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Astrônomos capturam em tempo real a formação de dois planetas gigantes ao redor de uma estrela distante

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Escrito por Fabio Lucas Carvalho Publicado em 24/03/2026 às 20:13
Saiba mais sobre os planetas em desenvolvimento no disco ao redor de WISPIT 2, uma nova janela para a formação de mundos.
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Observações do sistema WISPIT 2 revelaram dois planetas gigantes em plena formação ao redor de uma estrela jovem, um registro raro na astronomia que também levantou a possibilidade de um terceiro mundo estar surgindo no mesmo disco de gás e poeira

Astrônomos registraram a formação de dois planetas gigantes ao redor da estrela jovem WISPIT 2, em um sistema cercado por gás e poeira que tem chamado atenção por lembrar uma fase inicial do Sistema Solar. As observações, detalhadas em estudo publicado nesta segunda-feira, 24 de março, reforçam a capacidade dos instrumentos atuais de acompanhar em tempo real o nascimento de mundos fora da Terra.

A identificação dos dois planetas em desenvolvimento foi feita dentro do disco que circunda WISPIT 2, uma estrela jovem cuja estrutura apresenta anéis e lacunas bem definidos. Para os pesquisadores, esse desenho oferece uma oportunidade rara de observar como sistemas planetários podem se organizar desde suas etapas mais precoces.

Segundo Chloe Lawlor, estudante de doutorado da Universidade de Galway, na Irlanda, e autora principal do estudo, o sistema fornece a melhor visão já obtida do passado do próprio Sistema Solar. A pesquisa foi publicada no periódico The Astrophysical Journal Letters.

Sistema raro mostra formação simultânea de planetas

O WISPIT 2 é apenas o segundo sistema conhecido em que astrônomos conseguiram observar diretamente a formação de dois planetas ao redor da mesma estrela. O primeiro caso identificado havia sido o do sistema PDS 70.

O que diferencia o WISPIT 2, segundo os pesquisadores, é o tamanho do disco de formação planetária e a nitidez das suas estruturas internas. Os anéis e lacunas observados sugerem que esse ambiente pode abrigar ainda mais planetas em processo de surgimento.

Lawlor afirmou que essas estruturas indicam a possibilidade de outros corpos estarem se formando no sistema e serem detectados futuramente. Já o coautor Christian Ginski, também da Universidade de Galway, disse que o WISPIT 2 funciona como um laboratório crucial para observar não só o nascimento de um planeta isolado, mas de um sistema planetário inteiro.

A observação de sistemas como esse, segundo os autores, ajuda a entender como conjuntos planetários jovens evoluem até atingir configurações mais maduras. A comparação com o nosso Sistema Solar aparece como uma das chaves da análise apresentada pelos pesquisadores.

WISPIT 2b e WISPIT 2c ampliam o retrato do sistema

O primeiro planeta identificado no sistema, chamado WISPIT 2b, já havia sido relatado no ano passado. De acordo com o estudo, ele possui quase cinco vezes a massa de Júpiter e orbita sua estrela a uma distância cerca de 60 vezes maior que a distância entre a Terra e o Sol.

Richelle van Capelleveen, doutoranda do Observatório de Leiden, na Holanda, e líder do estudo anterior, afirmou que a descoberta desse primeiro mundo em formação mostrou o potencial dos instrumentos atuais. Depois disso, os astrônomos notaram outro objeto próximo à estrela e aprofundaram a investigação.

Com novas observações, os cientistas confirmaram que esse segundo objeto também era um planeta. Batizado de WISPIT 2c, ele orbita muito mais perto da estrela, a uma distância cerca de quatro vezes menor que a de WISPIT 2b, e tem aproximadamente o dobro da massa do primeiro planeta.

Os dois corpos confirmados são gigantes gasosos, semelhantes a Júpiter e aos demais planetas externos do Sistema Solar. Essa característica reforça a comparação entre o sistema observado e uma versão inicial da vizinhança cósmica em que a Terra se formou.

Telescópios do ESO foram decisivos para a confirmação

Para verificar a natureza de WISPIT 2c, os pesquisadores recorreram ao Very Large Telescope, o VLT, do Observatório Europeu do Sul, usando o instrumento SPHERE para obter imagens diretas. Em seguida, utilizaram o instrumento GRAVITY+, do Interferômetro do VLT, para confirmar que o objeto era de fato um planeta.

Guillaume Bourdarot, pesquisador do Instituto Max Planck de Física Extraterrestre, em Garching, na Alemanha, e coautor do estudo, afirmou que a atualização recente do GRAVITY+ foi fundamental para a detecção. Segundo ele, sem essa melhoria, não teria sido possível obter uma observação tão clara de um planeta tão próximo de sua estrela.

Além de registrar os dois gigantes gasosos, os astrônomos analisaram a disposição deles dentro do disco de gás e poeira. Ambos ocupam lacunas bem definidas, abertas à medida que o material do disco vai sendo atraído pela gravidade e incorporado ao planeta em formação.

Esse processo deixa marcas visíveis no sistema. Conforme o planeta reúne material próximo, surge uma lacuna na região percorrida, enquanto o gás e a poeira remanescentes se organizam em padrões de anel ao redor dessas áreas.

Uma terceira lacuna levanta nova suspeita

Os pesquisadores também identificaram uma lacuna menor e mais distante no disco de WISPIT 2. A estrutura chamou atenção porque difere das outras duas por ser mais estreita e mais rasa.

Para Chloe Lawlor, há a suspeita de que um terceiro planeta esteja ocupando esse espaço. Segundo a pesquisadora, esse possível novo mundo teria potencialmente massa comparável à de Saturno, justamente por causa das características observadas nessa terceira lacuna.

A equipe pretende aprofundar o estudo do sistema em observações futuras. Christian Ginski afirmou que, com o futuro Telescópio Extremamente Grande do ESO, poderá ser possível obter imagens diretas desse eventual terceiro planeta.

No momento, porém, o principal avanço está na confirmação de dois planetas gigantes em plena formação ao redor de uma estrela jovem. Para os astrônomos, o WISPIT 2 se consolida como um dos exemplos mais relevantes já observados para acompanhar, em detalhes, como nasce um sistema planetário.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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