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A 1.720 metros debaixo dos Alpes, trabalhadores escavam há 15 anos o que será o maior túnel ferroviário contínuo do mundo — são 64 quilômetros de rocha entre Áustria e Itália que vão reduzir uma viagem de 80 minutos para apenas 25

Escrito por Douglas Avila
Publicado em 21/04/2026 às 18:15
Atualizado em 21/04/2026 às 18:18
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São 64 quilômetros de túnel perfurados a até 1.720 metros abaixo do pico dos Alpes — o Brenner Base Tunnel vai se tornar a maior passagem ferroviária subterrânea contínua do mundo, conectando Áustria e Itália por baixo de uma das cordilheiras mais altas da Europa

Entre Innsbruck, na Áustria, e Fortezza, na Itália, existe uma das passagens de montanha mais antigas e movimentadas da Europa: o Passo do Brenner.

Por séculos, caminhões e trens subiram e desceram a montanha por estradas sinuosas e trilhos íngremes.

Agora, uma equipe de engenheiros está perfurando a montanha por dentro.

O Brenner Base Tunnel terá 55 quilômetros de extensão — ou 64 quilômetros se incluir o desvio de Innsbruck — tornando-se o maior túnel ferroviário contínuo do mundo.

Segundo a BBT SE, empresa responsável pelo projeto, a escavação já retirou 21 milhões de metros cúbicos de rocha da montanha.

Em setembro de 2025, o túnel exploratório completou o primeiro avanço transfronteiriço, conectando Itália e Áustria a 1.400 metros abaixo do Passo do Brenner.

Picos dos Alpes cobertos de neve entre Áustria e Itália na região do Passo do Brenner
O Brenner Base Tunnel está sendo perfurado a até 1.720 metros abaixo dos picos alpinos — uma das maiores profundidades já atingidas em túneis ferroviários.

Os números que impressionam: 1.720 metros de rocha sobre a cabeça

O túnel passa a até 1.720 metros abaixo da superfície na seção mais profunda.

São dois tubos paralelos com 8,1 metros de diâmetro cada, separados por 40 a 70 metros.

Passagens transversais conectam os dois tubos a cada 333 metros para emergência e ventilação.

No centro, um terceiro túnel exploratório — 12 metros abaixo dos principais — serve para drenagem, manutenção e emergência.

A declividade é de apenas 0,4% a 0,7%, o que permite uma rota quase plana e reta sob a montanha.

Isso significa que os trens não precisam subir montanha — passam por baixo dela como se ela não existisse.

De 80 minutos para 25: a viagem que vai mudar

Hoje, a viagem de trem entre Innsbruck e Fortezza leva 80 minutos para passageiros.

Com o túnel, cairá para 25 minutos.

Para trens de carga, o tempo atual de 105 minutos cairá para 35.

Os trens de passageiros poderão atingir 250 km/h dentro do túnel.

Os de carga, 160 km/h.

A rota será 20 quilômetros mais curta que a atual.

É como se a montanha fosse simplesmente removida do caminho.

Uma construção que começou em 1999 e ainda não terminou

Os preparativos começaram em 1999.

A seção exploratória foi iniciada em 2007.

Os túneis principais começaram a ser perfurados em 2011.

Em 2019, dois segmentos austríacos foram conectados, formando 36 quilômetros contínuos — 65% do total.

Em maio de 2025, a TBM (máquina de escavação) chamada “Flavia” completou 14 quilômetros no lado italiano.

Em setembro de 2025, veio o marco histórico: o primeiro avanço transfronteiriço, conectando os dois países por baixo dos Alpes.

A operação plena é esperada após 2026.

Quem está construindo e quanto custa

O projeto é gerenciado pela BBT SE (Brennero Basis Tunnel SE), uma sociedade mista austro-italiana.

Consórcios de engenharia, como o liderado pela italiana Webuild, operam as TBMs.

O Brenner Base Tunnel faz parte do Corredor Escandinavo-Mediterrâneo da Rede Transeuropeia de Transportes (TEN-T) da União Europeia.

Isso significa que o financiamento tem participação da UE.

O custo total está estimado em vários bilhões de euros, embora o valor exato atualizado não tenha sido divulgado publicamente.

Brenner vs. Gothard vs. Eurotúnel: a corrida dos gigantes

O atual recordista em extensão é o Túnel de Base do Gothard, na Suíça, com 57 quilômetros.

O Brenner, com 64 km incluindo o desvio de Innsbruck, será maior.

O Eurotúnel entre Inglaterra e França tem 50 km, mas é submarino — uma engenharia diferente.

A Suíça inaugurou o Gothard em 2016 após 17 anos de obra. O Brenner está no mesmo caminho — mais longo e mais profundo.

Existe ainda o projeto do Túnel de Base do Mont d’Ambin entre França e Itália, que pode superar ambos no futuro.

Tirar caminhões dos Alpes: o impacto ambiental

Um dos maiores objetivos do projeto é transferir o transporte de carga das estradas para os trilhos.

Atualmente, milhões de caminhões cruzam o Passo do Brenner todos os anos.

A poluição, o barulho e o desgaste das estradas alpinas são problemas crônicos.

Com o túnel, boa parte dessa carga passará por trens elétricos dentro da montanha.

Menos caminhões nos Alpes = menos emissões, menos acidentes e estradas menos congestionadas.

A declividade quase zero do túnel também otimiza a eficiência energética dos trens — diferente da subida íngreme atual.

21 milhões de metros cúbicos de rocha: para onde foi tudo?

Perfurar 64 km de montanha gera uma quantidade absurda de material.

São 21 milhões de metros cúbicos de rocha extraída.

Parte desse material foi reutilizado como aterro para linhas de acesso e como agregado para o concreto do revestimento interno do próprio túnel.

O restante foi destinado a áreas de depósito previamente autorizadas.

Aproximadamente 60% da escavação está em território austríaco.

O que pode atrasar

Obras dessa magnitude raramente terminam no prazo original.

O Gothard levou 17 anos. O Brenner já está em obra há 15 e a operação plena ainda não tem data fechada.

A geologia alpina é imprevisível — zonas de falha, pressão da água e temperatura da rocha variam.

Além disso, existe debate sobre se o Brenner será realmente o “mais longo” quando pronto, já que o Gothard planeja extensões que podem mudar o ranking.

Mas o que já foi construído é impressionante.

O primeiro avanço transfronteiriço de 2025 provou que conectar dois países por 1.400 metros abaixo de uma montanha é possível — o resto é questão de tempo.

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Solimar Belfi
Solimar Belfi
23/04/2026 12:00

Que obra maravilhosa,em 2019 passei pelos Alpes suicus em salão Gotardo,, esse túnel em construção também vai ser muito útil, aqui no Brasil é uma vergonha o que fazem com mossas ferrovias existente e com as em construção!

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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