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Silvia Gómez, médica especialista em aparelho digestivo, revela por que água gelada, sorvetes e bebidas muito frias podem deixar a digestão mais lenta, causar desconforto e o que fazer para evitar o problema no calor

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Escrito por Felipe Alves da Silva Publicado em 03/07/2026 às 16:18 Atualizado em 03/07/2026 às 16:20
Copo de água com gelo e sorvete ilustram os efeitos das bebidas muito frias na digestão durante dias de calor.
Especialista explica como bebidas muito frias podem influenciar temporariamente o processo digestivo.
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Especialista em neurogastroenterologia explica que a água gelada não interrompe a digestão, mas pode retardar temporariamente o esvaziamento do estômago em pessoas mais sensíveis, especialmente após refeições pesadas ou em dias de calor intenso.

Quando as temperaturas sobem, poucas coisas parecem tão agradáveis quanto beber um copo de água com bastante gelo ou saborear um sorvete bem gelado. No entanto, muita gente relata sensação de estômago pesado, inchaço ou digestão mais lenta logo após consumir bebidas ou alimentos muito frios. Mas será que esse desconforto significa que a água gelada realmente “bloqueia” a digestão? Segundo reportagem publicada pelo jornal espanhol La Vanguardia, a médica especialista em aparelho digestivo Silvia Gómez Senent esclarece que essa crença não passa de um mito, embora o frio intenso possa provocar alterações temporárias no funcionamento do estômago em algumas pessoas.

A especialista, que atua na área de neurogastroenterologia e microbiota intestinal, explica que esse fenômeno é conhecido como a chamada “paradoxa da água fria”. Embora a água seja indispensável para uma boa digestão e para o funcionamento do organismo, sua temperatura pode influenciar momentaneamente a forma como o sistema digestivo reage, principalmente em indivíduos mais sensíveis.

O que acontece quando a água muito gelada chega ao estômago?

De acordo com Silvia Gómez, quando uma bebida extremamente fria alcança o estômago, o organismo pode responder com uma vasoconstrição local, ou seja, um estreitamento temporário dos vasos sanguíneos da região.

Além disso, o frio pode diminuir discretamente o ritmo dos movimentos do estômago responsáveis por encaminhar os alimentos para o intestino. Como consequência, o chamado esvaziamento gástrico pode ocorrer de forma um pouco mais lenta.

Na prática, isso significa que algumas pessoas podem sentir uma sensação de estômago cheio por mais tempo, além de apresentar sintomas como:

  • sensação de peso após as refeições;
  • leve inchaço abdominal;
  • desconforto digestivo;
  • pequenos espasmos no estômago.

A médica destaca, porém, que essa reação não acontece com todas as pessoas e, quando ocorre, costuma ser passageira.

Segundo ela, beber água gelada não interrompe a digestão, nem representa qualquer risco para indivíduos saudáveis. A intensidade dos sintomas depende da sensibilidade de cada organismo, da quantidade ingerida e até do tipo de alimento consumido anteriormente.

Em quais situações o desconforto pode ser maior?

A especialista explica que o efeito costuma ser percebido principalmente em situações nas quais o sistema digestivo já está trabalhando intensamente.

Entre os principais exemplos estão:

  • logo após refeições muito pesadas;
  • durante ondas de calor intenso;
  • depois da prática de exercícios físicos vigorosos;
  • em pessoas que já apresentam digestão naturalmente mais lenta ou algum grau de sensibilidade gastrointestinal.

Nesses momentos, o organismo precisa administrar simultaneamente fatores como digestão, aumento da temperatura corporal, reposição de líquidos e mudanças bruscas de temperatura.

Quando uma bebida extremamente gelada é consumida rapidamente, esse contraste pode aumentar a sensação de desconforto, levando muitas pessoas a acreditarem que sofreram um “corte de digestão”. Segundo Silvia Gómez, essa sensação existe, mas não representa um bloqueio real do funcionamento do estômago.

Por isso, em dias muito quentes, a recomendação é optar por água fresca, sem excesso de gelo, e consumi-la aos poucos. Dessa forma, é possível manter uma boa hidratação sem provocar um choque térmico no sistema digestivo.

Sorvetes também podem tornar a digestão mais lenta

Os sorvetes merecem uma atenção especial porque combinam três fatores que influenciam o processo digestivo: baixa temperatura, gordura e açúcar.

Enquanto o frio pode retardar temporariamente o esvaziamento do estômago, as gorduras e os açúcares presentes em muitos sorvetes já exigem naturalmente um tempo maior para serem digeridos.

Essa combinação pode aumentar a sensação de inchaço e de estômago pesado, principalmente quando o alimento é consumido logo após refeições fartas ou em grandes quantidades.

Apesar disso, Silvia Gómez reforça que um sorvete consumido ocasionalmente durante o verão não representa qualquer problema digestivo importante para a maioria das pessoas saudáveis.

Água gelada interfere na microbiota intestinal?

Outro tema abordado pela especialista diz respeito à microbiota intestinal, conjunto de bilhões de bactérias que vivem naturalmente no intestino e desempenham papel essencial para a saúde.

Segundo Silvia Gómez, qualquer influência da água muito fria sobre a microbiota seria apenas indireta e bastante discreta.

Caso o frio provoque uma alteração temporária no trânsito intestinal em pessoas sensíveis, isso pode modificar levemente, por um curto período, o ambiente onde essas bactérias vivem. No entanto, não existem evidências científicas de que beber água gelada ou consumir um sorvete ocasional cause prejuízos significativos à microbiota.

Assim, a especialista recomenda que o consumo de bebidas frias seja feito com equilíbrio, respeitando a resposta individual do organismo.

Em vez de eliminar completamente o gelo da rotina, a orientação é simples: observar como o corpo reage, preferir água fresca durante períodos de calor intenso, evitar ingerir grandes volumes de uma só vez logo após refeições pesadas e manter uma hidratação adequada ao longo do dia.

Para a maioria das pessoas, a água gelada continua sendo uma forma segura de aliviar o calor. Quando existe algum desconforto digestivo, pequenas mudanças de hábito costumam ser suficientes para tornar a digestão mais confortável.

Fonte original da notícia: La Vanguardia (Espanha). Informações baseadas nas explicações da médica especialista em aparelho digestivo Silvia Gómez Senent.

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Felipe Alves da Silva

Sou Felipe Alves, com experiência na produção de conteúdo sobre segurança nacional, geopolítica, tecnologia e temas estratégicos que impactam diretamente o cenário contemporâneo. Ao longo da minha trajetória, busco oferecer análises claras, confiáveis e atualizadas, voltadas a especialistas, entusiastas e profissionais da área de segurança e geopolítica. Meu compromisso é contribuir para uma compreensão acessível e qualificada dos desafios e transformações no campo estratégico global. Sugestões de pauta, dúvidas ou contato institucional: fa06279@gmail.com

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