Operação com o porta-contêineres utilizou cerca de 640 mil litros de etanol e abriu espaço para combustíveis marítimos de baixo carbono
No dia 12 de julho de 2026, O Brasil realizou -o primeiro abastecimento nacional de um navio transoceânico com etanol. A operação ocorreu no Porto de Santos, em São Paulo, e envolveu Copersucar, CMA CGM e Bunker One.
O combustível renovável foi fornecido ao CMA CGM IRON, porta-contêineres capaz de transportar 13 mil TEUs. A embarcação possui um motor tricombustível certificado para operar com bunker fóssil, metanol e etanol.
Segundo Tomás Manzano, presidente da Copersucar, o navio recebeu 500 toneladas de etanol, equivalentes a aproximadamente 640 mil litros. Depois do abastecimento, a embarcação iniciou uma viagem com destino ao Sri Lanka.
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Primeiro abastecimento com etanol colocou o Brasil na rota dos combustíveis marítimos renováveis
A operação marcou a entrada do Brasil no grupo de países preparados para fornecer combustíveis renováveis à navegação de longo curso.
Durante parte do trajeto até o Sri Lanka, o CMA CGM IRON utilizará o etanol combinado aos demais combustíveis compatíveis com sua motorização.
A iniciativa também reforçou o potencial do combustível brasileiro na descarbonização do transporte marítimo. O setor busca alternativas capazes de reduzir emissões sem comprometer a autonomia e a capacidade operacional dos navios.
CMA CGM IRON recebeu cerca de 640 mil litros de etanol no Porto de Santos
O volume abastecido correspondeu a aproximadamente 640 mil litros de etanol hidratado. O combustível atende às especificações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis.
A produção ocorreu em uma usina vinculada à Copersucar e detentora de certificação internacional.
O navio abastecido foi entregue em 2025. Além disso, ele representa a primeira unidade de uma série de 12 embarcações com capacidade para 13 mil TEUs.
Todas essas embarcações serão equipadas com motores tricombustíveis certificados para operar com etanol.
Operação com etanol não foi tratada como um teste experimental
Tomás Manzano afirmou ao Estadão/Broadcast que o abastecimento não teve caráter meramente experimental.
“Não é um teste, já é uma operação na vida real”, declarou o presidente da Copersucar.
A viagem, entretanto, permitirá analisar a eficiência do combustível, a autonomia do navio e outros indicadores operacionais.
Os resultados também poderão orientar uma futura ampliação do uso comercial do etanol em embarcações transoceânicas.
Abastecimento exigiu dois anos de preparação e integração logística
O projeto foi preparado durante aproximadamente dois anos e mobilizou diferentes etapas da cadeia do etanol.
Primeiramente, o combustível foi produzido em uma usina da Copersucar. Depois, o produto foi transportado até Santos e armazenado em um terminal dedicado.
Na etapa seguinte, o etanol foi transferido para uma barcaça. Finalmente, o combustível chegou aos tanques do CMA CGM IRON.
A operação exigiu a participação coordenada da Copersucar, CMA CGM, Bunker One, AGEO Terminais, Terminal Santos Brasil e Everllence.
Etanol reúne características favoráveis para a navegação de longo curso
As empresas envolvidas destacaram que o etanol pode contribuir para a redução das emissões de gases de efeito estufa no transporte marítimo.
O combustível também possui disponibilidade comercial em grande escala e uma infraestrutura produtiva consolidada no Brasil.
A competitividade econômica representa outro fator favorável. Dessa forma, o etanol surge como uma alternativa para embarcações equipadas com motores compatíveis.
Porto de Santos poderá se tornar polo regional de combustíveis de baixo carbono
A expectativa das empresas é que o Porto de Santos se consolide como um centro regional de abastecimento marítimo de baixo carbono.
A estrutura portuária, a proximidade com áreas produtoras e a cadeia logística instalada favorecem futuras operações semelhantes.
O primeiro abastecimento também demonstrou que o país possui capacidade para produzir, transportar, armazenar e fornecer etanol a navios internacionais.
CMA CGM pretende operar 200 navios de baixo carbono até 2031
A CMA CGM informou que planeja operar aproximadamente 200 navios porta-contêineres capazes de utilizar energias de baixo carbono até 2031.
A expansão integra a estratégia da companhia para alcançar a neutralidade de carbono até 2050.
O CMA CGM IRON ocupa uma posição central nesse planejamento. A embarcação combina grande capacidade de transporte com uma motorização preparada para diferentes combustíveis.
A operação realizada em Santos, portanto, conectou a produção brasileira de etanol às novas demandas ambientais da navegação internacional.
Você acredita que o etanol brasileiro poderá se tornar um dos principais combustíveis renováveis utilizados pelos grandes navios transoceânicos?
