivamente no rancho aumentava a cada visita.
Com a chegada da pandemia, o processo se acelerou. Enquanto boa parte da população brasileira enfrentava isolamento dentro de apartamentos e centros urbanos, eles já estavam instalados no interior. Foi ali que perceberam que não queriam mais voltar para a antiga rotina.
Herança da família, peixes orgânicos e uma vida cercada por natureza

Muito além de uma mudança de endereço, a decisão também representou a continuidade de um sonho antigo da família.
Segundo Evaldo, o pai sempre desejou morar definitivamente no rancho, mas acabou falecendo antes de realizar esse objetivo. Após a morte dele, parte da família queria vender a propriedade. Entretanto, Evaldo decidiu comprar a área para preservar a história construída ali ao longo de décadas.
“Meu pai falava que queria morar aqui. Eu entendi o sonho dele e não consegui abrir mão disso”, afirmou.
Desde então, o casal passou a investir na estrutura do local. Eles criaram áreas de convivência feitas com eucalipto, ampliaram espaços de descanso, construíram decks rústicos com vista para a represa e transformaram o antigo rancho em um ambiente voltado para bem-estar, descanso e contato com a natureza.
Um dos destaques da propriedade é a criação de tilápias em tanques-rede. Diferentemente da produção tradicional, Evaldo decidiu alimentar os peixes apenas com frutas, folhas, legumes e verduras.
Mamão, taioba, abóbora, mandioca, rama de batata-doce e até abacate fazem parte da alimentação dos animais.
Segundo ele, a experiência trouxe resultados surpreendentes.
Além de reduzir a mortalidade dos peixes, o crescimento ficou mais acelerado do que no sistema convencional com ração industrializada. O produtor afirma ainda que o sabor da carne ficou mais leve e diferenciado, semelhante ao conceito do “frango caipira”.
Atualmente, ele comercializa os peixes diretamente para clientes da região.
Plantas medicinais, qualidade de vida e uma nova relação com a saúde

A mudança para o interior também despertou outro interesse inesperado em Nina: o universo das plantas medicinais.
Ela, que antes não gostava sequer de cuidar das plantas da mãe, passou a estudar fitoterapia e medicina natural. Hoje, faz formação na área de fisioterapia terapêutica e dedica parte da rotina ao aprendizado sobre ervas, árvores e tratamentos naturais.
Durante a entrevista, Nina explicou que começou a enxergar propriedades medicinais em árvores comuns da região, como manga, abacate e goiaba.
Segundo ela, folhas, cascas e frutos possuem aplicações ligadas ao fortalecimento da imunidade, problemas respiratórios, circulação sanguínea e saúde do organismo.
Além disso, o casal também mudou completamente os hábitos alimentares. Grande parte da alimentação consumida hoje vem da própria propriedade, incluindo hortaliças, frutas, verduras, galinhas e alimentos preparados no tradicional fogão a lenha.
“Depois que começamos a entender mais sobre saúde natural, nossa vida mudou completamente”, contou.
Rancho virou refúgio turístico e atrai visitantes em busca de paz no Mar de Minas
Com o passar do tempo, amigos, familiares e visitantes começaram a demonstrar interesse em conhecer o espaço.
Foi então que surgiu a ideia de abrir o rancho para hospedagens e encontros familiares.
Hoje, o chamado “Cantinho Mar de Minas” recebe visitantes interessados em viver uma experiência mais próxima da natureza, longe da correria urbana. O espaço oferece vista privilegiada para a represa, áreas de descanso, alimentação típica mineira e contato direto com o estilo de vida rural cultivado pelo casal.
Segundo eles, muitas famílias procuram o local justamente para desacelerar e experimentar alguns dias de tranquilidade.
Além do rancho principal, Evaldo também criou um pequeno condomínio com terrenos próximos à água, todos com acesso regularizado, energia elétrica e infraestrutura básica.
Mesmo após anos vivendo na cidade grande, o casal garante que não sente falta da antiga rotina.
“Aqui a gente acorda com os passarinhos. Não tem buzina, sirene, trânsito. Só vento, natureza e paz”, resumiu Evaldo.
No fim das contas, aquilo que começou como um simples passeio de fim de semana acabou se transformando em uma mudança radical de vida — e também em uma forma de preservar memórias familiares construídas há mais de 50 anos às margens do Mar de Minas.
E você, teria coragem de abandonar a correria da cidade grande, trocar trânsito, barulho, noites mal dormidas e rotina acelerada por uma vida simples cercada por natureza, silêncio, comida feita no fogão a lenha, plantas medicinais e o som dos pássaros às margens do Mar de Minas, ou acredita que ainda não conseguiria deixar para trás o conforto e a agitação da vida urbana?

