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Militares do Brasil se unem aos EUA em megaexercício aéreo com 15 países na Base Aérea brasileira, enquanto cresce tensão diplomática após debate em Washington sobre classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 15/03/2026 às 13:17 Atualizado em 17/03/2026 às 14:28
Brasil e EUA treinam em exercício aéreo com 15 países em Campo Grande enquanto Washington debate classificar o PCC como organização terrorista.
Brasil e EUA treinam em exercício aéreo com 15 países em Campo Grande enquanto Washington debate classificar o PCC como organização terrorista.
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Entre 16 e 27 de março, 15 países das Américas participam de exercício aéreo multinacional em Campo Grande em um contexto delicado: os Estados Unidos avaliam classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, o que tensiona a relação diplomática entre Washington e Brasília.

Militares brasileiros e norte-americanos participarão de um exercício de treinamento conjunto no Brasil em um momento de aumento das tensões políticas e diplomáticas entre os dois países, motivado pela discussão nos Estados Unidos sobre a possibilidade de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas.

O exercício é parte da operação Cooperación XI, treinamento multinacional coordenado no âmbito da cooperação aérea entre países das Américas, cuja fase de planejamento foi concluída na última sexta-feira, 6 de março, segundo informações da Força Aérea Brasileira.

A operação será realizada entre os dias 16 e 27 de março na Base Aérea de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, reunindo delegações de 15 países do continente.

Participam do treinamento representantes das forças aéreas de Argentina, Bolívia, Canadá, Chile, Colômbia, Equador, Estados Unidos, Honduras, México, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Uruguai e Brasil.

Simulação de desastres naturais em ambiente multinacional

Cooperação em segurança no nível tático. (Foto: Site oficial do governo americano)
Cooperação em segurança no nível tático. (Foto: Site oficial do governo americano)

O exercício simula um cenário multinacional de resposta a desastres naturais de grande escala, com foco em incêndios florestais e operações de assistência humanitária.

As atividades envolvem planejamento operacional conjunto, coordenação logística, missões aéreas integradas e operações de busca e salvamento, reproduzindo situações que exigem cooperação entre forças de diferentes países com doutrinas e equipamentos distintos.

Segundo a FAB, o objetivo central do treinamento é desenvolver mecanismos de interoperabilidade entre as forças aéreas das Américas, com ênfase em sistemas de comando e controle e na capacidade de coordenação de missões conjuntas em cenários complexos.

Embora o cenário seja humanitário, o exercício também serve para testar a integração entre diferentes forças militares, permitindo que pilotos, centros de operações e equipes logísticas aprendam a atuar de forma coordenada em operações multinacionais de alta exigência.

EUA avaliam classificar PCC e Comando Vermelho como terroristas

A participação dos Estados Unidos ocorre em um momento de acirramento do debate naquele país sobre a possibilidade de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas estrangeiras — as chamadas Foreign Terrorist Organizations (FTO).

Pela legislação norte-americana, essa designação ampliaria significativamente os instrumentos legais e operacionais disponíveis para Washington no combate ao crime transnacional, abrindo caminho para sanções financeiras globais, bloqueio de ativos, ampliação das operações de inteligência e a possibilidade de ações contra estruturas dessas organizações fora do território americano.

O governo brasileiro se opõe a essa classificação e, desde maio de 2025, vem alertando diferentes delegações americanas de que rejeita esse caminho, avaliando que o enquadramento de facções como grupos terroristas poderia abrir espaço para ações unilaterais e representar uma interferência nos assuntos internos do país.

Delegações das Américas concluem fase de planejamento do Exercício Cooperación XI. (Foto: Força Aérea Brasileira)
Delegações das Américas concluem fase de planejamento do Exercício Cooperación XI. (Foto: Força Aérea Brasileira)

Em outubro de 2025, o Brasil apresentou aos Estados Unidos uma proposta concreta de cooperação bilateral para enfrentar o crime organizado transnacional, mas o projeto não avançou, e o tema passou a ser considerado um dos pontos centrais de uma eventual reunião entre Trump e Lula, inicialmente prevista para março.

Histórico de cooperação e episódios de tensão

O treinamento da próxima semana se insere em um histórico mais amplo de cooperação militar entre Brasil e Estados Unidos, que inclui exercícios conjuntos, intercâmbio de oficiais e treinamentos multinacionais realizados ao longo das últimas décadas.

No entanto, esse histórico também foi marcado por momentos de tensão. Durante o governo de Jair Bolsonaro, militares norte-americanos viajaram a Brasília para alertar a cúpula das Forças Armadas de que o governo Biden não daria respaldo a qualquer tentativa de ruptura institucional, e parlamentares do Senado americano chegaram a propor a suspensão da cooperação militar caso houvesse uma quebra democrática no Brasil.

Mais recentemente, a eleição de Donald Trump em novembro de 2024 voltou a alterar o tom das relações entre os dois países, com novos pontos de atrito em temas como segurança regional e combate ao crime organizado na América Latina.

Nesse contexto, dois exercícios bilaterais relevantes foram cancelados em 2025: a Operação CORE, exercício conjunto entre o Exército Brasileiro e o Exército dos EUA previsto para Pernambuco, e a edição da Operação Formosa, exercício anfíbio tradicional organizado pela Marinha do Brasil.

No governo Lula, cresce a avaliação de que o debate sobre combate ao crime organizado pode estar sendo utilizado como instrumento de pressão diplomática e de influência no ambiente político interno, às vésperas das eleições de 2026.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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