Em fronteiras lotadas, brasileiros entram em farmácias no Paraguai atrás de tirzepatida barata, alimentam um mercado clandestino de canetas emagrecedoras e trazem remédios para emagrecer sem registro na Anvisa, ignorando riscos de internação em CTI, sequelas graves e morte evitável mesmo com alertas de médicos, autoridades sanitárias e familiares preocupados
Brasileiros têm atravessado a fronteira em massa para comprar remédios para emagrecer em farmácias no Paraguai, onde a tirzepatida é vendida em ampolas baratas, abastecendo um mercado clandestino de canetas emagrecedoras que escapa da fiscalização da Anvisa e se espalha pelo Brasil.
Do outro lado da fronteira, a substância originalmente desenvolvida para tratar diabetes se transformou em mercadoria de alto giro. Farmácias no Paraguai que deveriam exigir prescrição acabam vendendo tirzepatida sem nenhum controle, alimentando um mercado clandestino que começa na vitrine legal do país vizinho e termina em aplicações improvisadas em casas, academias e até perfumarias no Brasil. Especialistas alertam que muitos desses produtos não possuem registro na Anvisa e que a economia de curto prazo pode terminar em uma internação em CTI.
A corrida às farmácias no Paraguai e a lógica do preço baixo

Nas cidades fronteiriças, farmácias no Paraguai se tornaram um dos principais atrativos para brasileiros em busca de remédios “da moda” para emagrecer.
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Em Ciudad del Este, o medicamento aparece em placas, cartazes e propagandas de rua.
Dentro dos estabelecimentos, português e espanhol se misturam no balcão, e repórteres com câmera escondida identificam mais consumidores brasileiros do que paraguaios.
O produto mais disputado é a tirzepatida, vendida legalmente no Brasil apenas com prescrição médica e sob a forma de caneta aplicadora, com nome comercial protegido por patente.
Nas farmácias no Paraguai, a oferta mais comum é de ampolas para aplicação com seringa, vendidas em dólar e convertidas para cerca de R$ 600 pela mesma quantidade de substância que custa em torno de R$ 3.500 nas redes brasileiras.
A diferença de preço, somada à facilidade de compra sem receita, tem empurrado muitos consumidores a ignorar os riscos associados ao uso sem orientação.
Mercado clandestino que começa na farmácia e termina nas redes sociais

A legislação sanitária paraguaia determina que remédios à base de tirzepatida só podem ser vendidos com receita.
A agência local Dinavisa reconhece que o medicamento tem registro no país e está autorizado para produção e comercialização.
Na prática, porém, farmácias no Paraguai visitadas pela reportagem venderam as ampolas sem exigir qualquer prescrição, abrindo a porta para que brasileiros comprem grandes quantidades para revenda irregular no Brasil.
Essas compras abastecem um mercado clandestino de canetas emagrecedoras e ampolas fracionadas, hoje amplamente anunciado em grupos de redes sociais.
Vendedores disputam interessados com vídeos, depoimentos e promoções.
Uma caixa com quatro ampolas pode ser oferecida por R$ 1.700. Em outro caso, a negociação fechou duas ampolas de tirzepatida por R$ 200, entregues em pote plástico com seringas, sem rótulo oficial e sem qualquer garantia de origem.
O ciclo começa nas farmácias no Paraguai e termina em portas de residências na zona sul de São Paulo, em entregas de motoboy e esquemas de “delivery” montados à margem de qualquer controle sanitário.
Perfumaria usada como clínica clandestina e prisões no litoral paulista
Um dos casos mais emblemáticos envolve uma loja de perfumes em São Vicente, no litoral de São Paulo, usada como ponto de venda e aplicação clandestina de emagrecedores injetáveis importados do Paraguai.
De acordo com a polícia, a responsável pelo esquema, Flaviana Pires dos Santos, viajava de carro para comprar grandes quantidades de ampolas em farmácias no Paraguai e trazia a carga para revenda.
No local, que funcionava formalmente como perfumaria, foram encontrados no lixo diversas ampolas já utilizadas e seringas descartadas, evidenciando que o ambiente era usado como uma espécie de clínica clandestina, sem condição sanitária adequada para aplicação de medicamento injetável.
As investigações apontaram ainda um esquema de delivery regional e remessas pelos Correios para outros estados.
Na operação, mais de 50 ampolas de emagrecedores, embalagens vazias, seringas e outros produtos importados sem nota fiscal foram apreendidos.
Flaviana foi presa por falsificação e venda de produtos sem registro e por organização criminosa, ao lado de uma auxiliar de enfermagem que fazia as aplicações e do motoboy responsável pelas entregas.
Da promessa de emagrecimento à internação em CTI
Os casos de automedicação com substâncias compradas a partir de farmácias no Paraguai vêm se acumulando, com relatos de efeitos graves e internações.
A influenciadora Mayara Cardoso decidiu tomar um remédio emagrecedor importado por indicação de amigo, sem sequer saber exatamente o nome do medicamento aplicado. Um dia depois da injeção, começou a passar mal.
Ela chegou ao hospital em quadro de desidratação importante e desnutrição, precisando ser encaminhada para um centro de tratamento intensivo.
“Na hora que eu cheguei, ela já falou que ia ter que me colocar na CTI, que eu ia ficar na CTI a madrugada toda”, relatou Mayara, que foi transferida de um hospital pequeno para uma unidade maior, com estrutura de CTI, e permaneceu 24 horas internada.
Mesmo duas semanas após a crise, ainda sentia efeitos adversos, especialmente ao comer alimentos gordurosos.
A influenciadora descreve vergonha ao ocupar uma vaga de alta complexidade por conta de uma decisão impulsiva de tomar uma “caneta” emagrecedora enquanto estava saudável.
O que há dentro das ampolas e por que o risco é maior
Médicos e especialistas ouvidos na reportagem são categóricos: medicamentos fabricados em laboratórios do Paraguai que não passaram por avaliação da Anvisa não podem ser comercializados no Brasil, mesmo que tenham autorização em outros países.
Isso vale tanto para canetas quanto para ampolas. Além de configurarem venda irregular, esses produtos carimbam um alerta sobre a incerteza do que está, de fato, dentro de cada frasco.
Um dos pontos críticos é que o princípio ativo original, desenvolvido e patenteado por grandes laboratórios, não é facilmente copiado, e muitos frascos vendidos como tirzepatida podem ser misturas de substâncias de composição desconhecida.
Sendo medicamentos injetáveis, o risco sanitário cresce ainda mais: exposição a calor, umidade e falhas de conservação pode gerar contaminação.
Os especialistas descrevem potenciais efeitos como quadros alérgicos, inchaço, lesões de pele, vômitos, diarreia, dor de cabeça, falta de ar e fadiga.
Quando a substância não segue protocolos de segurança, a promessa de emagrecimento rápido se converte em “um barato que pode custar a vida”.
Quando a caneta é aliada: o contraste do uso médico adequado
A mesma classe de medicamentos que causa crises em quem compra por fora também pode ser decisiva para pacientes acompanhados por equipe médica.
A influenciadora Aline Lebrada, por exemplo, chegou a quase 200 kg e entrou em depressão após episódios traumáticos de discriminação no transporte público.
Com acompanhamento de nutricionista e médicos, passou a usar canetas emagrecedoras dentro de um plano estruturado de tratamento, combinando ajustes alimentares, monitoramento de efeitos e supervisão contínua.
Aline perdeu mais de 40 kg, mas, com o tempo, começou a apresentar dores intensas relacionadas à vesícula e episódios de pancreatite, o que levou à redução e ao desmame da medicação.
Outra paciente, Valentina, relata ter perdido 30 kg em seis meses e 23 kg em dois anos com uma estratégia que combinou treino em academia, alimentação saudável e caneta aplicada sob prescrição.
Ela define o remédio como “uma bengala” no processo de emagrecimento, e não como solução isolada, enfatizando a necessidade de consulta médica e acompanhamento regular.
A banalização do risco e o papel da Anvisa
A Anvisa reforça que não há genéricos de tirzepatida aprovados no Brasil e que medicamentos com registro apenas no exterior não podem ser vendidos no país.
Em nenhuma hipótese é permitida a comercialização de remédios sem registro nacional, o que coloca no campo da ilegalidade tanto as ampolas trazidas de farmácias no Paraguai para revenda quanto as canetas de origem duvidosa distribuídas em redes sociais.
Mesmo assim, a percepção de risco vem sendo diluída pelo discurso de “experiência de amigo”.
Relatos como “eu emagreci assim, você não quer emagrecer também, toma, não acontece nada” se espalham em grupos de mensagens, normalizando decisões que ignoram completamente o histórico de saúde e as condições clínicas de cada pessoa.
Para quem já passou pelo susto, como Mayara, o recado é direto: informação por si só não basta se for usada apenas para justificar atalhos.
O ponto central é entender que nenhum resultado estético compensa o risco de parar em um CTI por causa de um medicamento cuja origem e composição não são conhecidas.
O preço real das farmácias no Paraguai
O fenômeno de brasileiros que lotam farmácias no Paraguai atrás de tirzepatida barata expõe uma equação delicada entre desejo de emagrecer rápido, pressão estética, influência das redes sociais e fragilidades de fiscalização nas fronteiras.
A mesma estrutura que permite acesso a remédios de alto custo a preços menores também sustenta um mercado clandestino de canetas e ampolas sem registro na Anvisa, aplicado em perfumarias, casas e esquemas de delivery, longe de qualquer ambiente clínico.
Entre a promessa de resultados rápidos e a realidade de internações em CTI, a diferença está no caminho escolhido.
Quando o medicamento nasce em consultório e segue protocolo, pode ser ferramenta importante para quem realmente precisa; quando começa em farmácias no Paraguai e termina em grupos de aplicativo, vira aposta de alto risco contra a própria saúde.
E você, diante dessa corrida às farmácias no Paraguai por remédios para emagrecer, acredita que o maior problema está na pressão estética, na fiscalização frouxa ou na decisão individual de arriscar a própria saúde por um resultado rápido na balança?


Lendo essa matéria com 12 kilos a menos, obrigado Paraguai.
Lipoless é vida. 1/4 do valor do Munjaro. E claro que muita gente está preocupada pq esta perdendo fatias do bolo.
Blá blá blá… Conversa de noticiário esquerda pra colocar medo dizendo que pessoas vão morrer! E o medo da bala perdida e das drogas do narco estado? Kkkk a mídia isento pelo preço que é paga não diz nada? KKK.
Pilantras! Só falam isso pelo que recebem e não pelos impostos que lesam o povo brasileiro