Lançado na China, o Great Tang estreia com bateria Blade de nova geração, arquitetura de 1.000 volts e desempenho de esportivo em um SUV familiar de mais de 5 metros
A BYD lançou oficialmente na China o novo Great Tang, um SUV elétrico de grande porte que chega para ocupar o topo da linha Dynasty e reforçar a ofensiva da marca no segmento premium. O modelo combina sete lugares, autonomia de até 950 km no ciclo chinês CLTC, recarga ultrarrápida e aceleração de 0 a 100 km/h em 3,9 segundos nas versões mais potentes.
De acordo com informações do Motor1 e do CnEVPost, o SUV parte de 239.900 yuans e chega a 309.900 yuans, o equivalente a aproximadamente R$ 182,8 mil a R$ 236,2 mil na conversão usada pela publicação original. O número chama atenção porque coloca um utilitário elétrico de luxo, com porte superior a 5,2 metros, em uma faixa de preço que no Brasil se aproxima de SUVs médios bem menos sofisticados.
O lançamento ocorreu em 17 de junho de 2026 e marca uma nova etapa da estratégia da BYD para disputar consumidores que buscam mais do que um carro elétrico eficiente. A fabricante chinesa agora tenta avançar em um território onde importam conforto, tecnologia embarcada, desempenho, status e margem de lucro.
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O Great Tang também chega em um momento de disputa intensa no mercado chinês de veículos eletrificados. Marcas como Li Auto, Aito, Nio, Xpeng e Xiaomi vêm pressionando o setor com SUVs cada vez mais tecnológicos, enquanto a BYD tenta provar que consegue competir não apenas em volume, mas também em sofisticação.
O número de autonomia impressiona, mas precisa ser lido com atenção

O dado mais chamativo do novo Great Tang é a autonomia de até 950 km. Esse alcance, porém, foi medido pelo ciclo CLTC, padrão usado na China e geralmente mais otimista do que medições como WLTP, adotada na Europa, e EPA, utilizada nos Estados Unidos.
Isso significa que o número não deve ser interpretado como garantia de que o SUV percorrerá 950 km em qualquer situação real de uso. Velocidade, temperatura, peso transportado, uso do ar-condicionado, topografia e estilo de condução podem reduzir a autonomia na prática.

Ainda assim, o avanço técnico é relevante. Segundo o CnEVPost, a versão de maior alcance utiliza uma bateria de 130,1 kWh e motor traseiro de 370 kW, entregando os 950 km anunciados no ciclo chinês. Já a versão de entrada usa bateria de 105,7 kWh, motor de 300 kW e promete 800 km de autonomia no mesmo padrão.
Nas configurações com tração integral, o Great Tang combina dois motores elétricos e alcança potência total de 585 kW, o equivalente a cerca de 795 cv. Nessa configuração, a autonomia declarada fica em 850 km, mas o desempenho sobe para um patamar típico de carros esportivos.
A recarga ultrarrápida é a aposta da BYD para reduzir a ansiedade do carro elétrico
A BYD equipou o Great Tang com uma arquitetura elétrica de 1.000 volts, solução que permite trabalhar com potências de recarga muito superiores às de sistemas convencionais. Segundo informações divulgadas sobre o modelo, a bateria pode ir de 10% a 97% em até 9 minutos em condições ideais.
Esse ponto é central para entender a estratégia da marca. A autonomia longa ajuda a reduzir a preocupação com paradas frequentes, mas a recarga ultrarrápida tenta resolver outro problema do carro elétrico: o tempo necessário para recuperar energia em viagens.
A tecnologia está ligada à segunda geração da bateria Blade, um dos principais ativos industriais da BYD. Essa bateria usa química LFP, de fosfato de ferro-lítio, conhecida por priorizar segurança, durabilidade e custo menor em relação a composições mais caras usadas por alguns concorrentes.

Segundo a Reuters, a BYD apresentou em 2026 uma grande atualização da bateria Blade e passou a usar o avanço como peça-chave para recuperar fôlego em um mercado chinês cada vez mais competitivo. A empresa também trabalha para ampliar sua rede de carregadores rápidos na China, fator essencial para que a promessa de recarga em poucos minutos faça sentido fora dos testes.
Um SUV de luxo com sete lugares e soluções pouco comuns até entre modelos caros
O Great Tang mede 5.263 mm de comprimento, 1.999 mm de largura, 1.790 mm de altura e tem 3.130 mm de entre-eixos. Em algumas configurações, o comprimento pode chegar a 5.302 mm, colocando o modelo entre os grandes SUVs familiares de luxo.
Por dentro, a configuração é 2+2+3, com duas poltronas individuais na segunda fileira e três lugares na terceira. A proposta é oferecer conforto de carro executivo em um veículo pensado para família grande, viagens longas e consumidores que não querem abrir mão de espaço.
Os bancos dianteiros contam com função Zero Gravity, projetada para distribuir melhor o peso do corpo. Na segunda fileira, os assentos podem reclinar até 146 graus e trazem apoio elétrico para as pernas, uma solução inspirada em poltronas de classe executiva.
A cabine também recebeu uma tela suspensa de 17,3 polegadas para os passageiros traseiros, teto panorâmico de 2,53 m² com vidro laminado acústico e cortina elétrica. Entre os recursos mais curiosos está o sistema Lingdong, formado por pequenos controles físicos magnéticos que podem ser reposicionados dentro do carro para comandar funções como climatização, áudio e ajustes dos bancos.

O tamanho assusta, mas a engenharia tenta fazer o SUV parecer menor ao dirigir
Para controlar um veículo com mais de 5 metros de comprimento, a BYD incluiu a suspensão pneumática inteligente DiSus-A. O sistema usa molas a ar de dupla câmara e permite variar a altura da carroceria em até 100 mm.
A suspensão também trabalha com sensores capazes de analisar o piso e ajustar os amortecedores antes de o carro passar por irregularidades. Na prática, a solução busca entregar mais conforto em pisos ruins e mais estabilidade em velocidades elevadas.
Outro recurso importante é o eixo traseiro esterçante. As rodas traseiras podem virar até 7 graus, o que reduz o raio de giro para 5,2 metros, número baixo para um SUV desse porte.
O modelo ainda conta com a função conhecida como “crab walk”, em que o carro se desloca de forma diagonal. Essa tecnologia já apareceu em veículos de luxo e picapes elétricas, mas ganha um apelo diferente em um SUV familiar, especialmente em manobras apertadas.
A ofensiva premium mostra que a BYD quer mais do que vender carros elétricos baratos

Durante anos, a BYD foi vista principalmente como uma fabricante forte em volume, com carros elétricos e híbridos competitivos em preço. O Great Tang mostra que a empresa quer ampliar essa imagem e disputar o consumidor de renda mais alta.
Segundo o CnEVPost, o modelo superou 150 mil pré-vendas desde o início das reservas, abertas em abril de 2026 durante o Salão de Pequim. O resultado indica que há forte interesse por SUVs grandes, elétricos e tecnológicos em uma faixa de preço ainda abaixo de muitos rivais premium globais.
A estratégia também ajuda a explicar por que o Great Tang foi colocado no topo da linha Dynasty. A BYD já tem marcas mais luxuosas, como Denza e Yangwang, mas agora tenta elevar a percepção de valor dentro da própria marca principal.
No Brasil, ainda não há anúncio oficial sobre a chegada do Great Tang. A linha nacional da BYD já conta com modelos eletrificados como Dolphin, Yuan, Song, Seal, Shark, Han e Tan, de acordo com a própria operação brasileira da marca. O Tan, inclusive, é hoje o SUV elétrico de sete lugares mais próximo dessa proposta no mercado brasileiro, embora seja menor e menos avançado que o novo Great Tang chinês.
O que esse lançamento diz sobre o futuro dos SUVs elétricos
O Great Tang não é apenas mais um lançamento da BYD. Ele mostra como a indústria chinesa está acelerando em uma direção que mistura baterias maiores, carregamento ultrarrápido, interiores de luxo e preços agressivos.
A autonomia de 950 km pode ser otimista por estar no ciclo CLTC, mas o conjunto técnico revela uma tendência clara. Os carros elétricos estão deixando de disputar apenas eficiência urbana e começam a mirar diretamente consumidores que antes só consideravam SUVs grandes a combustão ou híbridos de marcas tradicionais.
Para o leitor brasileiro, o ponto mais importante talvez seja outro. Mesmo sem confirmação de venda no Brasil, o Great Tang mostra o tipo de produto que pode pressionar o mercado global nos próximos anos, especialmente se a BYD conseguir combinar tecnologia avançada, produção em escala e preços competitivos.
Resta saber como fabricantes tradicionais reagirão a uma marca que já vende em grande volume e agora tenta subir de patamar. Se a disputa chegar ao Brasil com essa intensidade, o consumidor poderá ver SUVs elétricos cada vez mais tecnológicos, mas também uma concorrência mais dura entre chinesas, japonesas, europeias e americanas.
O que você acha desse novo SUV elétrico da BYD? A autonomia de 950 km e a recarga em poucos minutos seriam suficientes para fazer você considerar um carro 100% elétrico, ou ainda falta infraestrutura para esse tipo de veículo no Brasil? Deixe sua opinião nos comentários e participe da discussão.

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