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Quantas xícaras de café é seguro tomar por dia? Até cinco são consideradas seguras, mas energéticos aumentam a preocupação com a saúde do coração, segundo análise divulgada pela Associação Americana do Coração

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Escrito por Ruth Rodrigues Publicado em 22/07/2026 às 13:21
Análise da Associação Americana do Coração indica que até 400 mg de cafeína por dia são seguros para a maioria dos adultos, mas alerta para energéticos e produtos concentrados.
Análise da Associação Americana do Coração indica que até 400 mg de cafeína por dia são seguros para a maioria dos adultos, mas alerta para energéticos e produtos concentrados. Foto: Canva.
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Análise da Associação Americana do Coração indica que até 400 mg de cafeína por dia são seguros para a maioria dos adultos, mas alerta para energéticos e produtos concentrados.

A quantidade e o tipo de produto consumido podem fazer mais diferença para a saúde cardiovascular do que a simples presença de cafeína. Uma análise divulgada pela Associação Americana do Coração indica que a ingestão diária de até 400 miligramas da substância permanece dentro de uma faixa considerada segura para a maioria dos adultos.

Esse volume corresponde a aproximadamente cinco xícaras de café de 240 mililitros. Dentro desse limite, as evidências reunidas não apontam elevação do risco cardiovascular para a maior parte da população adulta.

O alerta mais importante recai sobre bebidas energéticas, suplementos e outras formulações capazes de reunir grandes doses em um único recipiente. Nesses casos, o consumo excessivo pode favorecer alterações na pressão arterial e no ritmo dos batimentos.

O trabalho foi publicado na segunda-feira (20 de julho), na revista Circulation, e reúne pesquisas recentes sobre a relação entre cafeína e coração.

Quantidade moderada não foi ligada ao aumento de problemas cardíacos

A análise concluiu que o café com cafeína, quando consumido em níveis moderados, não aparece associado a uma piora da saúde cardiovascular na maioria das pessoas.

Gregory M. Marcus, professor de Medicina da Universidade da Califórnia em São Francisco e presidente do grupo responsável pelo documento, afirmou que a bebida faz parte da rotina de milhões de pessoas.

Segundo ele, a ingestão de até 400 mg por dia pode ser considerada segura para a maioria dos adultos e não apresenta aumento do risco cardiovascular dentro das evidências avaliadas.

A conclusão, entretanto, não significa que todas as pessoas reajam da mesma maneira. A resposta do organismo depende de fatores individuais e também da forma como a substância é consumida.

Bebidas energéticas concentram mais cafeína em menor volume

A principal preocupação apresentada pelos pesquisadores está nas fontes que fornecem doses elevadas rapidamente.

Determinados energéticos podem reunir entre 40 e 69 mg de cafeína em apenas 30 mililitros. Na mesma quantidade de líquido, essa concentração pode ser de três a quatro vezes superior à encontrada no café comum.

O problema se torna mais relevante em embalagens destinadas ao consumo de uma só vez. Nessas situações, uma pessoa pode ingerir uma quantidade elevada em poucos minutos, sem perceber o total acumulado.

Análise da Associação Americana do Coração indica que até 400 mg de cafeína por dia são seguros para a maioria dos adultos, mas alerta para energéticos e produtos concentrados.
Análise da Associação Americana do Coração indica que até 400 mg de cafeína por dia são seguros para a maioria dos adultos, mas alerta para energéticos e produtos concentrados. Foto: Canva.

A ingestão em grandes quantidades, sobretudo das opções comercializadas em doses individuais, foi relacionada ao aumento da probabilidade de hipertensão e arritmias cardíacas.

A comparação mostra que avaliar apenas o número de xícaras ou recipientes pode ser insuficiente. É necessário observar a quantidade de cafeína presente em cada produto.

Café e energético não produzem necessariamente a mesma exposição

Embora as duas bebidas possam conter cafeína, suas composições e concentrações são diferentes.

O café reúne centenas de substâncias além do composto estimulante. Algumas delas demonstraram propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias em pesquisas experimentais, o que pode ajudar a explicar parte das associações favoráveis observadas.

Os energéticos, por outro lado, despertam atenção pela elevada quantidade encontrada em volumes reduzidos.

Essa diferença dificulta tratar todos os produtos cafeinados como equivalentes. Uma dose concentrada ingerida rapidamente não representa o mesmo padrão de consumo de várias porções distribuídas ao longo do dia.

Organismo pode reagir com pressão alta, palpitações e insônia

Após ser ingerida, a cafeína é processada pelo fígado. Na maioria das pessoas, sua concentração no organismo alcança o ponto mais elevado em cerca de uma hora.

Durante esse período, podem surgir respostas temporárias. Entre elas estão aceleração dos batimentos, elevação da pressão arterial, aumento da glicemia e maior estado de alerta.

Alguns consumidores também apresentam palpitações ou dificuldade para dormir.

Esses efeitos não aparecem com a mesma intensidade em todos os indivíduos. Há pessoas que consomem café regularmente sem perceber alterações importantes, enquanto outras sentem desconforto mesmo com quantidades menores.

Genética e idade interferem na resposta à cafeína

A velocidade com que o organismo elimina a substância varia de uma pessoa para outra.

Fatores genéticos, idade e características do metabolismo influenciam esse processo. O hábito de consumir cafeína também modifica a reação.

Quando o consumo se torna habitual, o organismo pode se adaptar aos efeitos da substância, fazendo com que algumas reações sejam percebidas com menor intensidade ao longo do tempo.

Outros indivíduos continuam sensíveis, mesmo mantendo o consumo regular. Por isso, o limite de 400 mg representa uma referência geral para adultos, e não uma garantia de ausência de sintomas em todos os casos.

Análise da Associação Americana do Coração indica que até 400 mg de cafeína por dia são seguros para a maioria dos adultos, mas alerta para energéticos e produtos concentrados.
Análise da Associação Americana do Coração indica que até 400 mg de cafeína por dia são seguros para a maioria dos adultos, mas alerta para energéticos e produtos concentrados. Foto: Canva.

Café contém outros componentes além da cafeína

Uma das dificuldades enfrentadas pelos pesquisadores é separar o efeito da cafeína das demais substâncias presentes na bebida.

Grande parte das pesquisas acompanha pessoas que tomam café, e não indivíduos que consomem exclusivamente a cafeína isolada. Dessa forma, os resultados podem refletir a combinação de vários compostos.

O preparo também muda conforme os hábitos de cada consumidor. Leite, açúcar, creme e xaropes podem ser acrescentados à bebida e interferir em sua composição final.

Assim, duas pessoas que afirmam consumir a mesma quantidade de café podem estar ingerindo produtos bastante diferentes.

Estudos encontraram associação com menor risco de doenças

A revisão da Associação Americana do Coração identificou que o consumo moderado de café cafeinado aparece relacionado a menor ocorrência de diferentes condições cardiovasculares.

Entre elas estão:

  • insuficiência cardíaca;
  • fibrilação atrial;
  • doença arterial coronariana;
  • acidente vascular cerebral.

Em parte dos indivíduos analisados, também foi observada menor incidência de diabetes tipo 2.

Esses resultados representam associações encontradas nos estudos disponíveis. Eles não permitem afirmar que o café, isoladamente, seja responsável por impedir o desenvolvimento dessas doenças.

Pesquisas não comprovam relação direta de causa e efeito

Os próprios autores chamam atenção para uma limitação importante. Grande parte das evidências vem de estudos observacionais.

Esse tipo de pesquisa acompanha hábitos e resultados de saúde para identificar relações entre eles. Entretanto, não consegue demonstrar sozinho que um fator causou diretamente o outro.

Uma pessoa que consome café moderadamente pode ter outras características de alimentação, rotina ou comportamento capazes de influenciar os resultados.

Por essa razão, a associação com menor risco cardiovascular não deve ser interpretada como uma comprovação de que aumentar o consumo produzirá proteção.

O documento sustenta que quantidades moderadas não elevam o risco para a maioria dos adultos, mas mantém cautela na interpretação dos possíveis benefícios.

Cafeína também está presente em medicamentos e alimentos

O café pode ser a fonte mais conhecida, mas não é a única responsável pela ingestão diária.

A substância também aparece em:

  • bebidas energéticas;
  • chás;
  • chocolate;
  • medicamentos;
  • produtos concentrados;
  • refrigerantes.
Análise da Associação Americana do Coração indica que até 400 mg de cafeína por dia são seguros para a maioria dos adultos, mas alerta para energéticos e produtos concentrados.
Análise da Associação Americana do Coração indica que até 400 mg de cafeína por dia são seguros para a maioria dos adultos, mas alerta para energéticos e produtos concentrados. Foto: Canva.

O consumo acumulado ao longo do dia pode passar despercebido quando diferentes fontes são utilizadas.

Uma pessoa pode tomar café pela manhã, ingerir refrigerante durante uma refeição e consumir um energético mais tarde. Mesmo que cada item pareça isoladamente pequeno, a soma pode ultrapassar a quantidade planejada.

Avaliação deve considerar sintomas e padrão de consumo

Os dados apresentados indicam que o consumo moderado permanece seguro para a maior parte dos adultos. Ainda assim, reações como palpitações, distúrbios do sono e alterações temporárias dos batimentos mostram que a tolerância não é igual para todos.

O padrão também deve ser observado. Ingerir uma dose elevada de uma só vez pode produzir uma resposta diferente daquela provocada por pequenas quantidades distribuídas ao longo do dia.

A fonte escolhida é outro elemento relevante. Enquanto o café traz uma composição complexa, alguns produtos são desenvolvidos justamente para concentrar cafeína.

A análise não estabelece que toda bebida energética provocará um problema cardíaco, mas aponta que o risco aumenta quando o consumo envolve doses elevadas.

Novos estudos devem se concentrar em produtos concentrados

Os pesquisadores defendem que as próximas investigações ampliem o foco para além do café.

Bebidas energéticas, suplementos e formulações com altas concentrações ainda precisam ser avaliados com maior profundidade. Esses produtos apresentam padrões de consumo diferentes e podem fornecer grandes quantidades em pouco tempo.

Compreender essas diferenças será necessário para estabelecer orientações mais específicas sobre cafeína e coração.

Até o momento, a principal conclusão é que o café, dentro da faixa de até 400 mg de cafeína por dia, não aumenta o risco cardiovascular para a maioria dos adultos. O cuidado maior deve estar no excesso, na sensibilidade individual e nas bebidas que concentram várias doses em um único recipiente.

Fonte: Revista Galileu

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Ruth Rodrigues

Formada em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), atua como redatora e divulgadora científica.

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