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Descoberta surpreendente revela que vírus que afeta quase todos os bebês hoje já estava presente no DNA humano há mais de 2.500 anos, com evidências encontradas em esqueletos da Idade do Ferro espalhados pela Europa

Escrito por Ana Alice
Publicado em 14/01/2026 às 10:10
Atualizado em 02/02/2026 às 19:31
Estudo identifica genomas do HHV-6 em esqueletos europeus da Idade do Ferro e mostra que o vírus circula entre humanos há mais de 2.500 anos. (Imagem: BBC/Swat Archaeology
Estudo identifica genomas do HHV-6 em esqueletos europeus da Idade do Ferro e mostra que o vírus circula entre humanos há mais de 2.500 anos. (Imagem: BBC/Swat Archaeology
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Análise genética de milhares de esqueletos europeus identificou vestígios antigos de um vírus ainda comum na infância, revelando integração ao DNA humano e uma convivência contínua entre patógenos e populações desde períodos históricos remotos.

O vírus associado à roséola infantil e a parte das febres comuns na primeira infância, o HHV-6B (Herpesvírus Humano 6B), já circulava entre humanos há pelo menos 2.500 anos e, em alguns casos, teve seu material genético integrado de forma estável ao DNA das pessoas.

A constatação é de um estudo que reconstruiu genomas antigos dos vírus HHV-6A e HHV-6B a partir de restos mortais encontrados em sítios arqueológicos europeus, indicando infecções e integrações ocorridas desde a Idade do Ferro.

A pesquisa foi publicada na revista Science Advances e conduzida por equipes da Universidade de Viena, na Áustria, e da Universidade de Tartu, na Estônia.

Os cientistas analisaram milhares de amostras de esqueletos para identificar vestígios virais preservados no material genético humano e, a partir desses dados, reconstruir a trajetória histórica desses herpesvírus na Europa.

Atualmente, estudos epidemiológicos indicam que cerca de 90% das crianças são infectadas pelo HHV-6B até os dois anos de idade.

Na maioria dos casos, a infecção ocorre de forma assintomática ou com sintomas leves, como febre, e em parte das crianças pode provocar a roséola, uma doença comum na primeira infância.

Vestígios genéticos em esqueletos da Idade do Ferro

Para localizar sinais de um vírus que normalmente infecta precocemente e permanece latente no organismo, os pesquisadores adotaram uma estratégia de rastreamento em larga escala.

Ao todo, quase 4 mil amostras de indivíduos enterrados em diferentes regiões da Europa foram examinadas, abrangendo períodos que vão da Idade do Ferro à Idade Média.

A partir desse conjunto, a equipe conseguiu reconstruir 11 genomas virais antigos.

O mais antigo deles foi identificado em restos mortais de uma jovem que viveu na atual Itália entre 1100 e 600 a.C., período associado à Idade do Ferro na região.

Outros genomas foram encontrados em indivíduos que viveram na Inglaterra medieval, além de amostras provenientes da Bélgica e da Estônia.

Também foram identificados vestígios virais em materiais arqueológicos da Itália e da Rússia atribuídos ao início do período histórico.

Segundo os autores, a distribuição geográfica dessas amostras indica que os herpesvírus humanos do tipo 6 estavam amplamente disseminados na Europa há mais de dois milênios.

Um dos aspectos centrais do estudo é que os genomas identificados não indicam apenas infecções transitórias.

Em parte dos casos, os dados são compatíveis com a integração do DNA viral aos cromossomos humanos, um fenômeno raro, mas já documentado em estudos modernos sobre o HHV-6.

Quando o HHV-6 se torna hereditário

Assim como outros herpesvírus, o HHV-6 pode permanecer latente no organismo após a infecção inicial.

A diferença, segundo a literatura científica, é que os subtipos HHV-6A e HHV-6B têm a capacidade de integrar seu genoma ao DNA humano, em situações específicas.

Quando essa integração ocorre em células germinativas, o material genético viral pode ser transmitido aos descendentes, passando a fazer parte do DNA herdado.

Estimativas atuais indicam que cerca de 1% da população mundial carrega essa forma hereditária do vírus em todas as células do corpo.

Esse dado ajuda a explicar por que a identificação do HHV-6 em DNA antigo é incomum.

Conforme destacam os autores, apenas os casos em que o vírus foi herdado geneticamente têm maior chance de serem detectados em restos mortais antigos, o que torna esse tipo de achado raro.

Em comunicado institucional, a pesquisadora Meriam Guellil, da Universidade de Viena, afirma que, embora quase toda a população humana seja infectada pelo HHV-6 ao longo da vida, apenas uma pequena fração carrega o vírus de forma hereditária, o que limita a detecção em estudos arqueogenéticos.

Linha do tempo viral reconstruída a partir de genomas antigos

Com base nos genomas reconstruídos, os pesquisadores afirmam ser possível traçar a evolução do HHV-6 na Europa por mais de 2.500 anos, utilizando sequências que vão do século 8º ao 6º a.C. até dados genéticos contemporâneos.

A comparação entre genomas antigos e modernos também permitiu observar diferenças evolutivas entre os dois subtipos analisados.

Segundo os autores, os dados sugerem que o HHV-6A perdeu, ao longo do tempo, a capacidade de se integrar ao genoma humano, enquanto o HHV-6B manteve essa característica.

Os casos identificados em indivíduos da Inglaterra medieval chamam atenção por estarem associados a formas hereditárias do HHV-6B.

De acordo com o estudo, esses indivíduos figuram entre os mais antigos hospedeiros conhecidos de herpesvírus humanos integrados aos cromossomos.

Na Bélgica, o sítio arqueológico de Sint-Truiden concentrou o maior número de amostras positivas, incluindo indivíduos portadores de genomas do HHV-6A e do HHV-6B.

Para os pesquisadores, isso indica a circulação simultânea dos dois vírus em determinadas populações europeias do passado.

Impacto do estudo na compreensão do vírus atualmente

Embora seja mais conhecido por causar roséola e febres na infância, o HHV-6B é estudado por sua relação com outros quadros clínicos, como convulsões febris em crianças pequenas.

O estudo não avalia efeitos clínicos nos indivíduos antigos, mas contribui para a compreensão da longa associação entre o vírus e a espécie humana.

Segundo Guellil, dados genéticos modernos já indicavam que o HHV-6 poderia ter evoluído junto aos humanos desde períodos muito antigos, possivelmente desde migrações fora da África.

Para a pesquisadora, os genomas antigos agora fornecem evidências diretas dessa presença no passado remoto.

Os autores destacam que o estudo não altera o entendimento clínico atual sobre o HHV-6, mas oferece um contexto histórico e evolutivo mais amplo.

A pesquisa conecta infecções comuns na infância moderna a registros genéticos preservados por milênios, permitindo observar como esses vírus acompanharam populações humanas ao longo do tempo.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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