1. Início
  2. Construção
  3. Rio Grande do Sul identifica 631 obras públicas paradas em 193 municípios, com 436 UBS afetadas, e mobiliza 18 instituições para retomar construções de saúde e educação
RS
Faça um comentário 6 min de leitura

Rio Grande do Sul identifica 631 obras públicas paradas em 193 municípios, com 436 UBS afetadas, e mobiliza 18 instituições para retomar construções de saúde e educação

Imagem de perfil do autor Noel Budeguer
Escrito por Noel Budeguer Publicado em 06/11/2026 às 22:43 Atualizado em 06/11/2026 às 22:45
Google News
Escola Municipal de Educação Infantil Moradas da Hípica, em Porto Alegre (RS), fotografada em novembro de 2025, quando foi anunciada a retomada da construção após 13 anos de paralisação. Foto: PMPA.
Escola Municipal de Educação Infantil Moradas da Hípica, em Porto Alegre (RS), fotografada em novembro de 2025, quando foi anunciada a retomada da construção após 13 anos de paralisação. Foto: PMPA.
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

Rio Grande do Sul identifica 631 obras paralisadas em 193 municípios: 558 na saúde, 43 na educação básica e 30 no ensino federal. Novo comitê reúne 18 instituições e prevê planos de retomada com acompanhamento semanal.

O Rio Grande do Sul tem 631 obras públicas paralisadas espalhadas por 193 municípios, segundo levantamento apresentado nesta sexta-feira, 6 de novembro. Entre os canteiros interrompidos estão unidades de saúde, escolas e estruturas de instituições federais de ensino. Apenas na saúde, foram identificados 558 empreendimentos sem conclusão.

Para tentar recolocar essas construções em andamento, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) instalou em Porto Alegre o comitê estadual do Programa Destrava, com representantes de 18 instituições. Durante a cerimônia, 32 municípios formalizaram adesão à iniciativa, que pretende enfrentar problemas contratuais, administrativos, financeiros e judiciais ligados às obras.

A proposta prevê classificação das construções conforme a urgência, elaboração de planos e acompanhamento das etapas executadas. O programa oferece suporte técnico e institucional às prefeituras, mas a retomada dependerá de análise individual e das condições financeiras e jurídicas de cada empreendimento.

Saúde concentra 558 obras paralisadas, entre elas 436 unidades básicas de atendimento

A maior parte das construções listadas está relacionada ao atendimento médico. Conforme o levantamento divulgado pelo CREA-RS, as 558 obras de saúde incluem 436 reformas e ampliações de Unidades Básicas de Saúde (UBS), prédios que deveriam atender moradores em consultas, vacinação e outros serviços da atenção primária.

O levantamento também relaciona 69 Academias da Saúde, 35 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e 10 Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Essas quatro categorias somam 550 registros. Os oito restantes não foram detalhados na divisão apresentada pelo conselho profissional.

Área interna da EMEI Moradas da Hípica, em Porto Alegre (RS), com vigas e pilares de concreto expostos, estruturas deterioradas e vegetação crescendo entre as instalações após anos de obras paralisadas. A retomada da construção foi anunciada em novembro de 2025. Foto: Prefeitura de Porto Alegre.
Área interna da EMEI Moradas da Hípica, em Porto Alegre (RS), com vigas e pilares de concreto expostos, estruturas deterioradas e vegetação crescendo entre as instalações após anos de obras paralisadas. A retomada da construção foi anunciada em novembro de 2025. Foto: Prefeitura de Porto Alegre.

Para cada prédio parado, há equipamentos e atendimentos planejados que permanecem indisponíveis ou dependem de outras unidades. A situação é diferente de cidade para cidade: uma obra pode ter sido interrompida na fundação, na ampliação de salas ou já perto da fase de acabamento. A etapa de cada uma deverá ser confirmada pelos gestores municipais.

Obras de universidades somam R$ 55,4 milhões contratados, mas apenas R$ 23 milhões executados

Além da saúde, a relação estadual aponta 43 obras de educação básica, informadas pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), e 30 empreendimentos em instituições federais de ensino, registrados pelo Ministério da Educação. São escolas e estruturas educacionais cuja continuidade será avaliada pelo programa.

Nas obras federais de ensino superior, os contratos somam aproximadamente R$ 55,4 milhões, dos quais cerca de R$ 23 milhões já foram executados. A diferença mostra o volume ainda associado à execução contratual desse grupo, mas os valores se referem especificamente às obras de ensino superior mencionadas no levantamento.

O custo total das 631 obras, a quantia ainda necessária para terminar todas elas e a quantidade que poderá ser retomada com o programa ainda dependem de levantamento mais detalhado. A primeira tarefa será atualizar informações e identificar o que impede a conclusão de cada construção.

Porto Alegre lidera com 59 obras paradas, seguida por Canoas, Pelotas e Rio Grande

A distribuição das obras também revela concentração em cidades populosas. Porto Alegre aparece com 59 empreendimentos paralisados, seguida por Canoas, com 24, e por Pelotas e Rio Grande, com 23 cada. Santa Maria registra 19, Gravataí tem 17 e Caxias do Sul, 16.

O levantamento alcança 193 municípios gaúchos, dos maiores centros urbanos a localidades menores. Nessas cidades, a conclusão de uma unidade de saúde ou de uma escola pode exigir solução de uma disputa contratual, revisão de projeto, regularização documental ou novo planejamento orçamentário.

Durante o lançamento no Palácio da Justiça, a Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs) informou que 32 municípios assinaram a adesão. Entre eles estão Porto Alegre, Pelotas, Gravataí, Cachoeira do Sul, Bento Gonçalves, Guaíba e São Borja. O número corresponde às adesões registradas na solenidade, não ao total de municípios com obras pendentes.

18 instituições terão de identificar entraves antes de liberar os canteiros para novas etapas

O Tribunal Regional Federal da 4ª Região formalizou sua participação no programa em 6 de novembro. A instalação reuniu integrantes do Judiciário, Ministérios Públicos, órgãos de fiscalização, governo estadual, entidades de engenharia e representantes municipais.

A coordenação regional ficará com o Tribunal de Contas da União (TCU). O grupo também envolve TCE-RS, CGU, AGU, Caixa Econômica Federal, CREA-RS, Sinduscon-RS, Famurs e outros órgãos que podem ajudar a compreender as situações contratuais e a viabilidade técnica das obras.

A intenção é resolver impasses por meio de troca de informações, reuniões, visitas técnicas e encaminhamentos entre as instituições. Uma obra embargada por exigências de controle pode precisar de providências diferentes da construção abandonada por uma empresa ou interrompida por falta de recursos.

O CNJ informou que a adesão não transfere automaticamente dinheiro novo aos municípios. As prefeituras poderão contar com o apoio dos participantes para analisar contratos e buscar soluções, preservadas as responsabilidades legais de cada instituição.

Municípios terão 15 dias úteis para atualizar dados e obras prioritárias poderão receber planos de 30 ou 60 dias

O manual apresentado para a fase estadual estabelece um primeiro passo: as prefeituras com obras paralisadas terão 15 dias úteis para validar as informações recebidas pelo comitê. Caso não atendam à solicitação, a falta de resposta poderá ser comunicada ao TCU, ao TCE e ao Ministério Público.

Depois, os empreendimentos deverão ser organizados em três grupos. As obras da lista A, consideradas prioritárias, terão previsão de início de retomada em até 30 dias. Para a lista B, o planejamento estabelece até 60 dias. As construções da lista C permanecerão sob monitoramento.

Esses prazos integram o planejamento do programa e dependerão de condições concretas para reativação. Em cada obra selecionada, a equipe deverá acompanhar a execução por metas de 30%, 60% e 100%, com registros de evolução em painel a ser atualizado semanalmente.

O ciclo de acompanhamento previsto é de um ano, com relatórios periódicos. Uma das metas anunciadas é conseguir que pelo menos 30% das obras efetivamente retomadas estejam em funcionamento ao final do ciclo, proporção que será aferida sobre os empreendimentos reativados, e não automaticamente sobre todos os 631 casos mapeados.

Programa iniciado em 2020 é ampliado e Rio Grande do Sul inaugura nova fase regional

O Destrava nasceu em 2020 para aproximar órgãos de controle e gestores responsáveis por construções interrompidas. A iniciativa foi retomada e ampliada em 2026, com um plano nacional para o período de 2026 a 2027 e prioridade para saúde e educação.

Uma experiência anterior em Goiás, apresentada pelo CNJ em setembro, apontou que 20% das obras foram retomadas e 4% concluídas no projeto-piloto. Outros 45% dos empreendimentos em situação crítica tiveram o encaminhamento reorganizado. O resultado histórico serve de referência, mas não é uma previsão de desempenho para as construções gaúchas.

Agora, o comitê gaúcho começará pelo levantamento detalhado das 631 obras e pela confirmação das informações com as prefeituras. Novos comitês estaduais estão previstos para outras regiões do Brasil a partir de 2027, conforme o comunicado de instalação do CNJ.

Os primeiros resultados poderão ser medidos quando os planos saírem do papel, os contratos forem regularizados e os canteiros voltarem a funcionar. Moradores de cidades com escolas ou postos de saúde inacabados podem relatar nos comentários há quanto tempo aguardam a conclusão dessas obras.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x