BYD avalia ampliar a fábrica de Manaus ou construir nova unidade no Brasil, após decisão do governo sobre leilão de armazenamento, com aporte próprio de até R$ 500 milhões
A BYD decidiu investir até R$ 500 milhões para ampliar a produção de baterias no Brasil, após o governo federal definir o primeiro leilão de sistemas de armazenamento de energia para o Sistema Interligado Nacional. A empresa avalia expandir a unidade de Manaus ou construir uma nova fábrica, com decisão prevista em até 90 dias.
Leilão de armazenamento pesa na decisão da BYD
O investimento foi anunciado em meio à preparação do primeiro leilão federal voltado à contratação de sistemas de armazenamento de energia. O certame está programado para os dias 2 e 4 de dezembro.
Segundo o vice-presidente sênior da BYD Brasil, Alexandre Baldy, o modelo definido pelo governo foi um dos fatores determinantes para a decisão da empresa. A primeira etapa exigirá conteúdo nacional nos projetos participantes.
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Esses critérios ainda serão definidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Para a BYD, essa regra pode influenciar diretamente o tamanho do aporte.
“Isso vai determinar o tamanho do investimento para a ampliação ou construção dessa nova unidade industrial”, afirmou Baldy.
A empresa pretende usar recursos próprios no projeto. A liberação do montante ocorrerá depois da conclusão dos estudos sobre a localização da expansão.

Nova fábrica ou ampliação em Manaus
A BYD ainda não definiu se o investimento será direcionado à ampliação da fábrica já existente em Manaus (AM) ou à construção de uma nova unidade industrial no país.
“O investimento é uma decisão tomada. Agora, onde será, neste momento, é fruto de estudo”, disse Baldy.
Hoje, a empresa produz em Manaus baterias do tipo LFP, de lítio-ferro-fosfato. Esse tipo de bateria é usado em ônibus elétricos e em sistemas de armazenamento de energia para aplicações de backup.
A nova etapa reforça a estratégia da companhia de ampliar sua presença no mercado brasileiro de soluções energéticas, além da atuação já consolidada em mobilidade elétrica.
Localização deve considerar incentivos e logística
A escolha do local também dependerá dos incentivos previstos para projetos que participarem do leilão de armazenamento.
O governo pretende conceder uma bonificação a empreendimentos instalados perto de pontos estratégicos identificados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE).
Essas áreas estão distribuídas por estados como Alagoas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte.
O mecanismo funcionará como fator de redução no valor dos lances apresentados pelos participantes. Os critérios finais, no entanto, ainda serão definidos pelas autoridades responsáveis.
A expectativa inicial da BYD é gerar pelo menos 400 empregos diretos com o novo investimento.
Empresa já tem operações em três estados
A BYD mantém operações industriais em diferentes regiões do Brasil. Além da fábrica de baterias em Manaus, a companhia tem uma unidade de ônibus elétricos em Campinas (SP) e uma fábrica de veículos elétricos e híbridos em Camaçari (BA).
A empresa não detalhou quais componentes poderão ser produzidos localmente na nova fase. Baldy afirmou que a estratégia é ampliar o conteúdo nacional sempre que houver viabilidade industrial.
“Aquilo que for possível de se nacionalizar, nós o faremos”, declarou.
Em março deste ano, a companhia também anunciou a criação de seu primeiro centro de testes e avaliação automotiva no Rio de Janeiro, com investimento previsto de R$ 300 milhões.
Mercado pode avançar além da contratação pública
A avaliação da BYD é que o leilão representa apenas o começo de um mercado mais amplo para armazenamento de energia no Brasil.
Segundo Baldy, a regulamentação do setor pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e o interesse de diferentes segmentos econômicos tendem a impulsionar a demanda pela tecnologia.
“Agora se viabiliza não só a questão do próprio leilão, mas o mercado como um todo. Isso faz com que diversos segmentos olhem para essa tecnologia”, afirmou.
A empresa já iniciou conversas com distribuidoras de energia, companhias do agronegócio, mineradoras e outros setores que podem usar sistemas de armazenamento em larga escala.
Esta matéria foi elaborada com base em informações do Valor Econômico e em declarações do vice-presidente sênior da BYD Brasil, Alexandre Baldy, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.


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