Uma análise revelou que os ataques de 7 de março contra refinarias iranianas soltaram uma massa de dióxido de enxofre comparável à de uma erupção vulcânica, com impactos que chegaram até a Ásia Oriental
Um único dia de ataques a refinarias e depósitos de petróleo no Irã liberou cerca de 33 mil toneladas de dióxido de enxofre na atmosfera, volume comparável ao de uma grande erupção vulcânica. A nuvem tóxica se espalhou rapidamente e chegou a cerca de 2 mil quilômetros de distância em apenas dois dias.
As conclusões vêm de uma análise publicada pelo livescience.com, com base em imagens de satélites chineses e europeus. Segundo os pesquisadores, os incêndios provocados pelos ataques aéreos de 7 de março nas instalações de Fardis, Shahran, Aghdasieh e na Refinaria de Teerã elevaram de forma brusca a presença do gás sobre a capital iraniana no dia seguinte.
O estudo chama atenção não só pela quantidade emitida, mas pela velocidade com que a pluma se espalhou. Em 9 de março, ela já havia avançado até o leste da Ásia, embora tenha começado a se dissipar ao fim daquele mesmo dia.
-
Um cargueiro de 183 metros enfrentou ondas de dez metros, se partiu ao meio no Lago Huron e afundou em apenas oito minutos, mas um tripulante sobreviveu por 38 horas no frio extremo para contar como aconteceu o naufrágio do SS Daniel J. Morrell em 1966
-
A maior pegadinha da história das Copas? O filme que negou o Mundial de 1958, questionou o título do Brasil e mostrou como falsas provas podem parecer totalmente confiáveis na televisão
-
Lojas online falsas da Coreia do Sul viram saída para viciados em compras que querem sentir a emoção de escolher produtos, fechar pedidos e acompanhar entregas sem gastar dinheiro nem receber nada em casa
-
Uma orelha dentro de uma história de contrabando, impérios e batalhas gigantescas: por que a Guerra da Orelha de Jenkins recebeu esse nome e virou um dos conflitos mais curiosos do século 18
Volume de poluição foi comparado ao de uma erupção vulcânica

Os autores do estudo estimam que os incêndios liberaram cerca de 29,8 mil toneladas métricas de dióxido de enxofre, ou 33 mil toneladas no total, até 8 de março. É um nível que, segundo a análise, se aproxima do registrado em eventos vulcânicos de grande porte.
Para efeito de comparação, a erupção do Eyjafjallajökull, na Islândia, em 2010, expeliu aproximadamente 22 mil toneladas de dióxido de enxofre ao longo de três dias. Naquele caso, a nuvem de cinzas e gases provocou transtornos amplos, incluindo impacto na aviação europeia.
No episódio iraniano, a escala chama atenção porque a emissão aconteceu em apenas um dia. Os pesquisadores descrevem o evento como uma “grande emissão” que não deve ser subestimada justamente por sua curta duração.
Nuvem tóxica percorreu 1.240 milhas e atingiu área de 300 mil km²
O deslocamento da pluma foi acompanhado por sensores de ultravioleta e infravermelho de alta resolução, embarcados nos satélites FengYun 3, da China, e Sentinel-5 Precursor, da Agência Espacial Europeia. A combinação dessas imagens permitiu mapear a extensão do material lançado na atmosfera.
De acordo com a análise, a nuvem se espalhou por uma área de cerca de 185 mil milhas quadradas, o que equivale a 300 mil quilômetros quadrados. Ventos de nordeste empurraram o material para fora de Teerã e o levaram a uma distância próxima de 1.240 milhas, ou 2 mil quilômetros.
Mesmo com a dispersão em pouco tempo, os cientistas alertam que os efeitos ambientais não podem ser ignorados. O dióxido de enxofre é um dos principais precursores da chuva ácida e pode afetar solo, água e ecossistemas ao redor das áreas atingidas.

“Chuva negra” e sintomas relatados por moradores de Teerã
Além do gás, os incêndios também lançaram outros poluentes na atmosfera. Segundo os pesquisadores, os contaminantes se misturaram à precipitação e formaram uma espécie de “chuva negra”, carregada de partículas tóxicas como hidrocarbonetos.
O estudo relata que alguns moradores de Teerã sentiram dores de cabeça, gosto amargo na boca, irritação nos olhos e na pele, além de dificuldade para respirar. Os autores afirmam que esses efeitos merecem atenção, embora ainda sejam necessários novos estudos para medir com precisão o impacto à saúde pública.
A poluição por dióxido de enxofre também é associada a problemas de saúde mental, como depressão e ansiedade, além de efeitos respiratórios. A análise não calcula o tamanho total do dano humano, mas reforça que a exposição pode ter consequências que vão muito além do momento dos ataques.
Guerra já vinha elevando a carga de gases de efeito estufa
O episódio se soma a outras emissões ligadas ao conflito em curso entre Estados Unidos, Israel e Irã. Uma análise recente citada no estudo apontou que, entre 28 de fevereiro e 14 de março, a guerra emitiu mais dióxido de carbono do que a Islândia em todo o ano de 2024.
Isso coloca os ataques às refinarias dentro de uma sequência mais ampla de pressão ambiental causada pelo conflito. No caso do dióxido de enxofre, os efeitos são mais imediatos e localizados, mas podem se espalhar por milhares de quilômetros, como mostrou a trajetória da nuvem.
Os pesquisadores afirmam que ainda é preciso avançar nas investigações para medir os impactos específicos sobre a saúde e o ambiente após os ataques de março. O que já está claro é que, em um único dia, os incêndios nas instalações petrolíferas iranianas produziram uma emissão de escala incomum e com alcance internacional.
Se você quer acompanhar os próximos desdobramentos desse tipo de impacto ambiental em zonas de conflito, compartilhe esta reportagem e deixe sua opinião nos comentários.

Seja o primeiro a reagir!