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Sem conseguir uma hipoteca por ser autônoma, uma mãe solo “driblou” o aluguel e o financiamento, projetou a própria casa flutuante e montou por dentro um barco de 20 metros: hoje mora “fora da rede” num canal da Inglaterra com os dois filhos e painéis solares

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 06/07/2026 às 20:24 Atualizado em 06/07/2026 às 20:27
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Sem hipoteca, uma mãe solo projetou a própria casa flutuante e montou um barco de 20 m num canal da Inglaterra. Veja como ela vive fora da rede.
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Impedida de conseguir uma hipoteca por ser autônoma, uma mãe solo na Inglaterra decidiu criar a própria casa flutuante. Ela projetou e montou por dentro um barco de canal de quase 20 metros, onde hoje vive fora da rede com os dois filhos, usando energia solar, vaso de compostagem e um tanque de mil litros de água.

Quando o banco disse não, ela encontrou o próprio caminho para ter uma casa. Na Inglaterra, uma mãe solo conhecida apenas como Jen projetou e construiu a própria casa flutuante depois de não conseguir uma hipoteca, como mostrou o vídeo “She Lives Full-Time on Her Self-Built Boat”, no YouTube. A ideia virou lar para ela e os filhos.

A decisão nasceu de um obstáculo prático. Por ser autônoma, Jen não conseguia aprovar um financiamento imobiliário, e ao ver os barcos parados no canal pensou que ali estava a vida que queria, segundo a reportagem do My Positive Outlooks. Foi o empurrão para encarar o projeto.

O resultado é um lar sobre a água. O barco, batizado de Adi Shakti, tem cerca de 20 metros de comprimento e funciona como uma casa flutuante completa, com três quartos, cozinha e banheiro, onde a família vive em tempo integral, longe do aluguel e da hipoteca.

A seguir, veja quem é Jen, por que ela trocou o financiamento por um barco, como a casa flutuante foi construída, quanto custa esse estilo de vida no canal e o que essa história da Inglaterra tem a ver com o Brasil.

Quem é Jen, a mãe que projetou a própria casa flutuante

A protagonista da história prefere o anonimato. Conhecida publicamente apenas como Jen, ela é uma mãe solo que vive com os dois filhos em uma casa flutuante nos canais da Inglaterra, na região de Tring, perto de Londres.

Ela é autônoma e trabalha a bordo. Além de morar no barco, Jen usa o espaço para atender clientes de terapias holísticas e massagem, atividade que mantém há anos e que ajuda a sustentar a vida da família dentro da casa flutuante.

A rotina é de quem vive em movimento. Como muitos moradores dos canais britânicos, Jen precisa deslocar o barco de tempos em tempos, seguindo as regras locais de navegação, o que dá à casa flutuante um caráter itinerante pelas águas da Inglaterra.

Esse estilo tem nome no Reino Unido. Quem mora em um barco sem local fixo é chamado de navegante contínuo e precisa mudar de ponto a cada poucas semanas, percorrendo uma distância mínima por ano para manter a licença, o que faz a casa flutuante trocar de paisagem o tempo todo.

Morar assim exige organização, mas dá liberdade. Em vez de estar presa a um endereço, Jen pode levar a casa flutuante para trechos diferentes do canal, acordando ora perto de um vilarejo, ora cercada de árvores, uma flexibilidade que uma casa fixa na Inglaterra jamais ofereceria.

O feito ganhou o mundo pela internet. O vídeo que mostra a casa flutuante de Jen somou milhões de visualizações, atraindo gente curiosa para conhecer como uma mãe solo conseguiu, sozinha, montar um lar completo dentro de um barco de canal.

Por que ela trocou a hipoteca por um barco

Jen apresenta seu barco-largo de casco preto de quase 20 metros no canal inglês, com painéis solares no teto e vasos de ervas na popa. Crédito: canal Jen Shakti (via compilação "She Lives Full-Time on Her Self-Built Boat").
Jen apresenta seu barco-largo de casco preto de quase 20 metros no canal inglês, com painéis solares no teto e vasos de ervas na popa. Crédito: canal Jen Shakti (via compilação “She Lives Full-Time on Her Self-Built Boat”).

Tudo começou com uma porta fechada. Por ser autônoma, Jen enfrentou dificuldade para conseguir uma hipoteca, situação comum para quem não tem renda fixa comprovada, e isso a deixou sem acesso à compra de uma casa tradicional na Inglaterra.

Em vez de desistir, ela mudou de estratégia. Ao observar os barcos que moravam nos canais, Jen percebeu que existia um jeito diferente e mais barato de ter um teto, sem depender de banco nem de hipoteca, e decidiu apostar na casa flutuante.

A lógica financeira pesou na escolha. Construir e morar em um barco saía mais em conta do que pagar aluguel ou financiamento por décadas, e ainda dava a Jen liberdade para viver do próprio jeito, sem a pressão de uma dívida imobiliária de longo prazo.

Havia também um desejo de vida. Para Jen, o canal representava mais autonomia e contato com a natureza, e a casa flutuante unia a solução para o problema da moradia com um estilo de vida que ela realmente queria seguir com os filhos.

Como o barco foi construído: casco pronto, acabamento dela

É importante contar a construção com precisão. Jen não fez o casco de aço sozinha: essa parte, a estrutura metálica do barco, foi construída por profissionais, em cerca de sete semanas, e depois transportada e colocada na água por guindaste.

O trabalho dela veio depois. Com o casco vazio em mãos, Jen mesma montou todo o interior da casa flutuante, instalando cozinha, paredes, quartos e acabamentos ao longo de cerca de dez semanas, o que somou aproximadamente dezessete semanas no processo total.

A chegada do casco foi um espetáculo à parte. A estrutura de aço do barco veio de outra cidade e precisou ser colocada na água por um guindaste, um momento marcante que transformou uma pilha de metal na base da futura casa flutuante de Jen no canal.

Fazer o acabamento por conta própria teve suas vantagens. Ao montar o interior sozinha, Jen economizou muito dinheiro e adaptou cada detalhe do barco ao gosto e às necessidades da família, algo difícil de conseguir ao comprar uma casa pronta na Inglaterra.

O custo ficou muito abaixo de uma casa. Segundo o relato, o barco e o motor, já com forro e parte elétrica, saíram por cerca de 87 mil libras, mais 10 mil libras no acabamento interno, um valor bem menor do que o de um imóvel na Inglaterra.

Foi um projeto de coragem e planejamento. Encarar a montagem de uma casa flutuante exige estudo, mão na massa e organização, e o fato de Jen ter feito o acabamento por conta própria é o que dá à história o mérito de um verdadeiro faça você mesmo.

Um barco de 20 metros com três quartos

Sem hipoteca, uma mãe solo projetou a própria casa flutuante e montou um barco de 20 m num canal da Inglaterra. Veja como ela vive fora da rede.
Sem hipoteca, uma mãe solo projetou a própria casa flutuante e montou um barco de 20 m num canal da Inglaterra. Veja como ela vive fora da rede.

O tamanho surpreende quem imagina um barco apertado. A casa flutuante de Jen tem cerca de 20 metros de comprimento por quase 4 de largura, um modelo largo de canal que oferece bem mais espaço interno do que os barcos estreitos tradicionais da Inglaterra.

Por dentro, parece uma casa de verdade. O barco tem três quartos, o que garante um espaço para Jen e um para cada filho, além de cozinha, sala e banheiro, tudo organizado para caber com conforto na estrutura alongada da casa flutuante.

Cada canto foi pensado para aproveitar o espaço. Camas com armários embutidos, áreas de convivência compactas e soluções inteligentes fazem a casa flutuante funcionar como um lar completo, provando que morar em um barco não significa abrir mão de qualidade de vida.

Há até espaço para cultivar. No teto e na proa do barco, Jen mantém vasos com ervas e verduras, transformando parte da casa flutuante em uma pequena horta, um toque que aproxima ainda mais a vida no canal da rotina de uma casa em terra firme.

Energia solar, água e vaso de compostagem: a vida “fora da rede”

Morar no canal exige ser autossuficiente. A casa flutuante de Jen funciona em boa parte fora da rede, ou seja, sem ligação fixa às redes públicas, o que a obriga a gerar a própria energia e a administrar com cuidado a água e o esgoto.

A energia vem principalmente do sol. O barco tem quatro painéis solares que dão conta da geladeira e das luzes durante boa parte do ano, e no verão a eletricidade sai praticamente de graça, o que reduz muito o custo de viver na casa flutuante.

No inverno, entra um reforço. Quando o sol some, Jen liga o motor do barco por cerca de duas horas por dia para carregar as baterias, gastando em torno de 50 libras por mês em diesel, um valor baixo perto das contas de uma casa comum.

A água e o banheiro seguem a mesma lógica. A casa flutuante tem um tanque de mil litros de água, que dura cerca de duas semanas, e um vaso de compostagem no lugar do sanitário tradicional, soluções que tornam a vida no canal possível sem depender de encanamento fixo.

O gás também é usado com parcimônia. No barco, botijões de gás cuidam do fogão e de parte do aquecimento e chegam a durar semanas, mais um exemplo de como a casa flutuante funciona com pouco e obriga a família a administrar cada recurso com cuidado.

Viver fora da rede muda a relação com o consumo. Como tudo na casa flutuante é medido, de água a energia, Jen e os filhos aprenderam a gastar só o necessário, um hábito que o morador comum de uma casa na Inglaterra, ligado às redes públicas, quase nunca desenvolve.

Quanto custa morar numa casa flutuante

O grande atrativo é o custo baixo do dia a dia. Depois de pronto, o barco de Jen tem despesas mensais bem menores que as de uma casa alugada ou financiada, o que ajuda a explicar por que tanta gente troca a hipoteca pela vida no canal.

As contas fixas são enxutas. Além das cerca de 50 libras por mês em diesel no inverno, a casa flutuante consome pouco gás, com botijões que duram semanas, e depende bem menos de energia e água pagas do que um imóvel comum na Inglaterra.

O investimento inicial também compensa. Somando o casco e o acabamento, Jen gastou perto de 97 mil libras para ter a casa flutuante, quantia que, em muitos lugares, não seria suficiente nem para a entrada de uma casa financiada por hipoteca.

É claro que existem custos escondidos. Licença de navegação, manutenção do barco e eventuais reparos entram na conta, mas, no balanço, morar na casa flutuante ainda sai mais barato do que a rotina de aluguel ou financiamento para muita gente.

A licença é parte importante do orçamento. Para navegar pelos canais da Inglaterra, o dono de um barco precisa pagar uma autorização anual, além de cuidar do casco e do motor, despesas que existem, mas que costumam ser menores do que a soma de aluguel, condomínio e contas de uma casa comum.

Vale lembrar que a economia começou lá atrás. Ao gastar cerca de 97 mil libras para ter a casa flutuante, Jen evitou décadas de hipoteca, e é essa conta de longo prazo que faz muita gente na Inglaterra olhar para a vida no canal como uma saída viável para o alto custo da moradia.

Morar num barco compensa?

Para Jen, a resposta parece ser sim. A casa flutuante resolveu o problema de moradia sem hipoteca, reduziu o custo de vida e ainda deu à família liberdade e contato com a natureza, um conjunto de vantagens que compensou o esforço da construção.

Mas o estilo de vida pede adaptação. Morar em um barco significa lidar com espaço reduzido, mover-se pelo canal com frequência, cuidar da própria energia e água e enfrentar o frio do inverno da Inglaterra, desafios que nem todo mundo topa encarar.

O lado bom vai além do dinheiro. Viver na casa flutuante aproxima a família da vida ao ar livre, reduz o consumo e traz uma sensação de independência, valores que, para muita gente, valem tanto quanto a economia com a hipoteca.

No fim, é uma questão de escolha. A história de Jen mostra que morar em um barco não é para todos, mas pode ser uma alternativa real de moradia para quem busca fugir dos altos custos e topa uma rotina mais simples no canal.

O que isso tem a ver com o Brasil

O problema da moradia cara não é só da Inglaterra. No Brasil, o preço dos imóveis e do aluguel também pesa no orçamento, e muita gente enfrenta dificuldade para conseguir uma hipoteca, o que faz histórias como a da casa flutuante de Jen soarem bem familiares por aqui.

O país tem tradição de vida na água. Em regiões ribeirinhas da Amazônia e do litoral, morar em barco ou em palafita já é realidade para muitas famílias, o que mostra que a ideia de uma casa flutuante dialoga com a cultura de várias partes do Brasil.

Há também a lição do faça você mesmo. Assim como Jen montou a própria casa flutuante, brasileiros criativos constroem e adaptam moradias de baixo custo, provando que dá para resolver o problema do teto com engenho, mesmo sem acesso fácil a hipoteca.

Por fim, fica a reflexão sobre consumo. Ver uma família viver bem em um barco, gastando pouco e gerando a própria energia, é um convite a repensar o quanto realmente precisamos para morar, uma pergunta que vale tanto na Inglaterra quanto no Brasil.

E você, moraria numa casa flutuante?

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

A história de Jen mostra que existe vida além da hipoteca. Ao projetar a própria casa flutuante e montar por dentro um barco de 20 metros, ela conseguiu um lar para os filhos gastando bem menos do que custaria uma casa comum na Inglaterra, e ainda ganhou liberdade no canal.

Mais do que uma fuga do financiamento, é um exemplo de criatividade. Com energia solar, tanque de água e vaso de compostagem, a casa flutuante prova que dá para morar de forma confortável e barata mesmo fora da rede, desde que se aceite uma rotina diferente.

E você, moraria em uma casa flutuante como a de Jen, trocando a hipoteca por um barco no canal, ou acha a vida na água complicada demais? Conta nos comentários a sua opinião e compartilhe com quem sonha em fugir do aluguel.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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