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Arqueólogos descobrem na China uma tumba de 5.000 anos com mais de 350 artefatos, quase 200 jades e sinais de destruição intencional, em uma descoberta que pode ser a porta de entrada para um reino pré-histórico perdido

Escrito por Ana Alice
Publicado em 03/04/2026 às 13:49
Atualizado em 03/04/2026 às 13:52
Arqueólogos encontram tumba de 5.000 anos na China com mais de 350 objetos e sinais de poder em possível reino pré-histórico. (Imagem: Ilustrativa)
Arqueólogos encontram tumba de 5.000 anos na China com mais de 350 objetos e sinais de poder em possível reino pré-histórico. (Imagem: Ilustrativa)
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Descoberta na China revela vestígios raros de poder, hierarquia social e destruição ritual em um sítio arqueológico que vem alterando a leitura de pesquisadores sobre a complexidade das sociedades neolíticas ligadas à cultura Dawenkou.

Uma tumba com cerca de 5 mil anos, localizada nas ruínas de Wangzhuang, na província chinesa de Henan, levou arqueólogos a reavaliar a importância do sítio para o estudo da China neolítica.

O sepultamento, identificado como M27, reúne dimensões incomuns para a época, um conjunto funerário com mais de 350 objetos e sinais de destruição logo após o enterro.

Para os pesquisadores responsáveis pela escavação, o achado reforça a hipótese de que Wangzhuang não era um assentamento comum, mas possivelmente um centro de poder ligado à cultura Dawenkou.

O que foi encontrado no túmulo M27

A estrutura escavada em Yongcheng tem mais de 17 metros quadrados, medida considerada fora do padrão para o período.

Segundo a agência estatal Xinhua, o túmulo tem entre 4,52 e 4,8 metros de comprimento e entre 3,47 e 3,68 metros de largura, além de caixões interno e externo de madeira.

No interior, os arqueólogos catalogaram mais de 100 peças de cerâmica, quase 200 pequenos ornamentos de jade, ferramentas de osso e restos de animais.

Entre esses vestígios, aparecem mandíbulas de porco, associadas a riqueza e prestígio social naquele contexto cultural, de acordo com os pesquisadores chineses.

A presença desse material, somada à quantidade de jade e cerâmica, é tratada pela equipe como um indicativo da posição social do indivíduo sepultado.

A avaliação faz parte do conjunto de interpretações arqueológicas ainda em análise.

A concentração e a qualidade dos objetos chamaram atenção também pelo que podem revelar sobre a organização social da época.

Imagem: Reprodução/Xinhua
Imagem: Reprodução/Xinhua

Liu Haiwang, líder da equipe arqueológica conjunta citada pela Xinhua, afirmou que a riqueza dos bens funerários acompanha o tamanho dos túmulos, o que, segundo os pesquisadores, aponta para uma hierarquia social já definida naquele momento.

A leitura é usada para sustentar a existência de diferenciação de status e de distribuição desigual de recursos.

Nesse contexto, a própria classificação do túmulo passou a ter peso maior nas análises.

Arqueólogos chineses disseram à Xinhua que o ocupante da M27 pode ter sido um “rei” de um estado pré-histórico, formulação apresentada de forma cautelosa e baseada no porte da sepultura e no conjunto funerário.

Mais do que o título atribuído ao morto, o dado central para os pesquisadores é a possibilidade de já existirem formas de autoridade política e distinção social em escala mais complexa do que a suposta anteriormente para essa fase.

Wangzhuang e a relevância arqueológica da cultura Dawenkou

As ruínas de Wangzhuang pertencem aos períodos médio e tardio da cultura Dawenkou, datada entre 4000 a.C. e 2600 a.C.

Desde 2023, equipes do Instituto Provincial de Patrimônio Cultural e Arqueologia de Henan, da Capital Normal University e de outras instituições atuam nas escavações do local.

Em outubro de 2024, a Xinhua informou que 45 tumbas da cultura Dawenkou haviam sido identificadas na área naquele ano, com 27 já escavadas.

Além disso, mais de mil artefatos funerários foram recuperados no sítio, segundo a mesma agência.

Esse volume de material ampliou o interesse acadêmico pela área e reforçou a avaliação de que o local pode ter desempenhado uma função regional mais ampla.

O sítio passou a ser analisado não apenas como área funerária, mas também como possível núcleo de organização política e social.

Foi nesse cenário que a interpretação sobre Wangzhuang mudou de escala.

Zhu Guanghua, professor associado da Capital Normal University, afirmou à Xinhua que a descoberta mais recente indica que o sítio não era um assentamento ordinário, mas possivelmente a capital de um reino pré-histórico.

A hipótese considera não só a M27, mas também o conjunto das sepulturas, a diferença de status entre elas e a variedade dos objetos já encontrados.

Ainda assim, os próprios dados disponíveis recomendam cautela.

O material divulgado até agora aponta para uma interpretação arqueológica em desenvolvimento, e não para uma conclusão definitiva.

O peso do sítio aumentou porque ele fornece evidências concretas de estratificação social e de circulação de bens simbólicos, mas a definição exata do papel político de Wangzhuang permanece dependente do avanço das escavações e das análises laboratoriais.

O Museu do Sítio Arqueológico de Dawenkou reproduz a vida antiga e os costumes populares da bacia do rio Dawen por meio de exposições. (Imagem: Reprodução/SDTXTA)
O Museu do Sítio Arqueológico de Dawenkou reproduz a vida antiga e os costumes populares da bacia do rio Dawen por meio de exposições. (Imagem: Reprodução/SDTXTA)

Trocas culturais e circulação de objetos na China neolítica

Outro ponto que ampliou o interesse pelo sítio foi a diversidade cultural sugerida pelos artefatos.

De acordo com Li Xinwei, vice-diretor do instituto de história antiga da Academia Chinesa de Ciências Sociais, também citado pela Xinhua, o material encontrado mostra influências do leste da China, da região central e da bacia do rio Yangtzé.

Entre os exemplos mencionados estão objetos associados à cultura Yangshao, encontrados no mesmo contexto em que aparecem elementos típicos de Dawenkou.

Para os arqueólogos, esse conjunto indica que Wangzhuang funcionava como uma área de contato entre tradições distintas, e não como uma comunidade isolada.

A presença simultânea de materiais vinculados a diferentes culturas neolíticas é tratada como evidência de interação entre grupos de regiões diversas.

Segundo os especialistas, isso pode ter ocorrido por meio de redes de circulação, intercâmbio ritual ou outras formas de contato ainda em investigação.

Essa interpretação se aproxima de uma linha mais recente da arqueologia chinesa, que procura compreender a formação da civilização no território como um processo plural, com núcleos regionais em interação.

Wangzhuang ganhou destaque justamente por oferecer vestígios materiais desse cruzamento de influências.

Cerâmica, práticas funerárias e características observadas nos restos humanos integram esse quadro analisado pelos pesquisadores.

Marcas de destruição na tumba de 5 mil anos

A tumba M27 também apresenta sinais de intervenção posterior ao enterro.

Segundo Zhu Guanghua, o túmulo foi gravemente danificado depois do sepultamento.

A maior parte dos restos do indivíduo enterrado desapareceu, com preservação de apenas alguns ossos dos dedos dos pés.

Pequenos ornamentos de jade foram encontrados espalhados dentro e fora do caixão.

Além disso, várias lâminas cerimoniais de pedra apareceram quebradas de forma intencional, de acordo com a equipe.

Os arqueólogos informaram que ainda investigam a razão dessa destruição.

Até o momento, a informação confirmada é a existência de dano deliberado pouco tempo depois do funeral, sem conclusão pública definitiva sobre a causa.

Esse aspecto alterou o foco da descoberta.

Além de se tratar de um enterro monumental, a M27 registra uma violação posterior que ainda não foi explicada de forma conclusiva.

Entre as possibilidades consideradas pelos especialistas estão disputa de poder, saque ou algum tipo de prática ritual, mas nenhuma dessas hipóteses foi confirmada publicamente até agora.

O valor científico do sítio está ligado, portanto, a duas frentes principais.

De um lado, o material ajuda a documentar a presença de desigualdade social, especialização produtiva e circulação de objetos de prestígio há cerca de 5 mil anos.

De outro, indica que esses grupos já mantinham formas complexas de interação regional e possivelmente de conflito, segundo a leitura dos arqueólogos envolvidos no estudo.

Com parte das tumbas ainda por escavar, Wangzhuang segue como um dos sítios acompanhados por pesquisadores interessados na formação de estruturas políticas no neolítico chinês.

As próximas etapas das escavações e das análises podem ajudar a esclarecer o papel do local dentro da cultura Dawenkou e a razão pela qual a tumba M27 foi alvo de destruição logo após o enterro.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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