O antigo Centro de Operações de Emergência Presidencial foi demolido para dar lugar a um complexo militar subterrâneo com hospital, defesa biológica e comunicações seguras — tudo sob um salão de festas de US$ 400 milhões que já acumula 9 mil críticas públicas
Revelado pela CNN em janeiro de 2026 e ampliado por documentos judiciais em abril, o projeto envolve a demolição completa da Ala Leste da Casa Branca para erguer, por cima, um salão de festas de US$ 400 milhões — e escavar, por baixo, uma fortaleza militar que ninguém fora do governo pode ver.
O diretor de Gestão e Administração da Casa Branca, Joshua Fisher, apresentou o plano à Comissão de Planejamento da Capital Nacional em janeiro.
Na ocasião, Fisher admitiu que não poderia divulgar todos os detalhes porque há “aspectos de natureza ultrassecreta” no projeto.
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Desde então, equipes de construção vêm escavando o subsolo e desmontando uma das estruturas mais sensíveis da presidência americana.
O bunker da Segunda Guerra que protegeu presidentes por 80 anos — e foi demolido
Para dar lugar ao novo complexo, os militares desmontaram o Presidential Emergency Operations Center (PEOC), o Centro de Operações de Emergência Presidencial.
Construído durante a Segunda Guerra Mundial, o PEOC serviu como refúgio em momentos de crise por mais de oito décadas.
Foi ali que o vice-presidente Dick Cheney se abrigou durante os ataques de 11 de setembro de 2001, enquanto o presidente George W. Bush era levado para uma base aérea.
Também foi no PEOC que Donald Trump se refugiou em 2020, quando manifestantes cercaram a Casa Branca durante os protestos pela morte de George Floyd.
Agora, esse bunker histórico não existe mais. Em seu lugar, os militares constroem uma instalação descrita como “maior e mais profunda”.

Abrigos antiaéreos, hospital e defesa biológica: o que Trump revelou sobre o bunker
Em declarações públicas, o presidente Trump detalhou parte do que está sendo construído sob a Casa Branca.
Segundo ele, conforme reportou o Gulf News em abril de 2026, o complexo inclui abrigos antiaéreos projetados para resistir a ataques diretos.
Além disso, há um hospital militar completo, descrito por Trump como dotado de “instalações médicas muito robustas”.
O presidente também mencionou sistemas de comunicação segura de última geração, capazes de manter o governo operacional mesmo em cenários extremos.
Outro ponto revelado foi a inclusão de defesas contra armas biológicas. Trump afirmou que há “defesa biológica em todos os lados” da estrutura.
Todas as janelas do novo salão receberam vidro à prova de balas de alto desempenho, projetado também para proteger contra ataques de drones.
Por consequência, o salão de festas que está sendo erguido por cima funciona como uma camada adicional de proteção física para o bunker abaixo.
Salão de festas ou fortaleza? O argumento que transformou luxo em segurança nacional
O projeto do salão de festas ocupa aproximadamente 22 mil pés quadrados (cerca de 2 mil metros quadrados) e custará US$ 400 milhões.
Contudo, a separação entre o que é luxo e o que é segurança se tornou o centro de uma batalha jurídica.
Trump argumenta que os dois projetos — o salão e o bunker — são inseparáveis. Dessa forma, segundo ele, o salão se torna “uma necessidade de segurança nacional”.
O financiamento reflete essa dualidade. Recursos públicos bancam a construção do bunker e dos sistemas de segurança, enquanto doações privadas — incluindo contribuições corporativas e do próprio Trump — cobrem o salão de festas.
A identidade dos doadores privados, porém, permanece em sigilo.
O vice-diretor do Serviço Secreto dos EUA, Matthew Quinn, alertou que qualquer pausa nas obras poderia “prejudicar” a missão de proteção presidencial.

O juiz que mandou parar a obra — e a resposta de Trump
Em abril de 2026, um processo judicial expôs detalhes até então mantidos sob sigilo absoluto.
O juiz federal Richard J. Leon, da Corte Distrital de Washington, ordenou a suspensão imediata das obras.
Sua decisão foi direta: “Enquanto e até que o Congresso aprove esse projeto por meio de uma autorização em lei, a construção tem que parar!”
Ainda assim, Trump encontrou uma brecha. O próprio texto da decisão permite a continuidade de “obras necessárias para garantir a segurança da Casa Branca”.
Com isso, o presidente argumentou que as escavações do bunker se enquadram nessa exceção — e os trabalhos subterrâneos seguiram.
Apesar da controvérsia, a Comissão de Planejamento da Capital Nacional votou 8 a 1 pela aprovação do projeto completo.
Por outro lado, mais de 9 mil comentários públicos foram registrados contra a obra — vindos de historiadores, arquitetos e preservacionistas que criticam a escala do projeto.
O que ninguém sabe — e talvez nunca saiba
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, resumiu a posição oficial do governo com uma frase curta.
“Os militares estão fazendo algumas melhorias nas instalações deles aqui na Casa Branca, e não cabe a mim fornecer mais detalhes sobre isso”, afirmou.
De fato, vários aspectos do projeto continuam classificados como ultrassecretos.
Ninguém fora do governo sabe qual é a profundidade real do novo bunker.
Também não se sabe quantas pessoas o complexo pode abrigar, quais Forças Armadas participam da construção ou qual é o custo total da estrutura militar.
Sobretudo, não há confirmação independente sobre as capacidades técnicas descritas por Trump — como o sistema de defesa biológica ou o hospital subterrâneo.
O que se sabe é que um bunker que protegeu presidentes por 80 anos foi demolido. E no lugar dele, algo maior está sendo construído.

De Roosevelt a Trump: a tradição de bunkers sob a Casa Branca
A história dos abrigos subterrâneos na Casa Branca remonta à Segunda Guerra Mundial, quando o presidente Franklin Roosevelt ordenou a construção do primeiro refúgio.
Desde então, cada presidente encontrou o PEOC como uma herança silenciosa — presente, mas raramente mencionada em público.
Nesse sentido, o que torna o projeto de Trump diferente não é a existência do bunker em si, mas a escala sem precedentes da reconstrução.
Nenhum presidente antes dele demoliu o abrigo existente para construir um totalmente novo. E nenhum combinou a obra militar com um salão de festas de US$ 400 milhões.
Para os críticos, o projeto representa um excesso. Para o Serviço Secreto, é uma atualização necessária diante de novas ameaças, como drones armados e armas biológicas.
Dessa forma, a pergunta que permanece não é se a Casa Branca precisa de um bunker moderno — mas se alguém, além do presidente, deveria saber o que realmente existe debaixo dele.
O que ainda pode mudar
O projeto aguarda uma votação definitiva no Congresso americano. Se os legisladores decidirem que a obra exige autorização formal, toda a construção pode ser interrompida.
Além disso, os custos finais do bunker permanecem desconhecidos. Projetos militares subterrâneos têm histórico de estourar orçamentos — como o próprio programa de defesa antimísseis americano demonstrou repetidamente.
Por enquanto, as escavações continuam. E o que está sendo construído sob a Casa Branca permanece, como o próprio governo faz questão de lembrar, “de natureza ultrassecreta”.

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