As operações militares entre Estados Unidos e Irã reacenderam o alerta sobre o Estreito de Ormuz, passagem estratégica para aproximadamente 20% do petróleo mundial. Dependentes da energia do Oriente Médio, países do Sudeste Asiático procuram alternativas de abastecimento enquanto especialistas apontam possíveis ganhos econômicos para a Rússia e diplomáticos para a China.
As operações militares entre Estados Unidos e Irã reacenderam a preocupação com o Estreito de Ormuz, rota de aproximadamente um quinto do petróleo mundial e essencial para países do Sudeste Asiático fortemente dependentes da energia do Oriente Médio.
Como mostrou a Reuters, ànova rodada de ataques dos Estados Unidos contra o Irã, concluída em 21 de julho de 2026, na 11ª noite consecutiva de bombardeios.
Segundo o Comando Central dos EUA, foram atingidos centros de operações militares, instalações de drones, hangares e capacidades marítimas iranianas, com o objetivo declarado de reduzir ameaças à navegação comercial no Estreito de Ormuz.
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A ofensiva ocorre dentro do conflito iniciado em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel atacaram o Irã, que respondeu com ações contra Israel e países do Golfo que abrigam bases norte-americanas.
Estreito de Ormuz afeta decisões no Sudeste Asiático
Durante anos, Washington concentrou sua atenção na Ásia principalmente em Taiwan, no Mar da China Meridional e no avanço militar chinês. A invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia também reforçou a importância estratégica da Europa e do Leste Asiático.
Como mostrou o oilprice, especialistas em segurança argumentam que a crise envolvendo o Irã pode alterar de maneira mais profunda os cálculos sobre diplomacia, segurança e alianças no Sudeste Asiático.
O Estreito de Ormuz ganhou destaque por concentrar aproximadamente um quinto do petróleo transportado mundialmente. As tensões em torno dessa passagem representam uma preocupação direta para países asiáticos dependentes do fornecimento energético do Oriente Médio.
O Irã reivindica o controle da rota. Os Estados Unidos afirmam que realizam ataques aéreos contra alvos no sul iraniano para reduzir capacidades militares usadas em ações contra a navegação comercial no estreito.
Mesmo com a presença militar norte-americana, empresas de navegação continuam relutantes em atravessar a passagem. A situação mostra que a retomada do fluxo também depende do restabelecimento da confiança dos operadores comerciais.
Filipinas importam mais de 90% do petróleo do Oriente Médio
As Filipinas exemplificam a exposição regional: mais de 90% do petróleo importado pelo país vem do Oriente Médio. Por isso, possíveis interrupções no abastecimento representam uma preocupação econômica e política imediata para Manila.
O país permanece entre os aliados mais próximos de Washington na região em termos de tratados. A opinião pública filipina também continua mais favorável aos Estados Unidos do que à China.
Apesar dessa proximidade, o governo Marcos procurou ampliar o acesso ao petróleo bruto russo e avançar nas discussões sobre uma cooperação energética de longo prazo.
Lester Joseph Buitizon, analista da Aldebaran Threat Consultants, afirmou que a ASEAN já está se aproximando da Rússia por causa da dependência energética, e não por questões de segurança.
Segundo Buitizon, se até as Filipinas precisarem dialogar com Moscou para proteger seu abastecimento, países com políticas externas mais neutras, como Indonésia e Malásia, poderão seguir caminho semelhante com maior facilidade.
“Se a Rússia conseguir reorientar sua economia para o leste”, afirmou o analista, “as sanções ocidentais se tornarão estruturalmente menos eficazes”.
Rússia pode ganhar mercado e China ampliar influência
A Rússia pode obter vantagens econômicas com a busca dos países asiáticos por novas fontes de energia. Na mesma situação, a China pode encontrar oportunidades diplomáticas para aumentar sua influência no Sudeste Asiático.
Vincent Kyle Parada, analista de pesquisa de defesa da Marinha das Filipinas, lembrou que a ASEAN anteriormente conseguia equilibrar suas relações: a China oferecia crescimento econômico, enquanto os Estados Unidos garantiam a segurança regional.
Segundo Parada, essa divisão está menos definida. Para ele, a crise no Irã demonstra que a segurança econômica e a segurança nacional passaram a estar diretamente ligadas.
“A sobreposição entre economia e segurança tornou-se muito maior do que era há 10 ou 20 anos”, declarou.
Parada avaliou ainda que reduções norte-americanas na ajuda ao desenvolvimento regional, tensões comerciais e a intervenção no Irã enfraqueceram a posição de Washington e abriram espaço para a influência econômica chinesa.
