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As incríveis múmias mais antigas do planeta estavam escondidas no Sudeste Asiático: achado de 12.000 anos dobra a idade conhecida da mumificação e vira a grande descoberta arqueológica de 2025

Publicado em 13/05/2026 às 14:27
Atualizado em 13/05/2026 às 14:31
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Imagem: Ilustração artística fiel a realidade
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Descoberta em onze sítios do Sudeste Asiático revelou restos humanos preservados por fumaça há mais de 12.000 anos e mudou a cronologia da mumificação intencional

Restos humanos com mumificação de mais de 12.000 anos, achados em onze sítios do Sudeste Asiático, mudaram a cronologia e foram eleitos pela Historia National Geographic como a maior descoberta arqueológica de 2025.

Mumificação por fumaça mudou a linha do tempo

Durante mais de um século, manuais de arqueologia colocaram as origens mais antigas da mumificação em dois pontos: o Egito, com práticas de 4.500 anos, e Chinchorro, no Chile, com múmias de cerca de 7.000 anos.

Esse eixo entre África e América parecia consolidado. Em setembro de 2025, a Australian National University rompeu essa leitura ao identificar restos humanos preservados há mais de 12.000 anos em onze sítios do Sudeste Asiático.

O achado antecede os registros egípcios e os de Chinchorro. Ele dobra a estimativa anterior para a mumificação e mostra que comunidades pré-históricas realizavam rituais complexos antes do que se imaginava.

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Exemplos de sepultamentos de Huiyaotian (HYT), Guangxi, no sul da China, anteriormente suspeitos de serem desmembrados. HYT-M29 (mulher adulta): o quadril e o joelho estão posicionados adjacentes um ao outro, uma orientação anatomicamente impossível. HYT-M56 (homem adulto): a coluna vertebral está voltada para cima, mas o quadril está em decúbito ventral, novamente uma orientação anatomicamente impossível. HYT-M15 (criança de 3 a 5 anos): ossos altamente compactados e agrupados. – Créditos: (PNAS/Hsiao-chun Hung/Zhenhua Deng/ YihengLiu, Hirofumi Matsumara)

Como os corpos foram preservados

Os restos não foram conservados por areia seca nem por frio extremo. As evidências apontam para um processo deliberado de desidratação por fumaça, feito com calor controlado.

Essa técnica aquecia e secava o corpo, criando condições difíceis para bactérias e retardando a decomposição. As marcas exigiram análises químicas avançadas e comparações com marcadores de outros métodos.

A distribuição dos sítios indica que a prática não pertencia a um grupo isolado. Ela aparece como tradição espalhada por comunidades de florestas tropicais, cavernas úmidas e áreas onde a preservação natural seria improvável.

A umidade do Sudeste Asiático deveria ter destruído vestígios orgânicos muito antes. Mesmo assim, os restos chegaram ao presente com sinais de preservação intencional.

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O que a descoberta revela sobre os antigos rituais

A descoberta muda a forma como a arqueolgia entende a relação humana com a morte. Por muito tempo, a mumificação foi vista como inovação tardia, ligada a civilizações com hierarquias sociais e recursos para cerimônias elaboradas.

As múmias do Sudeste Asiático contrariam essa ideia. Há 12.000 anos, o mundo ainda era habitado por caçadores-coletores, mas algumas comunidades desenvolviam práticas funerárias sofisticadas para presevar os mortos.

Isso indica que a preocupação com a memória, com o corpo e com o que ocorre após a morte é mais antiga do que o registro arqueológico dominante sugeria.

Sem os recursos da mumificação egípcia, comunidades tropicais encontraram caminhos próprios. A solução por fumaça mostra criatividade técnica onde a conservação de matéria orgânica era difícil.

Por que o Sudeste Asiático ficou fora do centro

A ausência do Sudeste Asiático no relato arqueológico tem explicação climática. Florestas tropicais úmidas destroem ossos, tecidos e artefatos orgânicos com rapidez, dificultando a sobrevivência de vestígios.

Também há uma dimensão acadêmica. A arqueologia mundial concentrou recursos e atenção em centros clássicos do Mediterrâneo, do Nilo e das Américas. Regiões com menor visibilidade receberam menos escavações e financiamento.

O achado da Australian National University funciona como descoberta e alerta. A história humana se desenvolveu em muitos lugares, e parte dessa diversidade permanece fora do debate científico global.

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Exemplos de múmias defumadas mantidas em residências particulares em Papua, Indonésia, fotografadas em janeiro de 2019. ( A ) Uma múmia Dani hiperflexionada; ( B ) Uma múmia flexionada da Vila Pumo. Ambos os locais ficam em Wamena, Regência de Jayawijaya, Papua. – Créditos: (PNAS/Hsiao-chun Hung/Zhenhua Deng/ YihengLiu, Hirofumi Matsumara)

Outros achados de 2025 também chamaram atenção

A Historia National Geographic avaliou outros finalistas em 2025. Um monumento maia revelou um mapa do cosmos de 3.000 anos, com alinhamentos astronômicos em estudo.

Também houve um navio medieval em Barcelona e um afresco em Pompeia ligado a um culto desconhecido, com iconografia sem correspondência em registros religiosos romanos conhecidos.

Ainda assim, nenhum deles alterou um marco teórico central quanto as múmias asiáticas. A força da descoberta está em reorganizar uma narrativa, e não apenas acrescentar um novo episódio ao conhecimento arqueológico.

O que muda na compreensão da evolução cultural

A descoberta levanta uma pergunta que seguirá aberta: a mumificação surgiu de forma independente em diferentes lugares e épocas, ou houve algum tipo de transmissão cultural entre grupos distantes?

As múmias do Sudeste Asiático são 5.000 anos mais antigas do que as de Chinchorro. A distância geográfica torna o contato direto improvável, sugerindo que grupos diferentes chegaram a soluções semelhantes por caminhos próprios.

Preservar os mortos, resistir ao esquecimento e manter vínculos simbólicos com quem morreu podem ser respostas humanas antigas. A distância de 12.000 anos não apaga essa continuidade. Ela a torna mais nítida.

Com informações de Catraca Livre.

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Romário Pereira de Carvalho

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