Novo sistema foi inaugurado em Cachoeira Paulista (SP) e integra um plano de modernização estimado em R$ 200 milhões até 2028, segundo o MCTI e o Inpe
O Inpe e o MCTI inauguraram o supercomputador Jaci em Cachoeira Paulista (SP), com investimento de cerca de R$ 30 milhões via Finep. A máquina substitui o Tupã e integra o Projeto Risc, que prevê modernização estimada em R$ 200 milhões até 2028. A promessa é acelerar previsões do tempo, refinar modelos climáticos e apoiar alertas de desastres.
O Brasil deu um passo relevante na sua infraestrutura científica ao colocar em operação o supercomputador Jaci, instalado na unidade do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) em Cachoeira Paulista (SP). A inauguração ocorreu na quinta-feira, 11 de dezembro de 2025, com participação da ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, e do diretor do Inpe, Antônio Miguel Vieira Monteiro.
O equipamento é voltado a tarefas que exigem enorme volume de cálculos, como previsão do tempo, modelagem climática e monitoramento ambiental. A expectativa oficial é que a nova capacidade melhore o detalhamento das simulações e ajude o país a responder melhor a riscos ligados a eventos extremos.
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O tema ganhou força porque a meteorologia tem impacto direto em setores como agricultura, energia e Defesa Civil. A própria comunicação do Inpe aponta crescimento da demanda por informações mais precisas diante da intensificação de eventos extremos.
O anúncio também tem um recado político e institucional. O MCTI defende que a modernização combina ciência aplicada e proteção à população, citando a capacidade de apoiar alertas de desastres naturais.
Jaci estreia em Cachoeira Paulista e substitui o Tupã
O supercomputador Jaci foi inaugurado como o novo “coração” computacional do Inpe para previsões de tempo e clima. Ele substitui o antigo Tupã, que já não atendia ao salto de complexidade exigido pelos modelos atuais.
O nome foi escolhido por votação popular, segundo a divulgação oficial. A estratégia ajuda a aproximar um tema técnico do público, mas a função do equipamento é bem objetiva: processar mais dados e entregar resultados mais rápidos.
A cerimônia em Cachoeira Paulista marcou também a posse de Antônio Miguel Vieira Monteiro na direção do instituto, em um evento que juntou agenda científica e gestão. O MCTI descreveu a mudança como parte de um reposicionamento do Inpe diante de desafios climáticos e ambientais contemporâneos.
O que muda na previsão do tempo e nos alertas de desastres
Em termos de capacidade, o Inpe afirma que o novo sistema tem processamento de 5 a 6 vezes maior do que o Tupã. O ganho em armazenamento, segundo a mesma fonte, chega a cerca de 24 vezes.
Isso não é detalhe técnico para “especialista”. Mais processamento e mais armazenamento abrem espaço para rodar modelos mais pesados, com maior frequência e com mais dados de entrada, o que tende a melhorar a qualidade das previsões.
Na prática, o Inpe relata que uma previsão de 10 dias que antes exigia cerca de três horas pode ser obtida em menos de duas horas. Esse tipo de ganho facilita rodar múltiplas simulações e produzir cenários probabilísticos mais úteis para tomada de decisão.
O salto aparece também na chamada resolução espacial. A grade global, segundo o Inpe, sai de 20 km para 10 km, e pode chegar a 3 km em previsões focadas na América do Sul.
Com mais detalhe, crescem as chances de detectar fenômenos locais com antecedência maior, como tempestades fortes, ondas de calor ou efeitos de relevo em regiões específicas. O Inpe cita a meta de tornar a previsão mais localizada e mais “horária”, aproximando a informação do que a população realmente percebe no dia a dia.
R$ 30 milhões agora, R$ 200 milhões no horizonte: o Projeto Risc até 2028
O MCTI afirma que o investimento de R$ 30 milhões, via Finep, viabilizou a aquisição do novo sistema e abriu caminho para uma modernização mais ampla do centro de dados. Na fala divulgada pelo ministério, essa modernização é tratada como um projeto de cerca de R$ 200 milhões, com melhorias em infraestrutura elétrica, refrigeração e uma usina fotovoltaica.
Do lado do Inpe, o Projeto Risc é descrito como um programa de renovação que vai além de uma única máquina. O plano prevê, além do Jaci, a instalação de mais três supercomputadores até 2028, junto com a modernização de energia e refrigeração.
A conta fecha com um detalhe importante: o Inpe registra que o investimento total previsto para o projeto é de aproximadamente R$ 200 milhões. E afirma que, ao final, a capacidade computacional poderá chegar a pelo menos 8 petaflops, um patamar associado a supercomputação moderna.
A promessa é combinar desempenho com sustentabilidade operacional. Em centros de supercomputação, energia e refrigeração são parte do custo real e, muitas vezes, o gargalo que limita crescimento.
MONAN e soberania tecnológica: por que rodar um modelo brasileiro importa
Um dos argumentos centrais do MCTI e do Inpe é que a capacidade ampliada permitirá operar plenamente o MONAN, descrito como um modelo brasileiro para previsões de oceano, terra e atmosfera. A aposta é que ele represente com mais precisão as condições ambientais da América do Sul, o que tem valor estratégico para o Brasil.
O Inpe também apresenta o MONAN como um esforço comunitário e de código aberto, com integração de dados atmosféricos, oceânicos e de superfície. Na visão do instituto, isso amplia o potencial de pesquisa e de cooperação, sem depender apenas de soluções externas.
O impacto esperado vai além da meteorologia diária. O próprio MCTI cita ganhos para estudos de clima e aplicações como agricultura, planejamento territorial e apoio a órgãos de proteção.
Eficiência energética e infraestrutura: o desafio de manter supercomputação de pé no Brasil
O debate sobre supercomputação costuma focar no “quão rápido” a máquina é. Mas, no mundo real, a continuidade do serviço depende de rede elétrica estável, refrigeração eficiente e manutenção constante, o que o Projeto Risc coloca no centro.
Ao incluir modernização elétrica, refrigeração e uma usina fotovoltaica, o plano tenta reduzir riscos operacionais e custos ao longo do tempo. É um ponto sensível, porque o país já viu projetos tecnológicos patinarem quando a infraestrutura de suporte vira gargalo.
No fim, o Jaci chega como símbolo de capacidade científica e também como teste de execução: o Brasil vai conseguir sustentar e expandir essa estrutura até 2028, ou o investimento vai ficar pelo caminho? Deixe sua opinião nos comentários e diga se você acha que R$ 200 milhões é um valor alto demais, baixo demais, ou apenas o mínimo para um país que quer previsões e alertas confiáveis.

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