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Mortandade incomum de camarões de água doce no Rio Tietê chama atenção de especialistas, leva órgãos ambientais a investigar possíveis causas e reforça preocupações antigas sobre a poluição do rio no interior paulista

Escrito por Caio Aviz
Publicado em 05/02/2026 às 02:01
Atualizado em 05/02/2026 às 02:03
Camarões de água doce mortos acumulados às margens do Rio Tietê, em Igaraçu do Tietê, com técnicos ambientais realizando coleta de amostras no interior de São Paulo.
Camarões do gênero Macrobrachium aparecem mortos em trecho do Rio Tietê, enquanto equipes ambientais realizam vistorias e coleta de amostras no interior paulista.
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Mortandade inédita de pitus mobiliza órgãos ambientais, gera investigação técnica detalhada e reforça a fragilidade ecológica do Rio Tietê

Uma ocorrência ambiental de grande impacto chamou atenção no interior de São Paulo nos primeiros dias de junho de 2026. Milhares de camarões de água doce foram encontrados mortos no Rio Tietê, no município de Igaraçu do Tietê. Diante disso, autoridades ambientais, especialistas e moradores passaram a acompanhar o caso com preocupação crescente.

O episódio teve pico no fim da tarde de segunda-feira, 2 de junho, quando os primeiros registros de acúmulo surgiram em uma prainha do rio. Mesmo após esse momento inicial, novos exemplares continuaram morrendo ao longo da terça-feira, 3, e da quarta-feira, 4, o que ampliou a dimensão ambiental do ocorrido.

Diante do cenário, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) enviou equipes técnicas ao local. Foram coletadas amostras da água e dos camarões, que seguem em análise laboratorial. O objetivo é identificar as causas exatas da mortandade.

Investigação técnica apura causas do fenômeno

Segundo a fiscalização municipal, os camarões começaram a se concentrar por volta das 17h da segunda-feira. Inicialmente, os animais mortos estavam restritos à prainha. Com o avanço das horas, passaram a se acumular também ao longo das margens do Rio Tietê.

De acordo com Juarez Sbeghen, responsável pela fiscalização ambiental de Igaraçu do Tietê, já havia histórico de mortandade de peixes na região, mas nunca de camarões de água doce, o que tornou o episódio incomum. Por isso, técnicos municipais e da Cetesb iniciaram apuração conjunta.

Somente na prainha, dois caminhões de camarões misturados à areia foram recolhidos. Posteriormente, todo o material foi encaminhado ao aterro sanitário de Barra Bonita, seguindo orientação técnica da Cetesb e protocolos ambientais vigentes.

Análise ambiental aponta possíveis fatores associados

Paralelamente, o Grupo Macrófitas, formado por representantes da sociedade civil, operadores de embarcações e especialistas ambientais, também iniciou análise independente. Segundo o grupo, chamou atenção o fato de apenas os camarões terem sido afetados, sem impacto visível sobre outras espécies aquáticas.

De acordo com o Grupo Macrófitas, a mortandade pode estar associada à poluição orgânica, redução do oxigênio dissolvido, processos de eutrofização, descargas químicas ou variações ambientais bruscas. Esses fatores, segundo o grupo, evidenciam a fragilidade do ecossistema do Rio Tietê e reforçam a necessidade de controle rigoroso das fontes de poluição.

Enquanto isso, a Cetesb informou que realizou vistoria técnica na tarde de terça-feira, 3 de junho, assim que a denúncia chegou ao órgão. Como medida preventiva, a agência ambiental orientou que a população não pesque nem se banhe no local até a divulgação dos resultados laboratoriais.

Proximidade com barragem entra no debate

A prainha de Igaraçu do Tietê fica próxima à barragem da Usina Hidrelétrica de Barra Bonita. No entanto, a Auren Energia afirmou que não há qualquer relação entre a manutenção preventiva da eclusa e a mortandade dos camarões.

Mesmo sem ligação operacional, a empresa comunicou a situação à Cetesb e se colocou à disposição para colaborar com as investigações ambientais em andamento.

Espécie afetada reforça relevância do episódio

O camarão de água doce do gênero Macrobrachium, conhecido como pitu, possui características semelhantes ao camarão marinho. A espécie é nativa de regiões lacustres do sudeste dos Estados Unidos, mas ocorre naturalmente até o sul do Brasil. Além disso, é comum em rios de águas correntes, como o próprio Rio Tietê.

Diante disso, a mortandade exclusiva dessa espécie, concentrada em um trecho específico do rio, levanta questionamentos técnicos relevantes sobre a qualidade da água, o equilíbrio ambiental local e a necessidade de monitoramento contínuo do Tietê.

Com a investigação em andamento, o caso segue sob análise dos órgãos ambientais. Você acredita que o reforço da fiscalização ou o monitoramento permanente da qualidade da água deveria ser a principal prioridade para evitar novos episódios como esse no Rio Tietê?

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Francisco E S Morás
Francisco E S Morás
05/02/2026 08:55

Uma espécie que pode ser consumida, e gerar lucro, morrendo por causa da poluição.
“This is Brazil!”, como dizia o jornalista Paulo Francis.

Caio Aviz

Escrevo sobre o mercado offshore, petróleo e gás, vagas de emprego, energias renováveis, mineração, economia, inovação e curiosidades, tecnologia, geopolítica, governo, entre outros temas. Buscando sempre atualizações diárias e assuntos relevantes, exponho um conteúdo rico, considerável e significativo. Para sugestões de pauta e feedbacks, faça contato no e-mail: avizzcaio12@gmail.com.

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