Pesquisa com cabras isoladas há mais de dois séculos em Abrolhos busca identificar adaptação genética, ampliar conservação e apoiar sistemas produtivos resilientes para regiões semiáridas brasileiras diante de mudanças climáticas crescentes no país
Em agosto de 2025, o site Canal Rural reportou que 21 cabras foram transferidas de Abrolhos, na Bahia, para a Uesb em Itapetinga, visando pesquisas de caracterização genética e produtividade, já que os animais viviam isolados há mais de dois séculos na região.
Navegadores europeus deixaram os primeiros exemplares na ilha durante o período colonial como subsistência, informou o Canal Rural em sua reportagem.
Os animais se reproduziram sem interferência humana direta por séculos, despertando interesse científico pela adaptação genética a ambientes com restrição hídrica.
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Potencial para o semiárido
Ronaldo Vasconcelos, professor de Zootecnia da Uesb, explicou que o isolamento favoreceu características específicas relacionadas à sobrevivência em condições climáticas bastante adversas.
Segundo Vasconcelos na reportagem do Canal Rural, essas descobertas podem contribuir para o desenvolvimento da caprinocultura em diversas regiões semiáridas do país.
Após chegarem ao campus, os caprinos iniciaram um período de quarentena para garantir adaptação segura e assegurar todos os cuidados sanitários necessários.
O isolamento é vital pois os animais não possuem resistência imunológica contra carrapatos ou verminoses comuns em rebanhos continentais, afirmou Ronaldo Vasconcelos.
Parcerias e conservação
O professor Dimas Oliveira, da Uesb, destacou que o estudo gera informações relevantes para sistemas de produção em áreas com limitações climáticas severas.
A Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia atua na análise genética e estratégias de conservação em parceria direta com a universidade estadual baiana.
Impacto ambiental e manejo
A retirada das cabras teve motivação ambiental, pois a presença causava impactos no solo e na vegetação estratégica para aves em Abrolhos.
Diferentes instituições operaram a remoção, incluindo o ICMBio, a Marinha do Brasil, a Adab, a Embrapa e a própria Uesb, relatou o canal.
Durante a captura, os animais receberam identificação eletrônica individual e tiveram amostras de sangue coletadas para as fundamentais análises laboratoriais de rotina.
Esses dados são essenciais para determinar o grau de singularidade genética da população que habitava o arquipélago isolado no litoral sul.
Futuro da pesquisa científica
Caso confirmada a distinção genética, os pesquisadores pretendem avançar para um plano de conservação com ampliação controlada do rebanho e armazenamento biológico.
Existe a possibilidade futura de disponibilizar material genético para produtores rurais que enfrentam desafios climáticos semelhantes aos encontrados na Ilha de Abrolhos.
Com informações de Canal Rural.
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A trajetória agrícola da Ilha Campbell começou em 1895 e avançou por décadas até ser totalmente abandonada em 1931, porque o transporte marítimo instável e a recessão global inviabilizaram a continuidade da atividade. A concessão de pastagem passou pelas mãos de vários arrendatários e enfrentou sucessivas dificuldades.
Além disso, a ilha já era usada desde 1894 para cultivo, caça de focas e baleias, além de servir como ponto estratégico para defesa costeira e observações meteorológicas. Esse conjunto de atividades moldou o primeiro ciclo humano no território.
Em 1895, cerca de 400 ovelhas foram introduzidas na paisagem remota. O isolamento era extremo e tornou complicado encontrar trabalhadores dispostos a permanecer ali por longos períodos.
Poucos anos depois, pastores oriundos das Ilhas Shetland, no norte da Escócia, foram contratados para assegurar o funcionamento da fazenda.
A operação, porém, começou a perder fôlego na década de 1920. O número de navios que chegavam à Ilha Campbell caiu, portanto ficou mais difícil receber mantimentos básicos.
Essa limitação afetou o cotidiano dos trabalhadores e reduziu as perspectivas de continuidade da produção.
Em 1927, aproximadamente 5.000 ovelhas foram soltas no território. A medida tinha como objetivo expandir o rebanho e manter a viabilidade da criação.
Mas os preços da carne e dos ovinos despencaram logo depois. A crise atingiu em cheio o arrendatário John Warren, que desistiu da ilha em 1931 e a deixou em situação de miséria, junto com um enorme contingente de ovelhas já sem manejo humano.
O histórico completo das operações agrícolas nunca foi totalmente documentado. Porém, o diário de Alfred Austin, escrito diariamente entre novembro de 1919 e novembro de 1921, oferece uma visão rara da rotina de criação em um ambiente oceânico isolado da colonização contínua.
As ovelhas selvagens e o impacto ambiental crescente
Com a saída dos últimos trabalhadores, as ovelhas permaneceram na ilha e passaram a viver de forma totalmente selvagem.
Estimativas indicam que a população pode ter alcançado entre 7.000 e 8.000 animais por volta de 1913, o que pressionou fortemente a vegetação nativa ao longo dos anos seguintes.
A intensidade do pastejo acelerou a degradação ambiental porque a flora local não estava adaptada ao impacto de mamíferos exóticos. A perda de cobertura vegetal tornou a área sensível e mais propensa a danos duradouros.
Em 1954, a Ilha Campbell foi oficialmente declarada reserva natural. O status marcou uma virada de proteção ambiental.
A partir de 1970, iniciou-se um programa de erradicação das ovelhas selvagens. Cercas foram erguidas em 1970 e 1984 para dividir o território e organizar a remoção de forma gradual.
Aproximadamente 7.000 animais foram abatidos ao longo das etapas, até a conclusão definitiva em 1992.
O objetivo era restaurar o ecossistema subantártico da ilha. Portanto, a retirada dos ovinos buscou proteger flora, fauna e habitats altamente frágeis.
A recuperação começou a aparecer com o aumento de plantas nativas, como macroforbas e gramíneas.
A saga das ovelhas da Ilha Campbell mostra como práticas agrícolas em ambientes remotos podem provocar impactos amplos e prolongados.
Além disso, evidencia o desafio de reconstruir um ecossistema após décadas de pressão ambiental intensa.
Com informações de Doc.govt.nz, Wikipedia e outras fontes.


Os interessados no assunto devem o sensacional livro A CABRA, de autoria do Engenheiro Agrônomo da Seção de Fomento do Ceará (Ministério da Agricultura), José Aristóbulo de Castro. Esse livro pode ser comprado pela Internet. Foi editado pela Livraria Freitas Bastos, do Rio de Janeiro.
Luciano S. Pinheiro, MD
PhD
Professor Emérito da Universidade Federal do Ceará
Membro Titular da Academia Cearense de Medicina
Fortaleza, 28 de dezembro de 2025.
Interesting information suitable for human ecology subject.
What jackasses. Maybe we should save them and put y’all there to experiment on.