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BYD apresenta carregamento absurdo de 1.500 kW que adiciona 500 km de autonomia em apenas cinco minutos, mas a BMW alerta que essa velocidade extrema pode custar caro para a bateria do seu carro elétrico

Publicado em 08/04/2026 às 16:57
Atualizado em 08/04/2026 às 16:59
BYD apresenta carregamento absurdo de 1.500 kW que adiciona 500 km de autonomia em apenas cinco minutos
BYD apresenta carregamento absurdo de 1.500 kW que adiciona 500 km de autonomia em apenas cinco minutos
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A BYD promete que o Denza Z9GT recarrega 500 km em cinco minutos com a bateria Blade de segunda geração e tecnologia de 1.500 kW enquanto a BMW limita seus modelos a 400 kW e afirma que ultrapassar essa velocidade sacrifica durabilidade autonomia e segurança da bateria em troca de um único número impressionante.

A BYD apresentou na China um sistema de carregamento de 1.500 kW que promete transformar a experiência de abastecer um carro elétrico. Segundo a montadora, o Denza Z9GT pode adicionar aproximadamente 500 km de autonomia em apenas cinco minutos de carregamento, graças à bateria Blade de segunda geração e a hardware de nível megavolt com fornecimento de corrente extremamente alta. Se os números se confirmarem na prática, a BYD estaria eliminando o principal argumento contra carros elétricos: o tempo de recarga.

Mas a BMW não ficou em silêncio diante do anúncio. Markus Fallböhmer, chefe de produção de baterias da montadora alemã, questionou publicamente se perseguir velocidades de carregamento tão extremas é uma boa ideia. “É preciso ter cautela com esse tipo de anúncio. É possível otimizar um único indicador de desempenho, mas isso implica em concessões em outros aspectos”, disse o executivo. A BYD promete 1.500 kW; a BMW se limita a 400 kW nos seus modelos mais rápidos e garante que nessa velocidade consegue assegurar qualidade e segurança. A pergunta que fica é: quem está certo?

O que o carregamento de 1.500 kW da BYD promete entregar

Segundo o portal Xataka, os números são impressionantes por qualquer ângulo. O sistema de 1.500 kW da BYD é quase quatro vezes mais potente do que o carregamento mais rápido oferecido pela BMW e supera por larga margem os superchargers da Tesla.

Adicionar 500 km de autonomia em cinco minutos é uma velocidade que se aproxima do tempo de abastecimento de um carro a gasolina e que eliminaria a principal barreira psicológica para a adoção de veículos elétricos.

O sistema depende de dois componentes trabalhando em sincronia: a bateria Blade de segunda geração da BYD, projetada para suportar correntes extremamente altas, e estações de carregamento de nível megavolt capazes de entregar essa potência.

Na prática, isso significa que a BYD precisa não apenas de carros compatíveis, mas de uma rede de infraestrutura que ainda está sendo construída. O Denza Z9GT é o primeiro modelo a demonstrar a tecnologia, mas a expansão para outros veículos e mercados dependerá de quanto tempo a BYD leva para escalar tanto os carros quanto as estações.

Por que a BMW diz que 1.500 kW é uma má ideia para a bateria

A posição da BMW é direta: velocidade extrema de carregamento cobra um preço em outras áreas da bateria. O executivo Markus Fallböhmer usou uma analogia simples “É como um cobertor; se você puxar um lado, verá o problema no outro.”

Segundo ele, a BYD pode ter otimizado a velocidade de carregamento, mas isso provavelmente implica em concessões na durabilidade da bateria, na autonomia total e no custo do sistema.

A BMW oferece carregamento máximo de 400 kW nos modelos iX3 de segunda geração e no novo i3 o suficiente para carregar totalmente o i3, com 400 km de autonomia, em cerca de 10 minutos.

Mike Reichelt, chefe dos modelos Neue Klasse da BMW, reforçou que a empresa está de olho na velocidade chinesa, mas não abre mão de garantir qualidade, segurança e durabilidade.

A preocupação não é abstrata: se velocidades de carregamento forem aumentadas demais, as baterias podem superaquecer, gerando riscos de gerenciamento térmico que vão de degradação acelerada a cenários mais graves.

O que a ciência diz sobre carregar baterias em velocidades extremas como a da BYD

A física das baterias de lítio impõe limites que nenhum marketing consegue contornar. Quando uma bateria é carregada muito rapidamente, os íons de lítio se movem entre os eletrodos em velocidade alta, gerando calor e tensão interna.

Se o gerenciamento térmico não for perfeito, esse processo pode causar deposição de lítio metálico uma condição que reduz a capacidade da bateria ao longo do tempo e, em casos extremos, pode criar riscos de segurança.

A BYD afirma que a bateria Blade de segunda geração foi projetada para suportar essas correntes sem degradação significativa, mas a BMW sugere que os dados de durabilidade a longo prazo ainda precisam ser demonstrados.

A competição para reduzir tempos de carregamento em carros elétricos segue a mesma dinâmica que vimos nos smartphones chineses fabricantes como Xiaomi e Oppo lideram em velocidade de recarga, enquanto Apple e Samsung priorizam longevidade da bateria. A BYD está fazendo no setor automotivo o que as marcas chinesas fizeram nos celulares: empurrar o limite técnico para ver o que acontece.

O que essa disputa entre BYD e BMW significa para quem compra carro elétrico

Para o consumidor, a questão é prática. Cinco minutos para 500 km de autonomia é fantástico se a bateria mantiver essa capacidade ao longo de anos de uso. Dez minutos para 400 km é ligeiramente mais lento, mas potencialmente mais seguro para a vida útil do veículo.

A BYD aposta que velocidade é o que vende; a BMW aposta que confiabilidade é o que fideliza. Ambos os argumentos têm mérito.

O mercado vai decidir quem está certo. Se a BYD conseguir demonstrar que os 1.500 kW não degradam a bateria significativamente ao longo de centenas de ciclos de carregamento, a BMW terá sido conservadora demais.

Se, por outro lado, proprietários de veículos da BYD começarem a reportar perda acelerada de autonomia após alguns anos, o alerta da BMW terá se provado justificado. Por enquanto, os dois lados apresentam seus argumentos e o consumidor de carro elétrico ganha com a competição, porque é ela que empurra toda a indústria para frente.

Você prefere carregamento ultrarrápido como o da BYD ou prioriza durabilidade da bateria como a BMW defende? O que pesa mais na sua decisão?

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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