Brasil e EUA disputam a produção global de soja que move 60 milhões de toneladas de óleo de soja por ano e domina a indústria alimentar e energética mundial.
A disputa entre Brasil e Estados Unidos pela liderança mundial na produção de soja se tornou, nos últimos anos, um dos movimentos econômicos mais importantes do agronegócio global. Não é apenas uma competição agrícola: trata-se de uma engrenagem que movimenta mais de US$ 250 bilhões, abastece as maiores indústrias de alimentos do planeta e sustenta a fabricação do óleo vegetal mais consumido pelo ser humano. Hoje, enquanto o Brasil consolidou-se como maior produtor e maior exportador, os EUA seguem como maiores esmagadores e gigantes da produção de óleo, transformando o mercado em uma batalha de eficiência, escala e tecnologia.
É um cenário que molda preços internacionais, afeta diretamente a inflação de alimentos e influencia a segurança alimentar de dezenas de países — da Ásia ao Oriente Médio.
Produção global de soja: o eixo Brasil–EUA que comanda o planeta
Segundo o USDA (2024), o mundo produz cerca de 400 milhões de toneladas de soja por safra, sendo que apenas Brasil e Estados Unidos respondem juntos por mais de 60% desse volume. Mas a história fica ainda mais impressionante quando se observa o impacto dessa produção na indústria de óleo vegetal.
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Do total processado globalmente, estima-se que cerca de 60 milhões de toneladas de óleo de soja sejam produzidas todos os anos, um número gigantesco que coloca o produto como o óleo mais consumido do mundo, superando palma, girassol e canola.
No Brasil, o crescimento das últimas décadas é quase cinematográfico: de uma produção de 50 milhões de toneladas no início dos anos 2000 para mais de 155 milhões de toneladas em 2024, segundo a Conab. Nos EUA, a produção se mantém entre 113 e 120 milhões de toneladas, mas com esmagamento muito superior, impulsionado por refinarias, biocombustíveis e indústrias processadoras consolidadas.
Óleo de soja: a força invisível que domina a indústria global de alimentos
Pouca gente percebe o tamanho real do óleo de soja. Ele está:
— na maior parte das frituras industriais
— em margarinas, maioneses e temperos
— em produtos ultraprocessados
— em rações para aves, suínos e peixes
— e, crescentemente, nos biocombustíveis
Apenas essa combinação já explica por que a commodity se tornou estratégica para supermercados, frigoríficos, indústrias de ração, exportadoras e governos.
Hoje, Brasil e EUA não competem apenas entre si, mas são fundamentais para que países como China, Espanha, Bangladesh, Egito e Turquia mantenham suas cadeias de alimentação funcionando.
Brasil: maior exportador do mundo e potência no esmagamento
O Brasil lidera as exportações globais com folga: em 2023 foram quase 100 milhões de toneladas embarcadas, segundo o MDIC. Ao mesmo tempo, o país ampliou seu parque esmagador para atender não apenas ao mercado interno, mas também à demanda de óleo e farelo.
Usinas brasileiras processam hoje mais de 50 milhões de toneladas por ano, produzindo:
• óleo de soja para consumo interno, exportação e biodiesel
• farelo para a indústria de proteína animal, especialmente aves e suínos
A transição energética também tem mudado o jogo: com a ampliação da mistura obrigatória do biodiesel, o óleo de soja se tornou um dos pilares da matriz energética renovável do Brasil.
Estados Unidos: gigantes do esmagamento e centro global de biocombustíveis
Se o Brasil reina nas plantações e exportações, os EUA dominam nas fábricas. O país opera um dos maiores parques industriais de esmagamento do mundo, processando mais de 65 milhões de toneladas por ano, segundo o US Soybean Export Council.
Isso significa:
— mais óleo de soja refinado
— mais biocombustível avançado
— mais farelo para abastecer a poderosa indústria de carnes norte-americana
— e mais valor agregado por tonelada processada
Esse domínio é tão marcante que há anos os Estados Unidos produzem mais óleo de soja do que qualquer outro país.
O impacto global: preços, inflação e geopolítica dos alimentos
A disputa Brasil–EUA influencia diretamente:
• o preço do óleo de cozinha no mundo
• a inflação de alimentos básicos
• a segurança alimentar de países dependentes de importação
• o custo de produção de frangos, suínos e peixes
• a agenda global de biocombustíveis
Em 2024, uma seca no Meio-Oeste americano combinada com atraso na colheita brasileira fez os preços do óleo de soja dispararem na Ásia, levando Indonésia e Índia a revisarem compras e estoques.
Em outras palavras: soja é mais do que uma commodity — é uma ferramenta de poder.
Por que essa batalha continua crescendo
Especialistas apontam que, nos próximos anos:
— o Brasil deve ultrapassar 170 milhões de toneladas
— os EUA devem ampliar fortemente o esmagamento para biodiesel
— a demanda chinesa pode subir até 8%
— a busca por óleos vegetais sustentáveis vai turbinar ainda mais o mercado
Ou seja: a corrida entre os dois gigantes está longe de acabar — e o óleo de soja seguirá no centro da disputa.
