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Sem casa, livros ou computador, jovem de 21 anos vendia paçocas durante o dia, dormia em abrigo, estudava pelo celular na rodoviária e passou em 1º lugar para cursar Letras

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Escrito por Flavia Marinho Publicado em 21/07/2026 às 14:33 Atualizado em 21/07/2026 às 14:36
Vanusa Gonçalves dos Santos cursa atualmente Letras, na UEPG.
Vanusa Gonçalves dos Santos cursa atualmente Letras, na UEPG.
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Órfã e em situação de rua, Vanusa encontrou na rodoviária acesso à internet, transformou o celular em material de estudo e alcançou a aprovação em 1º lugar no curso de Letras, passo decisivo para realizar o sonho de se tornar professora

Sem casa, livros ou computador, uma jovem de 21 anos conciliava a venda de paçocas com os estudos feitos pelo celular na Rodoviária de Ponta Grossa, no Paraná. Quando chegava a noite, ela procurava o abrigo municipal onde podia comer, tomar banho e dormir.

A rotina difícil não impediu Vanusa Gonçalves dos Santos de conquistar o 1º lugar para cursar Letras na Universidade Estadual de Ponta Grossa, conhecida pela sigla UEPG. As notas do histórico escolar foram utilizadas no processo que garantiu a aprovação.

A informação foi publicada em 5 de janeiro de 2024 por UOL, portal brasileiro de notícias e serviços digitais. A história mostra como o acesso à internet e a um celular ajudou uma estudante sem moradia a continuar aprendendo.

Perda dos pais mudou a vida da jovem ainda na infância

Vanusa perdeu a mãe aos 11 anos, após um acidente de moto em Santa Catarina. Os pais eram separados e, depois da morte da mãe, ela precisou enfrentar mudanças profundas na vida familiar.

Em 2018, o pai, que era proprietário de um bar em Ponta Grossa, descobriu um câncer em estágio avançado. Ele morreu pouco tempo depois, deixando Vanusa sem o apoio que possuía.

A relação com outros familiares era conturbada. Diante dessa realidade, ela encontrou nas ruas uma alternativa para sobreviver e passou a procurar ajuda em estruturas municipais de acolhimento.

Abrigo oferecia comida, banho e cama apenas durante a noite

Londrina foi a primeira cidade onde Vanusa procurou ajuda. Ela conseguiu acesso a um albergue municipal e, durante o dia, buscava oportunidades para conseguir algum dinheiro.

Uma dessas atividades era a distribuição de folhetos, que rendia R$ 50 por dia. Mais tarde, a venda de paçocas nas ruas também passou a fazer parte de sua rotina.

Em 2022, Vanusa voltou para Ponta Grossa e permaneceu por 3 meses em um abrigo que funcionava 24 horas. Depois, passou a dormir em outro local que abria às 19 horas e fechava às 8 horas.

O novo abrigo permitia que ela comesse, tomasse banho e descansasse. Durante o dia, porém, Vanusa precisava deixar o local e encontrar outros espaços para trabalhar e estudar.

Rodoviária virou sala de estudos para a jovem sem computador

Sem uma casa disponível durante o dia, Vanusa encontrou na Estação Rodoviária de Ponta Grossa um canto onde podia acessar a internet. O celular era a única ferramenta que ela possuía para buscar explicações e resolver provas anteriores.

O objetivo inicial era se preparar para o Exame Nacional do Ensino Médio, conhecido como Enem. Sem livros, cadernos de apoio ou computador, ela usava a tecnologia disponível para encontrar os conteúdos necessários.

A rotina começava com a venda de paçocas. Quando terminava o trabalho, Vanusa seguia diretamente para a rodoviária e procurava um lugar onde pudesse se concentrar.

“Eu saía do abrigo para vender paçocas na rua. Quando acabava, já ia para a rodoviária. Buscava um cantinho e começava a estudar. Não tinha livros, mas foi a tecnologia que me fez aprender o que foi necessário até hoje”, afirmou Vanusa Gonçalves dos Santos.

Notas 10 do Ensino Médio ajudaram na entrada para Letras

A dedicação aos estudos já aparecia no histórico escolar de Vanusa. Durante o Ensino Médio, ela alcançou nota 10 em História, Língua Portuguesa e Sociologia.

Notas 10 do Ensino Médio ajudaram na entrada para Letras
Vanusa dos Santos – Imagem/ Reprodução: UEPG

A estudante passou por 5 escolas, mas conseguiu manter notas altas. O bom desempenho acumulado ao longo dessa trajetória teve peso no processo de entrada para o curso de Letras.

UOL, portal brasileiro de notícias e serviços digitais, detalhou os pontos centrais da aprovação. As notas excelentes registradas no histórico escolar permitiram que Vanusa conquistasse uma vaga na Universidade Estadual de Ponta Grossa.

O resultado colocou a jovem em 1º lugar para cursar Letras. A escolha do curso estava ligada ao interesse por Língua Portuguesa e ao desejo de trabalhar como professora.

Aprovação abriu caminho para o sonho de ser professora

Entrar na faculdade representou mais do que continuar os estudos. Para Vanusa, a formação superior criou uma possibilidade concreta de conquistar uma profissão e deixar a situação de rua.

“Foi uma emoção muito grande. Fui aprovada por meio das notas excelentes do meu histórico escolar. Escolhi letras por causa do meu sonho de ser professora. Português era a matéria que eu mais gostava. Esse foi o resultado para provar que estou no caminho certo. A educação vai me tirar da rua”, declarou Vanusa.

Priscila Falcão, professora de Língua Portuguesa, acompanhou o desempenho da jovem durante a escola. Ela reconheceu a dedicação de Vanusa e procurou mostrar que a estudante tinha capacidade para construir um futuro diferente.

“Ela sempre foi uma menina muito esforçada e dedicada na minha disciplina de Língua Portuguesa. Por ter ficado órfã cedo, enfrentou muitas coisas sozinha, mas eu sempre mostrava o quanto ela tinha capacidade para vencer na vida e conquistar um futuro diferente. A educação foi o mais importante. Eu fui um instrumento”, declarou Priscila Falcão.

Jovem também recebeu uma bolsa para cursar Pedagogia

A repercussão da aprovação trouxe uma nova oportunidade educacional. Vanusa recebeu uma bolsa de estudos para cursar Pedagogia a distância no Centro Universitário Internacional, uma faculdade particular.

Jovem também recebeu uma bolsa para cursar Pedagogia
Jovem também recebeu uma bolsa para cursar Pedagogia / Reprodução: @vanusa_jaqueline

Os cursos de Letras e Pedagogia estão ligados ao desejo da jovem de trabalhar com educação. Depois de concluir a primeira graduação, ela também pretende estudar para ingressar no curso de Direito.

A trajetória de Vanusa revela o peso da falta de moradia, equipamentos e espaço adequado sobre a vida de quem deseja estudar. O celular e a internet da rodoviária ofereceram recursos importantes, mas não substituíram a segurança e a estrutura de uma casa.

Entre a venda de paçocas, o horário limitado do abrigo e os estudos na rodoviária, a jovem conseguiu transformar o desempenho escolar em uma vaga na universidade. A aprovação em Letras abriu o caminho que ela pretende seguir para se tornar professora.

Quantos estudantes com capacidade semelhante ainda podem estar longe da faculdade apenas porque não possuem casa, computador ou um lugar tranquilo para estudar? Deixe sua opinião nos comentários.

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Jorge Oliveira da Silva
Jorge Oliveira da Silva
21/07/2026 16:45

Fantástico quem tem um sonho nunca pode desistir tem que persistir sempre Deus abençoe você esta jovem que ela seja feliz

Cirilo
Cirilo
21/07/2026 16:39

Ter sempre um objetivo na vida da gente faz a diferença e Vanusa tem um objetivo. Vá em frente que vai dar certo 🙂

Antônio
Antônio
21/07/2026 16:39

Isto mostra que querer é poder Sim, ao invés de ficar negativa com a situação deu a volta por cima e mostrou para muita gente na rua que todos podem da a volta por cima Sr quiserem. Parabêns Vanusa, vc merecem muito mais.

Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

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