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Brasil descobre estoque ‘infinito’ de ‘ouro azul’, atrai bilhões dos EUA e Europa, promete 3 mil toneladas anuais, desafia domínio chinês e pode mudar o futuro dos carros elétricos.

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 05/02/2026 às 23:53
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Brasil avança em projetos de cobalto para baterias, atrai capital estrangeiro e entra no debate global sobre minerais críticos.
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Mineral estratégico entra no centro das disputas globais por energia limpa, impulsiona projetos no Brasil com capital estrangeiro e reforça debate sobre cadeias de suprimento, processamento industrial e transição para veículos elétricos, em meio à concentração do mercado e à busca por alternativas fora da China.

O Brasil passou a integrar discussões internacionais sobre minerais considerados críticos após o avanço de projetos de níquel com coprodução de cobalto no Piauí e em São Paulo.

As iniciativas contam com participação de capital estrangeiro e preveem, de forma agregada, produção em torno de 3 mil toneladas por ano nos próximos anos, segundo dados divulgados pelas próprias empresas.

O metal é classificado como estratégico para determinadas tecnologias de baterias e para usos industriais, em um contexto global de busca por cadeias de suprimento menos concentradas.

Esse interesse ocorre em meio à preocupação de governos e empresas com a dependência de poucos fornecedores e com a segurança de insumos essenciais à transição energética.

O debate ganhou força à medida que países passaram a mapear riscos geopolíticos associados à mineração e ao processamento de minerais utilizados em tecnologias de baixo carbono.

Cobalto e sua importância para baterias e indústria

Popularmente chamado de “ouro azul”, o cobalto é utilizado principalmente em baterias de íon-lítio que adotam composições com níquel, manganês e cobalto.

De acordo com especialistas do setor, o metal contribui para a estabilidade química do cátodo e pode influenciar a durabilidade e o desempenho dessas baterias, embora existam diferentes tecnologias em desenvolvimento que reduzem ou eliminam seu uso.

Além do setor automotivo, o cobalto aparece em aplicações industriais variadas.

O material é empregado na produção de ligas metálicas resistentes ao calor, em ferramentas industriais, em componentes eletrônicos específicos e em pigmentos utilizados por diferentes segmentos da indústria.

Brasil avança em projetos de cobalto para baterias, atrai capital estrangeiro e entra no debate global sobre minerais críticos.
Brasil avança em projetos de cobalto para baterias, atrai capital estrangeiro e entra no debate global sobre minerais críticos.

Essa diversidade de usos explica por que o metal integra listas oficiais de minerais críticos elaboradas por governos e organismos internacionais.

Avanço dos veículos elétricos e impacto na demanda

A expansão do mercado de carros elétricos segue como principal vetor de demanda.

Dados da Agência Internacional de Energia indicam que as vendas globais desses veículos cresceram cerca de 60% em 2022, ultrapassando 10 milhões de unidades no ano.

Esse movimento ampliou o consumo de matérias-primas associadas às baterias, entre elas o cobalto.

Por outro lado, números frequentemente citados sobre a evolução da demanda exigem contextualização.

Relatórios recentes do Cobalt Institute apontam que o consumo global do metal superou 200 mil toneladas em 2024, com crescimento anual de dois dígitos.

Em algumas análises setoriais, o patamar de 222 mil toneladas aparece associado ao consumo registrado nesse mesmo ano, e não como projeção futura.

Essas revisões alteram a leitura sobre equilíbrio entre oferta e demanda.

Estudos de mercado publicados ao longo de 2024 e 2025 discutem, por exemplo, períodos pontuais de excesso de oferta, ao mesmo tempo em que destacam incertezas de médio prazo ligadas a investimentos, políticas industriais e escolhas tecnológicas das fabricantes de baterias.

China concentra refino e amplia preocupações geopolíticas

Quando o foco se desloca da mineração para o processamento, a concentração aumenta de forma significativa.

Levantamentos de mercado indicam que a China responde pela maior parte do refino global de cobalto, embora os percentuais variem conforme o recorte analisado e o tipo de produto considerado.

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Além disso, dados da Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos mostram que empresas chinesas possuem participação relevante em operações de extração na República Democrática do Congo.

O país africano concentra grande parte da produção mundial do metal.

Essa combinação entre controle na origem e domínio do refino alimenta preocupações sobre dependência excessiva de um único polo industrial.

Diante desse cenário, Estados Unidos e países europeus vêm defendendo, em documentos oficiais e fóruns multilaterais, a diversificação das cadeias de suprimento.

Iniciativas como a Minerals Security Partnership buscam estimular investimentos em mineração, processamento e reciclagem em diferentes regiões.

A proposta envolve ênfase em padrões ambientais e rastreabilidade.

Investimentos no Piauí e em São Paulo entram no radar internacional

No Brasil, um dos projetos mais citados nesse contexto é o empreendimento de níquel no Piauí liderado pela British Brazilian Nickel.

Informações institucionais da empresa indicam um investimento estimado em US$ 1,4 bilhão, com início de operação previsto para 2029.

A meta divulgada inclui a produção anual de aproximadamente 27 mil toneladas de níquel e cerca de 1.000 toneladas de cobalto, considerado um subproduto do processo.

A presença de capital norte-americano aparece associada à TechMet.

Segundo comunicados públicos, a agência dos Estados Unidos Development Finance Corporation aportou US$ 25 milhões na empresa.

Parte dos recursos foi destinada ao avanço do projeto no Piauí.

No Sudeste, a multinacional Jervois divulgou planos para retomar a refinaria de São Miguel Paulista, em São Paulo.

De acordo com materiais da companhia, o estudo de viabilidade prevê capacidade anual em torno de 2.000 toneladas de cobalto e 10.000 toneladas de níquel após a reabertura.

Também há previsão de possibilidades de expansão futura.

Consideradas em conjunto, as metas apresentadas publicamente por esses empreendimentos explicam a estimativa de cerca de 3 mil toneladas anuais de cobalto associadas a projetos no país.

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Especialistas do setor ressaltam, no entanto, que os cronogramas dependem de licenciamento ambiental, infraestrutura, condições de mercado e decisões finais de investimento.

Cadeia de valor, regulação e o futuro do cobalto no Brasil

O debate não se limita à extração mineral. Analistas apontam que o principal desafio está em avançar no processamento e na integração à cadeia de valor.

O foco envolve a produção de materiais de maior valor agregado e eventual aproximação com a indústria de baterias.

Também influenciam esse cenário as regras de descarbonização em grandes mercados consumidores.

A União Europeia aprovou, em 2023, a revisão de padrões de emissões para veículos novos. O objetivo é reduzir drasticamente as vendas de modelos a combustão até 2035.

Propostas em discussão nos anos seguintes passaram a considerar ajustes nessas metas. Essas mudanças podem alterar projeções de demanda conforme as decisões políticas avancem.

Para o Brasil, a inserção nesse debate internacional sobre minerais críticos é vista por especialistas como uma oportunidade condicionada a fatores regulatórios, ambientais e econômicos.

A efetiva consolidação do país como fornecedor relevante dependerá da execução dos projetos anunciados, da previsibilidade regulatória e da capacidade de atender às exigências de compradores internacionais.

Com investimentos em curso e expectativas em torno do cobalto, resta acompanhar se o país conseguirá transformar projetos planejados em produção estável e competitiva em um mercado cada vez mais disputado.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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