Com 1.300 km de canais, o Cinturão das Águas do Ceará promete levar segurança hídrica a milhões e transformar a agricultura no semiárido
O Brasil quer criar cinturão de águas no Ceará como parte de uma estratégia nacional para reduzir os impactos da seca no Nordeste. O projeto, conhecido como Cinturão das Águas do Ceará (CAC), é uma obra de infraestrutura hídrica com mais de 1.300 km de extensão, que visa distribuir água do Rio São Francisco para regiões críticas do estado.
Integrado ao Projeto de Integração do São Francisco (PISF), o CAC é executado pelo governo do Ceará com apoio federal. O objetivo é garantir o abastecimento humano, fortalecer a produção agrícola e mitigar os efeitos da estiagem, que afeta milhões de pessoas em municípios como Crato, Juazeiro do Norte, Nova Olinda e Barbalha.
O que é o Cinturão das Águas do Ceará

O Brasil quer criar cinturão de águas no Ceará para interligar grandes açudes como Orós e Castanhão às bacias hidrográficas mais vulneráveis. O sistema utiliza canais, túneis e sifões, com operação majoritariamente gravitacional, o que reduz custos de energia. O trecho 1, já em fase avançada, parte da barragem de Jati e segue até o Rio Cariús.
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Segundo dados da Secretaria de Recursos Hídricos do Ceará (SRH), mais de 5 milhões de pessoas em 24 municípios devem ser beneficiadas. Até maio de 2025, 83% do Trecho 1 já estavam concluídos. Os lotes 1, 2 e 5 estão prontos, enquanto os lotes 3 e 4 devem ser finalizados até junho de 2026.
Investimento e impacto para o Brasil

O investimento no CAC já ultrapassa R$ 2 bilhões, com repasses do governo federal e contrapartidas estaduais. Apenas em abril de 2025, foram liberados R$ 46,9 milhões para acelerar as obras.
O Brasil quer criar cinturão de águas no Ceará para mudar realidades como a de 2012 a 2018, quando 90% dos municípios cearenses sofreram perdas agrícolas superiores a R$ 10 bilhões por ano. Estudos apontam que, com irrigação, a produtividade rural pode crescer até 30%, reduzindo o êxodo e gerando empregos diretos e indiretos.
Desafios e controvérsias
Apesar dos avanços, o projeto enfrenta críticas e desafios. Comunidades rurais relataram deslocamentos forçados, especialmente na região do Baixio das Palmeiras, em Crato. Ambientalistas também cobram estudos mais aprofundados sobre o risco de salinização do solo e impacto na fauna local.
O Tribunal de Contas da União (TCU) fiscaliza as licitações desde 2013. Em 2023, o governo estadual precisou responder a fake news que alegavam “águas paradas” e “canais secos”, o que foi desmentido por imagens e vistorias técnicas.
Futuro: uma nova realidade para o semiárido
O Brasil quer criar cinturão de águas no Ceará como parte do Novo PAC e da resposta às mudanças climáticas. Com chuvas até 54% abaixo da média em anos de El Niño, a obra ganha ainda mais urgência.
Liderado pelo governador Elmano de Freitas e com apoio do Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional, o projeto consolida o Ceará como polo hídrico nacional. Ao final, poderá representar uma virada histórica na convivência com a seca no Nordeste.

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