A produção de petróleo e gás do Brasil alcançou 5,851 milhões de barris de óleo equivalente por dia em julho de 2026, com avanço anual de 13,6% no petróleo e participação de 82,4% do pré-sal no total nacional.
Os dados consolidados foram divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis em 1º de setembro. O boletim reúne volumes de óleo e gás extraídos no mês anterior.
A medida em barris de óleo equivalente permite somar as duas produções numa unidade comum. O total de 5,851 milhões de boe/d representa a média diária de julho.
Somente o petróleo respondeu por 4,498 milhões de barris por dia. O volume cresceu 0,5% diante do mês anterior e 13,6% na comparação com julho de 2025.
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Já o gás natural chegou a 214,97 milhões de m³ por dia. A ANP registrou redução de 1,1% frente a maio e crescimento de 12,6% em doze meses.

Produção de petróleo e gás fica concentrada no pré-sal
O pré-sal produziu 4,821 milhões de boe/d em julho. Esse volume correspondeu a 82,4% de todo o petróleo e gás natural extraído no Brasil.
Segundo a ANP, a produção do pré-sal avançou 0,3% no mês e 18,2% diante de julho do ano anterior.
Foram extraídos nessa área 3,728 milhões de barris de petróleo por dia e 173,72 milhões de m³ diários de gás natural, por meio de 203 poços.
A participação de 82,4% mostra que qualquer oscilação nos grandes campos marítimos afeta rapidamente o indicador nacional. O restante da produção fica dividido entre outras áreas offshore e campos terrestres.
No conjunto do país, os campos marítimos responderam por 98,1% do petróleo e 88,7% do gás. A extração em terra permanece relevante regionalmente, mas tem peso menor no total.
Campos operados pela Petrobras, sozinha ou em consórcios, concentraram 87,27% da produção. O boletim identificou origem em 6.724 poços, sendo 613 marítimos e 6.111 terrestres.
O número de poços terrestres é muito maior, porém a produtividade das instalações em águas profundas e ultraprofundas altera completamente a comparação de volumes.
Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos, foi o maior produtor de petróleo. O campo alcançou 1,113 milhão de barris por dia no mês.
Mero liderou a produção de gás natural, com 49,14 milhões de m³ por dia. Os dois campos ficam na Bacia de Santos e operam com grandes unidades flutuantes.
Olhando assim, o recorde nacional não vem da soma uniforme de milhares de poços. Uma parcela decisiva nasce de poucos campos e plataformas de produtividade elevada.

FPSO Almirante Tamandaré lidera a extração de óleo
Entre as instalações, o FPSO Almirante Tamandaré, em Búzios, registrou a maior produção de petróleo: 263.178 barris por dia.
Para o gás, a liderança ficou com o FPSO Marechal Duque de Caxias, no campo de Mero, com 13,60 milhões de m³ diários.
Um FPSO recebe fluidos dos poços submarinos, separa petróleo, água e gás, armazena o óleo e transfere a carga para navios. Por isso, seu desempenho aparece diretamente nos números do campo.
O aproveitamento de gás natural atingiu 97,8%. Foram disponibilizados ao mercado 66,12 milhões de m³ por dia, enquanto a queima somou 4,67 milhões de m³ diários.
A queima caiu 29,5% diante do mês anterior e 14,8% em relação a julho de 2025. O indicador ajuda a mostrar quanto do gás produzido encontrou uso ou reinjeção.
A produção pode variar por manutenção, entrada de novos poços, limpeza, parada programada ou comissionamento de unidades. A própria ANP trata essas mudanças como parte normal da operação.
Por isso, um mês isolado não explica toda a tendência. A comparação mensal mostra o movimento curto, enquanto a diferença de 12 meses ajuda a enxergar o avanço estrutural.
No petróleo, a alta mensal de 0,5% foi pequena diante dos 13,6% acumulados em doze meses. No gás, o mês recuou, mas o resultado anual ainda cresceu 12,6%.
A gente percebe aí duas velocidades. Equipamentos entram e saem para manutenção no curto prazo, enquanto novas plataformas e poços mudam o patamar ao longo do tempo.
O avanço do pré-sal também aumenta a dependência logística de navios, sistemas submarinos e unidades flutuantes. Uma falha relevante nesses ativos pode retirar grande volume de uma vez.
Ao mesmo tempo, a concentração permite ganhos de escala. Plataformas de grande porte processam volumes que exigiriam muitos campos menores em outras regiões.
Julho terminou com produção elevada, maior aproveitamento do gás e liderança clara de Búzios e Mero. Os próximos boletins mostrarão se esse patamar se sustenta após as variações operacionais.
O total em boe não deve ser confundido com barris físicos de petróleo. A unidade converte o conteúdo energético do gás para permitir uma soma comparável entre produtos medidos de formas diferentes.
Dos 214,97 milhões de m³ diários de gás produzidos, apenas parte foi disponibilizada ao mercado. Outra parcela pode ser reinjetada nos reservatórios, consumida nas instalações ou usada nas próprias operações.
A redução da queima é um indicador operacional relevante porque mostra menor perda visível do produto. Ainda assim, ela precisa ser acompanhada da capacidade de escoar, processar e vender o gás.
Búzios sozinho respondeu por cerca de um quarto do petróleo brasileiro informado no mês. Essa escala ajuda a entender por que o FPSO Almirante Tamandaré aparece na liderança das instalações.
Mero exerce papel semelhante no gás. A plataforma Marechal Duque de Caxias liderou entre unidades, enquanto o campo reuniu o maior volume diário desse produto.
No boletim interativo, os dados podem ser filtrados por campo, estado, bacia e período. A ferramenta permite separar crescimento nacional de mudanças localizadas em uma única operação.
Até onde o pré-sal pode elevar a produção brasileira sem aumentar demais a concentração offshore?
