Analistas projetam volatilidade global, alta do petróleo e efeitos diretos nas bolsas e petroleiras brasileiras
No sábado, 28 de junho de 2026, os Estados Unidos confirmaram grandes operações de combate contra o Irã, elevando imediatamente a tensão geopolítica no Oriente Médio. Como resultado, analistas passaram a projetar uma abertura com forte aversão ao risco na segunda-feira, segundo avaliações divulgadas por CNBC, Natixis e RB Investimentos.
Além disso, o presidente Donald Trump declarou que a ação eliminaria ameaças à segurança dos EUA. No entanto, simultaneamente, os mercados globais começaram a precificar possíveis desdobramentos econômicos. Portanto, a expectativa imediata envolve alta do petróleo, queda das bolsas e busca por ativos seguros.

Segundo Florian Weidinger, da Santa Lucia Asset Management, em entrevista à CNBC, as implicações superam crises recentes. Assim, diferentemente da Venezuela, cuja relevância era limitada a um tipo específico de petróleo pesado, o Irã produz cerca de 3,3 milhões de barris por dia, mesmo sob sanções internacionais.
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Atualmente, aproximadamente 90% das exportações iranianas seguem para a China, conforme dados de mercado. Além disso, as maiores reservas concentram-se em Ahvaz, Marun e no complexo de Karun Ocidental, na província de Khuzistão.
Estreito de Ormuz amplia risco sistêmico
Enquanto isso, o foco global se volta ao Estreito de Ormuz, localizado entre Irã e Omã. Por essa rota estratégica transitam cerca de 20% do consumo mundial diário de petróleo e parte relevante do gás natural liquefeito.
Segundo a empresa de inteligência Kpler, em 2025, cerca de 13 milhões de barris de petróleo por dia cruzaram o estreito, representando aproximadamente 31% do fluxo marítimo global. Portanto, qualquer bloqueio afetaria cadeias globais de energia.
De acordo com Pedro Rodrigues, diretor do CBIE, o risco envolve eventual escalada militar com ataques a navios petroleiros. Contudo, ele ressalta que há presença de um porta-aviões americano na região, fator que eleva o custo estratégico de qualquer bloqueio.
Reação imediata dos mercados financeiros
Historicamente, conforme destacou Gustavo Cruz, da RB Investimentos, restrições no Estreito de Ormuz pressionaram a inflação na Europa e nos Estados Unidos. Consequentemente, expectativas de cortes de juros foram revisadas nesses episódios.
Em junho de 2025, quando Israel atacou instalações nucleares iranianas, houve abertura negativa nas bolsas. Entretanto, após confirmação de que o estreito permaneceu aberto, os mercados se recuperaram.
Agora, segundo Kenneth Goh, da UOB Kay Hian, o padrão tende a se repetir. Assim, projeta-se fortalecimento do dólar americano, do iene japonês e do ouro, ativos tradicionalmente considerados seguros.
Além disso, Alicia García-Herrero, economista-chefe da Natixis para Ásia-Pacífico, estima queda inicial entre 1% e 2% nas ações globais, enquanto o petróleo pode subir entre 5% e 10%.
Impactos diretos no Brasil e na Petrobras
No Brasil, o mercado observará principalmente as petroleiras. Entre elas, destacam-se Petrobras (PETR3; PETR4), PRIO (PRIO3) e PetroRecôncavo (RECV3).
Em fevereiro de 2026, durante tensão semelhante entre EUA e Irã, essas ações subiram entre 7% e 12%, acompanhando o petróleo Brent, que fechou a US$ 72 por barril, maior nível em seis meses.
Entretanto, relatório do JPMorgan indicou que o Brasil aparece relativamente protegido de um choque energético. Isso ocorre porque o país é exportador líquido de energia, com exportações equivalentes a 2,6% do PIB e importações de 1,6%.
Ainda assim, o banco alertou para o risco de cauda em mercados emergentes. Portanto, mesmo com proteção relativa, o Brasil pode enfrentar maior volatilidade financeira.
Cenários de médio prazo para o petróleo
No médio prazo, o cenário pode se alterar. Em 2017, antes das sanções ampliadas, o Irã produzia 4,1 milhões de barris por dia. Atualmente, segundo dados setoriais citados por Cruz, a produção gira em torno de 3,2 milhões.
Diferentemente da Venezuela, cuja infraestrutura sofreu deterioração, o Irã mantém estrutura petrolífera operacional. Assim, caso ocorra mudança política e alinhamento com os EUA, a produção poderia superar 4 milhões de barris diários até o segundo semestre.
Consequentemente, após eventual alta inicial, o aumento de oferta tenderia a reduzir o preço de equilíbrio do petróleo. Portanto, para o segundo semestre de 2026, projeta-se possível efeito desinflacionário.
No âmbito político, Cruz ainda avalia que decisões externas podem influenciar o ambiente doméstico americano. Assim, movimentos estratégicos podem também refletir disputas internas.
Diante desse cenário, os mercados observarão atentamente as próximas respostas do Irã e a evolução do conflito. Afinal, será que a alta do petróleo será apenas temporária ou marcará uma nova fase de volatilidade global?

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