Experimento revela como mais de 1 milhão de vapes descartados por dia escondem baterias capazes de alimentar uma residência
Durante o auge do consumo no Reino Unido, mais de 1 milhão de vapes descartáveis eram jogados fora todos os dias. Esse número, por si só, já chama atenção. No entanto, o problema vai muito além do volume de lixo.
A informação foi divulgada pelo próprio criador do experimento em seu canal no YouTube. Ali, ele decidiu provar algo ousado: transformar centenas de vapes descartáveis em uma bateria capaz de alimentar uma oficina inteira — e até parte de uma casa.
Enquanto milhões de dispositivos iam direto para o aterro, ele enxergou potencial energético. Afinal, cada vape contém uma bateria recarregável de íon-lítio, a mesma tecnologia usada em celulares e notebooks. Portanto, o desperdício não é apenas ambiental, mas também energético.
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Quanto de energia existe dentro de um vape descartável?
Antes de mais nada, precisamos entender capacidade energética. Se uma bateria fornece 1 watt durante 1 hora, ela possui 1 watt-hora (Wh). Para efeito de comparação, um smartphone comum tem cerca de 10 Wh.
Com isso em mente, o objetivo ficou claro: construir uma bateria com 2.500 Wh (2,5 kWh). Em outras palavras, energia suficiente para alimentar uma oficina por vários dias ou manter uma casa funcionando por cerca de 8 horas, considerando que o consumo médio residencial gira em torno de 6.000 Wh por dia (6 kWh).
As células pequenas de vape oferecem, em média, 1,8 Wh. Portanto, seriam necessárias quase 1.400 unidades. Entretanto, os modelos maiores entregam cerca de 5 Wh, o que reduz a necessidade para aproximadamente 500 células.
Diante dessa diferença significativa, ele passou a focar exclusivamente nas baterias maiores.
O desafio inesperado: metade das baterias estava inutilizada
Contudo, logo surgiu um problema crítico. Durante os testes iniciais, ele descobriu que cerca de 50% das células estavam abaixo de 3 volts. Quando uma bateria de lítio cai abaixo de 3V, ela sofre dano permanente e não pode ser recuperada com segurança.
Isso aconteceu porque o circuito interno dos vapes continua consumindo energia lentamente, mesmo após o uso. Como muitas unidades ficaram armazenadas por mais de um ano, várias baterias simplesmente se esgotaram por completo.
Para resolver esse gargalo, ele criou um sistema inteligente de triagem. Utilizando uma bomba de ar de máquina CPAP, ele simulou uma tragada automática. Se o vape piscasse, significava que a bateria ainda estava acima de 3V. Caso contrário, estava morta.
Assim, ele conseguiu separar rapidamente unidades boas das inutilizáveis. Consequentemente, reduziu drasticamente o tempo desperdiçado desmontando dispositivos sem potencial de reaproveitamento.
Ainda assim, o trabalho foi intenso. Ele levou cerca de 2 meses para concluir a desmontagem e os testes. Além disso, cada lote exigia aproximadamente 2 horas para balanceamento e medição de capacidade. Ao final, ele conseguiu reaproveitar cerca de 500 células funcionais.
Esse número, portanto, mostra como a reciclagem manual desses dispositivos exige enorme esforço.
Como ele montou a bateria de 50 volts
Depois de selecionar as células viáveis, ele iniciou a construção da bateria.
Primeiramente, agrupou nove células em paralelo. Essa configuração aumentou a capacidade sem elevar a tensão. Em seguida, uniu vários módulos novamente em paralelo para ampliar ainda mais o armazenamento energético.
Posteriormente, conectou 14 grupos em série, o que elevou a tensão total para aproximadamente 50 volts. Cada metade registrava cerca de 25 volts antes da conexão final.
Dessa forma, ele alcançou uma estrutura de alta capacidade e alta tensão ao mesmo tempo.
Sistema de segurança inspirado na Tesla

Como o sistema alimentaria equipamentos reais, ele priorizou a segurança.
Para começar, instalou fusíveis individuais em cada célula, inspirando-se no design da bateria da Tesla Model X, que utiliza fios como microfusíveis. Assim, caso uma célula apresentasse falha ou curto-circuito, o fusível isolaria automaticamente o problema.
Além disso, ele adicionou um fusível principal de alta capacidade entre as duas metades da bateria. Em paralelo, instalou um BMS (Battery Management System) para monitorar a tensão de cada grupo.
Sem esse sistema de gerenciamento, uma bateria desse porte poderia falhar de maneira catastrófica. Por isso, ele verificou todas as conexões várias vezes antes de ativar o conjunto.
Convertendo 50V DC para energia residencial
A bateria fornece aproximadamente 50 volts em corrente contínua (DC). Entretanto, residências utilizam cerca de 240 volts em corrente alternada (AC). Portanto, ele conectou um inversor para realizar essa conversão.
Primeiramente, desconectou a oficina da rede elétrica tradicional. Em seguida, ligou o sistema ao inversor. Em poucos segundos, a oficina passou a operar exclusivamente com energia proveniente das baterias reaproveitadas.
O sistema sustentou cerca de 200 watts de consumo contínuo. Osciloscópio, ventiladores, fontes de alimentação e demais equipamentos funcionaram normalmente.
O teste definitivo: alimentar a casa fora da rede
Depois de validar o funcionamento na oficina, ele realizou o teste mais ousado.
Primeiro, desligou completamente a casa da rede elétrica. Em seguida, conectou o sistema ao quadro principal. Imediatamente, a iluminação voltou a funcionar. Logo depois, o micro-ondas operou sem dificuldades. Além disso, a chaleira elétrica aqueceu água normalmente.
O que esse experimento revela sobre lixo eletrônico
Apesar do sucesso técnico, o experimento deixa um alerta claro.
Se foram necessários 2 meses de trabalho manual para montar uma bateria de 2,5 kWh, imagine o esforço necessário para reaproveitar milhões de unidades descartadas diariamente.
Recentemente, o Reino Unido proibiu vapes descartáveis e passou a exigir modelos com pods substituíveis e porta USB-C, que custam cerca de 3 dólares. Ainda assim, muitos estabelecimentos continuam priorizando kits completos. Portanto, o impacto da medida pode ser limitado.
Em última análise, o problema envolve indústria, consumidores e políticas públicas. Enquanto isso, milhões de baterias de íon-lítio continuam indo para o lixo.
Hoje, ele pode carregar a bateria durante a madrugada, quando a energia custa menos. No entanto, o próximo passo já está definido: integrar painéis solares e operar completamente off-grid.
Agora eu te pergunto: depois de descobrir que milhões de baterias recarregáveis vão para o lixo todos os dias, você ainda vê os vapes descartáveis da mesma forma?


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