Carteira bilionária do Fundo da Marinha Mercante reúne obras em estaleiros, projetos de navegação interior e investimentos em corredores usados por grãos, minérios, combustíveis e cargas industriais no Brasil.
O Fundo da Marinha Mercante contratou R$ 14,43 bilhões entre 2023 e 2026 para financiar 849 obras ligadas à indústria naval, à navegação interior e à logística aquaviária no Brasil, segundo o Ministério de Portos e Aeroportos.
De acordo com a pasta, a carteira integra ações do governo federal para ampliar investimentos no setor, com impacto estimado em 48.708 empregos e projetos distribuídos por diferentes regiões do país.
O FMM é uma das principais fontes de crédito para construção de embarcações, modernização de estaleiros e apoio à infraestrutura aquaviária, conforme definição usada por instituições financeiras que operam esses recursos.
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Entre os agentes envolvidos nas operações está o BNDES, que apresenta o fundo como instrumento voltado ao desenvolvimento da Marinha Mercante e da construção e reparação naval brasileira.
Fundo da Marinha Mercante amplia carteira naval
Desde 2023, os recursos contratados pelo FMM financiam projetos de navegação interior, transporte de cargas, construção de embarcações e modernização da base industrial ligada ao setor naval.
Em comunicado publicado em 08 de junho de 2026, o Ministério de Portos e Aeroportos informou que a carteira tem como objetivo ampliar a capacidade logística brasileira e impulsionar economias regionais.
A distribuição dos financiamentos mostra concentração de obras na Região Norte, onde os rios têm participação relevante no transporte de cargas, no abastecimento local e na circulação de insumos.

No recorte por quantidade de projetos, o Amazonas concentra 233 obras apoiadas pelo fundo, seguido pelo Pará, com 173, e pelo Rio de Janeiro, com 135 projetos contratados no período.
Quando o critério analisado é o volume financeiro, Santa Catarina aparece como o principal destino da carteira, com 91 projetos e cerca de R$ 5,54 bilhões em investimentos contratados.
Também fazem parte da lista de estados com maior presença na base de projetos financiados Amazonas, Pará, Rio de Janeiro, Bahia, São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul.
Hidrovias na logística brasileira
A expansão da navegação interior está associada à busca por alternativas de transporte para commodities agrícolas, minérios, combustíveis e insumos industriais, especialmente em corredores de longa distância.
Na Região Norte, rios como Amazonas, Madeira e Tapajós integram parte da logística vinculada ao Arco Norte, rota usada no escoamento de grãos e cargas minerais.
Apesar da extensão da rede hidrográfica brasileira, a participação das hidrovias na matriz de transporte ainda é apontada por órgãos do setor como inferior ao potencial disponível no país.
Nesse contexto, governo, empresas de navegação e operadores logísticos vêm direcionando recursos para embarcações, terminais, transbordo e infraestrutura de apoio, com foco na redução de gargalos em longas distâncias.
O Ministério de Portos e Aeroportos atribui aos financiamentos papel na integração logística e na modernização de estruturas usadas pelo transporte aquaviário.
Em nota oficial, o então ministro Tomé Franca afirmou que os projetos modernizam a frota, fortalecem estaleiros e contribuem para uma logística “mais eficiente, sustentável e integrada”.
Estaleiro Juruá e projetos na navegação interior

Entre os projetos em execução está a atuação da Juruá Estaleiro e Navegação, instalada em Iranduba, na Região Metropolitana de Manaus.
A empresa trabalha na construção de embarcações voltadas à navegação interior, incluindo barcaças, rebocadores, empurradores e estruturas usadas no transporte fluvial de cargas.
No conjunto de projetos apoiados pelo FMM, a carteira associada à LHG Mining aparece entre as iniciativas de maior valor ligadas à logística mineral.
Segundo a Agência BNDES de Notícias, o projeto apoiado pelo banco com recursos do Fundo da Marinha Mercante soma R$ 3,7 bilhões e envolve embarcações para a Hidrovia Paraguai-Paraná.
Em outubro de 2025, o BNDES informou que nove balsas haviam sido entregues pelo Estaleiro Juruá e que outras 59 estavam em fase final de construção.
A LHG Mining, criada após aquisição de ativos da Vale em 2022, opera duas minas em Corumbá, em Mato Grosso do Sul, e exporta minério de ferro granulado.
Reportagem da Transporte Moderno informou que o estaleiro executava 108 barcaças destinadas à operação da LHG Mining, com projeto avaliado em cerca de US$ 148 milhões, além de três empurradores fluviais estimados em aproximadamente US$ 63 milhões.
Esse detalhamento sobre as 108 barcaças foi mantido com atribuição à reportagem setorial, pois não apareceu da mesma forma nas fontes oficiais consultadas anteriormente.
Transpetro e Programa Mar Aberto
A carteira de encomendas do setor naval também inclui contratos do Programa Mar Aberto, conduzido pela Petrobras e pela Transpetro.
Em 20 de janeiro de 2026, as companhias assinaram contratos em Rio Grande, no Rio Grande do Sul, para cinco navios gaseiros, 18 barcaças e 18 empurradores, com investimento total de R$ 2,8 bilhões.
As embarcações serão operadas pela Transpetro e construídas em estaleiros localizados em três estados, conforme informações divulgadas pela Petrobras.
Pela divisão dos contratos, o Estaleiro Rio Grande ficará responsável pelos gaseiros, a Bertolini Construção Naval da Amazônia fabricará as 18 barcaças no Amazonas, e a Indústria Naval Catarinense construirá os 18 empurradores em Santa Catarina.
A encomenda de barcaças e empurradores soma R$ 620,6 milhões e marca a entrada da Transpetro na navegação interior, segundo informação divulgada pela Petrobras.
A companhia define essa modalidade como operação em águas abrigadas ou parcialmente abrigadas, caso de rios, lagos, canais, baías e lagoas.
Além desse pacote, o Conselho Diretor do Fundo da Marinha Mercante aprovou, em 18 de março de 2026, uma carteira de R$ 6 bilhões em projetos para o setor naval.
A aprovação inclui 13 propostas, com previsão de 95 obras e cerca de 2,8 mil empregos diretos, abrangendo embarcações, infraestrutura portuária, manutenção, reparo e ampliação de estaleiros.
A continuidade da construção naval brasileira depende, segundo representantes do setor, de carteira regular de encomendas, formação de mão de obra especializada e capacidade produtiva nos estaleiros.
Com os contratos já anunciados, a demanda envolve estaleiros, fornecedores de aço, motores, sistemas de propulsão, equipamentos eletrônicos e serviços especializados ligados ao transporte aquaviário.


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