Estratégia da BYD prevê três picapes híbridas nacionais, testes em andamento no Brasil e produção concentrada na Bahia, mirando desde o segmento compacto até modelos médios para enfrentar líderes tradicionais com foco em eletrificação, autonomia e custo operacional.
A BYD prepara uma ofensiva no mercado de picapes no Brasil com, ao menos, três projetos em desenvolvimento e planos de montagem no país, segundo informações publicadas pelo colunista Marlos Ney Vidal, do UOL Carros, e por sites especializados que têm registrado testes de protótipos em rodagem.
A estratégia inclui modelos de diferentes tamanhos, do compacto ao médio, em uma linha que deve conviver com a Shark, atualmente vendida no Brasil como importada.
A aposta da fabricante é usar a combinação de eletrificação e motor a combustão com tecnologia voltada ao mercado brasileiro, em uma faixa em que hoje dominam Fiat Strada e Toro, além de picapes médias como Toyota Hilux, Ford Ranger e Chevrolet S10.
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Três frentes de desenvolvimento e vitrine no Salão de Pequim
O projeto mais adiantado, de acordo com os relatos, é uma picape derivada do SUV Song Pro, prevista para ser apresentada no Salão de Pequim de 2026.
A feira, chamada Auto China, já tem datas divulgadas para acontecer entre 24 de abril e 3 de maio de 2026, na capital chinesa.
Enquanto isso, protótipos desse modelo vêm sendo vistos em testes no Brasil, ainda camuflados.
A proposta é posicioná-lo como rival direto de Fiat Toro, Ram Rampage e Ford Maverick, em uma faixa intermediária de porte e preço que ganhou força nos últimos anos.
Além dela, as apurações citam outros dois desenvolvimentos paralelos.

Um deles mira o segmento de entrada, com foco na liderança da Fiat Strada.
O outro seria uma picape média, com tração 4×4 e soluções típicas do segmento de uma tonelada, para enfrentar concorrentes tradicionais como Hilux, Ranger e S10.
Produção em Camaçari e papel estratégico da fábrica da Bahia
A montagem desses utilitários é atribuída à fábrica da BYD em Camaçari, na Bahia, que iniciou a operação industrial no país em 2025.
A planta trabalha com uma transição por etapas até a estrutura completa.
Em reportagens publicadas ao longo de 2025, a montadora e autoridades locais citaram um cronograma de nacionalização progressiva, com a fábrica prevista para ficar totalmente funcional ao longo de 2026.
Nesse arranjo, a Shark aparece como a maior picape do portfólio atual e funciona como vitrine tecnológica da marca.
No Brasil, ela é apresentada como híbrida plug-in, com motor 1.5 turbo e dois motores elétricos, um em cada eixo.
Essa arquitetura garante tração integral elétrica.
O preço de tabela divulgado em 2025 por publicações especializadas ficou na casa de R$ 379,8 mil, com registros de descontos em ofertas no varejo.
Picape baseada no Song Pro e números antecipados
Para o modelo derivado do Song Pro, as informações disponíveis ainda circulam principalmente como antecipações de bastidores e projeções atribuídas a fontes do setor.
Segundo o que foi publicado, a picape deve herdar o conjunto híbrido flex associado ao Song Pro.
O modelo também deve seguir o design da família Song, com versões de tração 4×2 na base e 4×4 nas configurações mais completas.
Também foram mencionados números como 235 cv de potência combinada, consumo na casa dos 40 km/l e autonomia total próxima de 1.200 km.
Além disso, há a referência a cerca de 100 km de alcance em modo elétrico.
Até aqui, porém, esses dados não aparecem como especificações confirmadas oficialmente pela BYD.
Por isso, tratam-se de metas ou estimativas reportadas por colunismo e veículos especializados.
Esses números ainda estão sujeitos a mudança até a apresentação oficial e o lançamento comercial.
Há ainda a indicação de que o nome comercial seria definido em janeiro, mas sem confirmação pública verificável no material institucional disponível até o momento.
Picape compacta híbrida e o desafio de enfrentar a Strada

No plano para um modelo compacto, o alvo é claro: a Fiat Strada, que se mantém como um dos veículos mais vendidos do país.
O modelo lidera o segmento há anos e responde por uma fatia relevante do volume da Fiat no Brasil.
A tese, segundo as publicações, é oferecer uma picape de menor porte com eletrificação como diferencial central, mirando um uso misto entre trabalho e cidade.
Nesse contexto, custo de abastecimento e eficiência energética ganham peso na estratégia.
Mesmo com esse direcionamento, o estágio do projeto é descrito como em desenvolvimento.
Os prazos de engenharia ainda estão em curso e não há ficha técnica oficial divulgada.
A narrativa aponta cooperação entre equipes da China e do Brasil, alinhada ao discurso da marca de adaptar tecnologias à realidade local, especialmente no uso de sistemas híbridos flex.
Picape média 4×4 mira líderes do segmento tradicional
Para a terceira frente, de médio porte, as informações atribuídas a bastidores indicam uma configuração com motor 1.5 turbo a combustão combinado a dois motores elétricos.
O conjunto formaria um sistema 4×4 com eletrificação nos eixos.
A proposta seria ficar abaixo da Shark em posicionamento, mas ainda assim mirar alta capacidade de carga e grande autonomia.
Os relatos mencionam uso de feixe de molas, característica comum em picapes médias voltadas ao trabalho.
Também é citada uma meta de autonomia acima de 1.200 km por tanque e carga.
A chegada às concessionárias é apontada para o fim do primeiro semestre de 2027, sem confirmação oficial da marca.
Até o momento, não há dados públicos definitivos sobre potência, consumo, capacidade de carga ou calendário comercial fechado.
Com protótipos em testes e ampliação industrial em andamento em Camaçari, a movimentação sinaliza um reposicionamento da BYD além de SUVs e sedãs eletrificados.
A entrada no segmento de picapes ocorre justamente em um dos mercados mais competitivos do país.
Quando as especificações oficiais forem apresentadas, o que tende a pesar mais para o consumidor brasileiro: preço, autonomia real ou robustez diante das rivais já consolidadas?


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