A BYD desembarcou 4.585 veículos elétricos e híbridos no Porto de Itajaí na noite de quarta-feira (27) a bordo do navio Grande Shanghai, e prepara uma segunda operação em junho com mais 7.200 unidades, totalizando 11.785 carros em duas escalas. Segundo informações do NSC, a pressa da BYD tem explicação: a alíquota do imposto de importação para carros elétricos e híbridos importados deve atingir 35% a partir de janeiro de 2027, e cada navio que chega antes desse prazo representa economia de milhões em tributos. A operação mobilizou 150 trabalhadores e 90 caminhões cegonha em regime noturno.
A BYD está correndo contra o relógio para colocar o maior número possível de carros elétricos no Brasil antes que a janela tributária se feche. A montadora chinesa desembarcou 4.585 veículos no Porto de Itajaí na noite de quarta-feira a bordo do Grande Shanghai, navio do Grupo Grimaldi, e já tem confirmada uma segunda escala em junho com o navio Changsha, que trará mais 7.200 unidades. O total de 11.785 carros da BYD desembarcando em Itajaí em menos de dois meses é uma operação sem precedentes para o terminal catarinense, que antes dessas escalas havia movimentado apenas 2.928 veículos em operações ro-ro em todo o ano de 2026.
A urgência da BYD tem nome: imposto de importação. A isenção temporária para veículos elétricos desmontados que vigorou até janeiro de 2026 já expirou, e a alíquota segue um cronograma de elevação que deve atingir 35% a partir de janeiro de 2027. Cada navio que a BYD consegue desembarcar antes da alta completa representa economia significativa, porque a diferença entre importar com alíquota reduzida e importar a 35% pode representar milhares de reais a mais por veículo, comprometendo a competitividade da BYD frente ao imposto de 35%.
A operação noturna com 150 trabalhadores

O desembarque dos 4.585 carros da BYD começou às 19h de quarta-feira e foi conduzido pela JBS Terminais em regime noturno. A operação envolveu cerca de 150 trabalhadores e 90 caminhões cegonha mobilizados para garantir agilidade na retirada dos veículos do navio e no transporte até pátios de armazenamento e centros de distribuição.
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O superintendente do Porto de Itajaí, Artur Antunes Pereira, afirmou que a operação “mostra a capacidade do Porto de Itajaí de realizar operações de grande porte com segurança, eficiência e planejamento”. Para o prefeito Robison Coelho, os navios de importação de automóveis da BYD “são extremamente positivos para a economia da cidade, são cargas de alto valor agregado que impactam diretamente na geração de empregos”.
O imposto que a BYD tenta evitar

O cronograma de elevação tarifária para carros elétricos, híbridos e importados prevê alíquota de 35% a partir de janeiro de 2027. A BYD havia conseguido em 2025 uma isenção temporária de seis meses para importar veículos desmontados, mas a medida expirou em janeiro de 2026, e a montadora voltou ao regime normal de importação.
A isenção, publicada pela Secretaria do Comércio Exterior em agosto de 2025, abrangia veículos parcialmente montados e completamente desmontados. A medida gerou uma reação conjunta de Volkswagen, Stellantis, GM e Toyota, que assinaram carta ao presidente Lula pedindo que a isenção não fosse concedida, argumentando que a prática “pode disseminar-se em toda a indústria, afetando diretamente a demanda de autopeças e de mão de obra”.
A guerra de cartas entre a BYD e as montadoras tradicionais
A resposta da BYD à pressão das quatro montadoras foi igualmente contundente. A empresa chinesa afirmou que sua chegada ao Brasil provocou uma “reação negativa das montadoras tradicionais” e sugeriu que a real preocupação é “perder a posição dominante no mercado e não conseguir competir com os preços e a tecnologia da marca”.
A BYD classificou a reação da Anfavea e de seus associados como “o velho roteiro de sempre: diante de qualquer sinal de abertura de mercado ou inovação, surgem as ameaças de demissões em massa, fechamento de fábricas e o fim do mundo como conhecemos”. O embate ilustra a tensão entre uma montadora chinesa que cresce agressivamente antes dos 35% de imposto e fabricantes tradicionais que operam fábricas com milhares de funcionários no país.
O que vem em junho para a BYD em Itajaí
A segunda escala da BYD em Itajaí está prevista para junho, com o navio Changsha trazendo 7.200 veículos. A operação será ainda mais intensa que a primeira, já que o volume é quase o dobro e exigirá logística proporcional em trabalhadores, caminhões e tempo de desembarque.
Com as duas escalas da BYD, o Porto de Itajaí deve alcançar cerca de 14.713 veículos movimentados em operações ro-ro até o final de 2026, volume que posiciona o terminal como um dos principais pontos de entrada de carros elétricos chineses no Brasil. Para a BYD, cada navio que atraca antes do aumento de 35% é uma corrida vencida contra o calendário tributário que, a partir de 2027, pode mudar completamente a equação de preços dos carros elétricos importados no mercado brasileiro.
Você acha que a BYD está certa em correr para importar antes do aumento do imposto, ou as montadoras tradicionais têm razão em pedir proteção? O que pesa mais: preço baixo para o consumidor ou empregos nas fábricas brasileiras? Conta nos comentários.


viva os carros eletricos!
sim quanto mais deles entram no Brasil mais o preço da concorrência despenca. E te digo ainda vai cair bastante. Ford, GM, Volks, Fiat e todas as outras empresas que sempre nos sugaram agora terão o que merecem