Peixe de água doce cruza sistema fluvial Murray-Darling e quebra recorde de migração já registrado em território australiano
Um bacalhau-de-Murray, conhecido cientificamente como Macquaria peelii, surpreendeu os cientistas ao percorrer 900 quilômetros pelo Rio Murray, na Austrália. O registro foi feito entre 2016 e 2025, durante um estudo de monitoramento conduzido pelo Instituto Arthur Rylah.
O peixe recebeu o nome de Arnie, em homenagem à nadadora olímpica Ariarne Titmus. Com isso, ele se tornou o exemplar mais resistente e explorador já observado na espécie. O apelido “bacalhau viajante” surgiu devido à sua impressionante capacidade de deslocamento e adaptação.
Um feito inédito nos rios australianos
Durante um estudo iniciado em 2016, pesquisadores australianos marcaram 70 filhotes de bacalhau-de-Murray com etiquetas de áudio e microchips. Dessa forma, puderam rastrear os movimentos de cada peixe ao longo do sistema fluvial Murray-Darling, considerado o mais extenso da Austrália.
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Entre 2023 e 2024, uma sequência de enchentes intensas alterou completamente o curso natural dos rios. Por causa disso, várias barreiras naturais e humanas foram removidas, permitindo deslocamentos antes impossíveis.
Enquanto a maioria dos bacalhaus permaneceu próxima às áreas de reprodução, Arnie decidiu desafiar seus limites e explorar novos trechos do rio. A cheia abriu caminho, e o peixe nadou 760 quilômetros rio acima em menos de dois meses. Logo depois, ele retornou cerca de 100 quilômetros, totalizando aproximadamente 900 quilômetros de jornada.
A jornada do “bacalhau viajante”
O feito surpreendeu os cientistas e revelou um comportamento nunca antes registrado. Segundo o ecologista de água doce Dr. Zeb Tonkin, coordenador do estudo, “para esta espécie, é o período mais longo que já vimos”.
Essa jornada extraordinária trouxe informações fundamentais sobre dispersão genética, reprodução e recolonização de habitats. Além disso, reforçou a importância da preservação dos corredores fluviais e da remoção de barreiras artificiais, que muitas vezes impedem a migração natural dos peixes.
Os pesquisadores destacaram que eventos climáticos extremos, como as enchentes de 2023 e 2024, foram decisivos para o deslocamento do peixe. Dessa forma, o caso de Arnie demonstrou como o ambiente influencia diretamente o comportamento das espécies nativas.
Uma espécie símbolo da Austrália
O bacalhau-de-Murray é reconhecido como predador de topo e desempenha papel essencial no equilíbrio dos ecossistemas fluviais australianos. De acordo com os biólogos do Instituto Arthur Rylah, esses peixes podem viver até 50 anos, alcançar 1,8 metro de comprimento e pesar mais de 83 quilos.
Além de sua importância ecológica, o bacalhau-de-Murray representa um patrimônio natural protegido por leis ambientais desde o início dos anos 2000. Em 2025, o feito de Arnie consolidou-se como um marco científico e despertou grande interesse entre pesquisadores de todo o país.
Com a ajuda da tecnologia de rastreamento e da pesquisa contínua, especialistas conseguiram entender como espécies territorialistas podem exibir comportamentos migratórios em resposta a mudanças ambientais.
A importância da descoberta
Os cientistas ressaltaram que a façanha de Arnie registrou o maior deslocamento já documentado para a espécie. Além disso, reforçou a necessidade de monitorar peixes nativos de forma contínua.
Esse acompanhamento é essencial para o desenvolvimento de estratégias de conservação e para o enfrentamento dos efeitos das mudanças climáticas sobre os ecossistemas aquáticos.
Com sua jornada inédita, Arnie entrou para a história da biologia australiana, inspirando novas pesquisas sobre migração e comportamento de peixes de água doce.

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