Os imóveis novos prontos são uma fatia pequena do estoque, diz o presidente do Sinduscon-MG, Raphael Lafetá, que soma cerca de 4.500 unidades na cidade é de cerca de 4.500 unidades; a mão de obra da construção subiu 8% no CUB
Quem precisa de imóveis novos prontos em Belo Horizonte tem pouca coisa para escolher. São 470 unidades à venda na capital, segundo Raphael Lafetá, presidente do Sinduscon-MG, em entrevista ao Itatiaia Negócios Cast publicada neste sábado, 7 de novembro de 2026.
Somando o que está em obra e em outras fases de venda, o estoque de Belo Horizonte chega a cerca de 4.500 unidades, disse ele no mesmo programa. Ou seja, só 1 em cada 10 imóveis novos à venda já está pronto para morar (conta nossa).
Por que faltam imóveis novos prontos em Belo Horizonte?
Para Lafetá, os estoques foram sendo vendidos e os lançamentos não acompanharam. “Os lançamentos estão preparando para o futuro e eles estão aquém da necessidade”, afirmou o presidente do Sinduscon-MG à Itatiaia. Por isso sobram tão poucos imóveis novos prontos.
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Ele culpa a legislação municipal, que não favorece novos lançamentos, e a falta de terreno. Lembra ainda que a capital perdeu quase 50 mil habitantes no último censo. Parte dessa gente foi para Nova Lima, que liberou prédios no Vila da Serra e no Vale do Sereno.
O NC News também cita Santa Luzia, Lagoa Santa e Vespasiano entre as cidades que absorvem parte dessa procura.
Quanto custa construir hoje em BH?
O preço do imóvel novo é feito de terreno, mão de obra, material e burocracia, explicou o presidente do sindicato. E os três primeiros subiram.

| Item | Alta citada por Lafetá |
|---|---|
| IPCA (inflação geral) | quase 5% |
| Mão de obra no CUB de BH | 8% |
| Material no CUB de BH | 5% |
O CUB é o custo unitário básico da construção, medido pelo próprio Sinduscon-MG. Ele mostra quanto custa erguer o metro quadrado, e a mão de obra é o item que mais pesou. A mão de obra da construção subiu cerca de 3 pontos percentuais acima da inflação (conta nossa, 8% contra quase 5%). Somado à escassez de terreno, isso empurra para cima o preço dos imóveis novos prontos e dos que ainda estão na planta.
Apartamento de 28 metros quadrados já é realidade em BH?
Sim. Segundo o presidente do Sinduscon-MG, imóveis de um quarto com 28 metros quadrados estão sendo comercializados e “vendendo muito bem” em Belo Horizonte. A conta é simples: o imóvel ficou mais caro e, para caber no bolso, a metragem encolheu até os 28 metros quadrados. A mão de obra mais cara ajuda a explicar.
O comprador do apartamento de 28 metros quadrados tem dois perfis, diz ele. Um é o investidor que aluga para quem passa a semana na cidade. O outro é quem quer morar sozinho, seja o estudante do interior, seja quem saiu da casa dos pais.
A faixa de R$ 400 mil a R$ 1 milhão responde por cerca de 40% dos lançamentos em Belo Horizonte, segundo o entrevistador e confirmado por Lafetá. Já o imóvel econômico, para a base da pirâmide, fica com apenas 5%.
O que trava a compra de imóvel pronto em BH?
A entrada é a maior barreira. “O brasileiro hoje tem pouca poupança e a entrada passa a ser um dificultador”, disse Lafetá na entrevista. Para ele, o financiamento deveria cobrir mais do valor e ter prazo maior, porque “a construtora não é banco”.
Os juros altos também pesam dos dois lados. Encarecem a parcela do comprador e o capital de giro da construtora, que pega dinheiro a juros da Selic para tirar a obra do papel.
Na dúvida entre planta e imóvel pronto, a resposta dele foi prática. Na planta há chance de valorização e tempo para juntar dinheiro. Quem precisa mudar no mês seguinte tem de ir para os 470 imóveis novos prontos, e pagar a entrada no ato. Com tão poucos imóveis novos prontos, o Sinduscon-MG defende lançar mais e financiar mais, e já vê o apartamento de 28 metros quadrados como parte da resposta.
