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Brasil produz 5,851 milhões de boe/d em julho, enquanto petróleo avança 13,6% em 12 meses e pré-sal concentra 82,4% do total nacional

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Escrito por Paulo Nogueira Publicado em 02/09/2026 às 16:16 Atualizado em 02/09/2026 às 17:39
FPSO Almirante Tamandaré produz petróleo no Campo de Búzios
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A produção de petróleo e gás do Brasil alcançou 5,851 milhões de barris de óleo equivalente por dia em julho de 2026, com avanço anual de 13,6% no petróleo e participação de 82,4% do pré-sal no total nacional.

Os dados consolidados foram divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis em 1º de setembro. O boletim reúne volumes de óleo e gás extraídos no mês anterior.

A medida em barris de óleo equivalente permite somar as duas produções numa unidade comum. O total de 5,851 milhões de boe/d representa a média diária de julho.

Somente o petróleo respondeu por 4,498 milhões de barris por dia. O volume cresceu 0,5% diante do mês anterior e 13,6% na comparação com julho de 2025.

Já o gás natural chegou a 214,97 milhões de m³ por dia. A ANP registrou redução de 1,1% frente a maio e crescimento de 12,6% em doze meses.

Módulos de processamento ocupam o convés do FPSO Almirante Tamandaré
Plataformas do pré-sal concentram grande parte do óleo e do gás produzidos no país.

Produção de petróleo e gás fica concentrada no pré-sal

O pré-sal produziu 4,821 milhões de boe/d em julho. Esse volume correspondeu a 82,4% de todo o petróleo e gás natural extraído no Brasil.

Segundo a ANP, a produção do pré-sal avançou 0,3% no mês e 18,2% diante de julho do ano anterior.

Foram extraídos nessa área 3,728 milhões de barris de petróleo por dia e 173,72 milhões de m³ diários de gás natural, por meio de 203 poços.

A participação de 82,4% mostra que qualquer oscilação nos grandes campos marítimos afeta rapidamente o indicador nacional. O restante da produção fica dividido entre outras áreas offshore e campos terrestres.

No conjunto do país, os campos marítimos responderam por 98,1% do petróleo e 88,7% do gás. A extração em terra permanece relevante regionalmente, mas tem peso menor no total.

Campos operados pela Petrobras, sozinha ou em consórcios, concentraram 87,27% da produção. O boletim identificou origem em 6.724 poços, sendo 613 marítimos e 6.111 terrestres.

O número de poços terrestres é muito maior, porém a produtividade das instalações em águas profundas e ultraprofundas altera completamente a comparação de volumes.

Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos, foi o maior produtor de petróleo. O campo alcançou 1,113 milhão de barris por dia no mês.

Mero liderou a produção de gás natural, com 49,14 milhões de m³ por dia. Os dois campos ficam na Bacia de Santos e operam com grandes unidades flutuantes.

Olhando assim, o recorde nacional não vem da soma uniforme de milhares de poços. Uma parcela decisiva nasce de poucos campos e plataformas de produtividade elevada.

Navios de apoio operam ao lado do FPSO no pré-sal
FPSOs recebem produção submarina, processam fluidos e armazenam o petróleo antes do escoamento.

FPSO Almirante Tamandaré lidera a extração de óleo

Entre as instalações, o FPSO Almirante Tamandaré, em Búzios, registrou a maior produção de petróleo: 263.178 barris por dia.

Para o gás, a liderança ficou com o FPSO Marechal Duque de Caxias, no campo de Mero, com 13,60 milhões de m³ diários.

Um FPSO recebe fluidos dos poços submarinos, separa petróleo, água e gás, armazena o óleo e transfere a carga para navios. Por isso, seu desempenho aparece diretamente nos números do campo.

O aproveitamento de gás natural atingiu 97,8%. Foram disponibilizados ao mercado 66,12 milhões de m³ por dia, enquanto a queima somou 4,67 milhões de m³ diários.

A queima caiu 29,5% diante do mês anterior e 14,8% em relação a julho de 2025. O indicador ajuda a mostrar quanto do gás produzido encontrou uso ou reinjeção.

A produção pode variar por manutenção, entrada de novos poços, limpeza, parada programada ou comissionamento de unidades. A própria ANP trata essas mudanças como parte normal da operação.

Por isso, um mês isolado não explica toda a tendência. A comparação mensal mostra o movimento curto, enquanto a diferença de 12 meses ajuda a enxergar o avanço estrutural.

No petróleo, a alta mensal de 0,5% foi pequena diante dos 13,6% acumulados em doze meses. No gás, o mês recuou, mas o resultado anual ainda cresceu 12,6%.

A gente percebe aí duas velocidades. Equipamentos entram e saem para manutenção no curto prazo, enquanto novas plataformas e poços mudam o patamar ao longo do tempo.

O avanço do pré-sal também aumenta a dependência logística de navios, sistemas submarinos e unidades flutuantes. Uma falha relevante nesses ativos pode retirar grande volume de uma vez.

Ao mesmo tempo, a concentração permite ganhos de escala. Plataformas de grande porte processam volumes que exigiriam muitos campos menores em outras regiões.

Julho terminou com produção elevada, maior aproveitamento do gás e liderança clara de Búzios e Mero. Os próximos boletins mostrarão se esse patamar se sustenta após as variações operacionais.

O total em boe não deve ser confundido com barris físicos de petróleo. A unidade converte o conteúdo energético do gás para permitir uma soma comparável entre produtos medidos de formas diferentes.

Dos 214,97 milhões de m³ diários de gás produzidos, apenas parte foi disponibilizada ao mercado. Outra parcela pode ser reinjetada nos reservatórios, consumida nas instalações ou usada nas próprias operações.

A redução da queima é um indicador operacional relevante porque mostra menor perda visível do produto. Ainda assim, ela precisa ser acompanhada da capacidade de escoar, processar e vender o gás.

Búzios sozinho respondeu por cerca de um quarto do petróleo brasileiro informado no mês. Essa escala ajuda a entender por que o FPSO Almirante Tamandaré aparece na liderança das instalações.

Mero exerce papel semelhante no gás. A plataforma Marechal Duque de Caxias liderou entre unidades, enquanto o campo reuniu o maior volume diário desse produto.

No boletim interativo, os dados podem ser filtrados por campo, estado, bacia e período. A ferramenta permite separar crescimento nacional de mudanças localizadas em uma única operação.

Até onde o pré-sal pode elevar a produção brasileira sem aumentar demais a concentração offshore?

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Paulo Nogueira

Técnico em Elétrica desde 2008, formado pelo Instituto Federal Fluminense (IFF), antigo CEFET, uma das mais tradicionais instituições de ensino técnico do Brasil. Atuou por diversos anos nas áreas de petróleo e gás offshore, energia e construção, experiência que hoje aplica na produção de conteúdo especializado sobre o setor energético. Com mais de 8 mil publicações em revistas e portais online, dedica-se à cobertura do mercado de trabalho, petróleo e gás, energia, economia, renováveis e empreendedorismo. Para dúvidas, sugestões ou correções, entre em contato pelo e-mail paulohsnogueira@gmail.com. Este canal não recebe currículos.

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