Movimento europeu reacende uso de armamentos da Guerra Fria, com foco em defesa aérea de curto alcance e resposta rápida a drones e mísseis no conflito na Ucrânia, enquanto países buscam alternativas viáveis diante de limitações industriais e pressão por entregas imediatas.
A Bélgica decidiu recomprar 15 sistemas antiaéreos autopropulsados Gepard com o objetivo de transferi-los à Ucrânia, inserindo a medida em um pacote de ajuda militar de €1 bilhão aprovado no início de abril de 2026, conforme confirmação oficial divulgada dias depois.
Segundo informações publicadas pela imprensa belga em 22 de abril, a operação envolve a aquisição dos veículos junto à OIP Land Systems, empresa local controlada pela israelense Elbit Systems, responsável atualmente pela posse e gestão desses equipamentos militares.
Antes de serem entregues às forças ucranianas, os sistemas passarão por um processo completo de revisão técnica, incluindo reparos estruturais, atualização de componentes e preparação operacional, com o objetivo de restaurar a plena capacidade de uso em ambiente de combate.
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Defesa aérea da Ucrânia ganha reforço com Gepard
Dentro do contexto atual do conflito, a iniciativa amplia o esforço europeu para fortalecer a defesa aérea da Ucrânia diante do uso intensivo de drones, mísseis e outras ameaças de curto alcance empregadas com frequência pelas forças russas.
Nesse cenário específico, o Gepard volta a ganhar protagonismo por reunir mobilidade, radar próprio e canhões automáticos de 35 mm, oferecendo uma resposta mais eficiente contra alvos de baixo custo em comparação com sistemas que dependem exclusivamente de mísseis.

Ao contrário de plataformas mais modernas e caras, o sistema permite engajar drones e outras ameaças semelhantes sem a necessidade de utilizar interceptadores sofisticados, o que contribui diretamente para a economia de recursos em um conflito prolongado.
Por essa razão, o equipamento passou a ser visto como uma solução prática em um ambiente onde aeronaves não tripuladas desempenham papel central nas operações ofensivas e defensivas ao longo da linha de frente.
Mesmo tendo sido desenvolvido na década de 1970 por um consórcio alemão, o Gepard mantém relevância quando submetido a manutenção adequada, especialmente em cenários que exigem resposta rápida contra ameaças de baixa altitude.
Atualmente, a Ucrânia já opera unidades do sistema fornecidas por outros países europeus, utilizando-as principalmente na proteção de cidades, tropas em campo e infraestruturas consideradas estratégicas.
Sistemas estavam desativados desde os anos 2000
Originalmente integrados ao arsenal belga, esses sistemas foram retirados do serviço ativo no início dos anos 2000, permanecendo fora de uso por um longo período antes de serem transferidos para o setor privado.
Posteriormente, os veículos foram vendidos à empresa Sabiex, que acabou sendo incorporada pela OIP Land Systems, consolidando a posse dos equipamentos sob a estrutura atual da companhia envolvida na negociação.
Com a nova decisão, a Bélgica opta por readquirir equipamentos que já fizeram parte de suas próprias forças armadas, demonstrando uma estratégia baseada na reutilização de ativos militares previamente descartados.
Esse movimento evidencia como estoques desativados da Guerra Fria voltaram a ganhar importância, especialmente diante da necessidade de acelerar entregas e reduzir o tempo entre decisões políticas e disponibilização prática no campo de batalha.
Até o momento, não foram divulgados oficialmente detalhes sobre o custo unitário dos sistemas, os valores envolvidos no processo de revitalização ou o cronograma completo para a entrega dos equipamentos à Ucrânia.
Da mesma forma, permanece sem confirmação pública a data exata em que todas as 15 unidades estarão prontas para uso operacional após a conclusão das etapas de recuperação.
Como funciona o sistema antiaéreo Gepard
Projetado como um sistema autopropulsado, o Gepard é montado sobre um chassi blindado e equipado com dois canhões automáticos de 35 mm, capazes de disparar em alta cadência contra alvos aéreos de curta distância.
Além disso, o veículo incorpora radares de busca e acompanhamento, permitindo detectar, rastrear e engajar ameaças em movimento, especialmente aquelas que operam em baixa altitude e com menor assinatura térmica ou radar.
Na prática operacional, o sistema é utilizado contra drones, helicópteros, aeronaves em voo baixo e mísseis de cruzeiro, desempenhando um papel específico dentro de camadas mais próximas da defesa aérea.
Essa capacidade reduz a dependência de mísseis mais caros, contribuindo para um uso mais racional de recursos em cenários de combate prolongado e com alto volume de ataques aéreos de menor complexidade.
Entretanto, a reativação dos Gepard exige não apenas a recuperação dos veículos, mas também a disponibilidade de munição adequada, manutenção contínua e suporte logístico especializado para garantir funcionamento eficiente.
Por esse motivo, o processo inclui testes técnicos, substituição de componentes, fornecimento de peças e treinamento de operadores, garantindo que o sistema possa ser empregado de forma consistente em condições reais de combate.
Bélgica aposta em estoques antigos para acelerar envio
Ao optar por sistemas já existentes, o governo belga sinaliza uma estratégia voltada à rapidez na entrega, evitando depender exclusivamente da produção de novos equipamentos em um momento de alta demanda no setor de defesa europeu.
Atualmente, a indústria enfrenta limitações para expandir rapidamente a fabricação de armamentos, o que torna alternativas como a reativação de estoques uma solução viável no curto prazo.
Dessa forma, recorrer a veículos armazenados permite encurtar o intervalo entre decisão política e envio efetivo, fator considerado crítico diante das necessidades urgentes apresentadas pela Ucrânia.
Outros países europeus têm adotado abordagem semelhante, revisando depósitos, contratos antigos e inventários militares desativados em busca de equipamentos que possam ser reaproveitados.
Inserido nesse contexto, o pacote de €1 bilhão aprovado pela Bélgica integra um conjunto mais amplo de medidas de apoio militar à Ucrânia, envolvendo diferentes tipos de assistência.
Além disso, o governo belga já anunciou compromissos adicionais, incluindo suporte financeiro, envio de equipamentos e a futura transferência de caças F-16, condicionada à renovação de sua própria frota aérea.
Guerra redefine valor de sistemas considerados obsoletos
Com o avanço do conflito, a percepção sobre equipamentos considerados ultrapassados passou por mudanças significativas, especialmente diante da eficácia demonstrada em cenários específicos de combate.
Sistemas como o Gepard passaram a ser valorizados por sua capacidade de responder a ameaças atuais, sobretudo quando drones de baixo custo exigem soluções igualmente eficientes do ponto de vista econômico.
Ainda assim, esses equipamentos não substituem sistemas modernos de longo alcance, mas atuam de forma complementar dentro de uma arquitetura mais ampla de defesa aérea em múltiplas camadas.
Nesse arranjo, plataformas como o Gepard assumem a função de proteger áreas próximas, preservando mísseis sofisticados para alvos mais complexos ou de maior alcance.
Para a Ucrânia, cada unidade adicional pode contribuir para a proteção de posições militares, centros urbanos e infraestruturas críticas, ampliando a capacidade de resposta diante de ataques contínuos.
Ao mesmo tempo, a eficácia desses sistemas dependerá diretamente da rapidez na recuperação, da oferta de munição e da manutenção adequada ao longo de sua operação.
Por fim, a decisão belga reforça o papel estratégico de estoques europeus no contexto atual, demonstrando que equipamentos armazenados por décadas podem voltar a desempenhar funções relevantes em cenários de guerra contemporânea.

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