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ArcelorMittal confirma até R$ 5 bilhões em novo laminador a frio em Tubarão, no Espírito Santo, com 560 mil toneladas por ano, 3 mil empregos no pico da obra e operação em 2030

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Escrito por Douglas Avila Publicado em 30/08/2026 às 16:51 Atualizado em 30/08/2026 às 16:57
Vista aérea da usina ArcelorMittal Tubarão, na Serra, Espírito Santo
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A siderúrgica aprovou nesta sexta-feira (28) um laminador de tiras a frio e uma linha de revestimento contínuo na Unidade Tubarão, na Serra, um pacote estimado entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões que vai transformar bobinas a quente já produzidas ali em aço galvanizado para carros, eletrodomésticos e obras, sem sair do Espírito Santo.

O anúncio saiu na tarde de 28 de agosto de 2026 e, segundo a reportagem do G1 ES, a nova linha de revestimento terá capacidade para 560 mil toneladas por ano de produtos revestidos. As obras começam ainda em 2026, devem durar cerca de três anos e meio e a operação está prevista para o primeiro semestre de 2030.

Conforme a companhia, a construção deve gerar 3 mil empregos no pico das obras. Depois, na fase de operação, cerca de 450 profissionais vão trabalhar diretamente nas novas instalações. Ou seja, o grosso do impacto no mercado de trabalho capixaba vem no canteiro, entre 2027 e 2029, e não na planta pronta.

Jorge Oliveira, presidente da ArcelorMittal Brasil e CEO da ArcelorMittal Aços Planos LATAM, chamou o projeto de “um marco que reforça nosso compromisso com o desenvolvimento do Espírito Santo”. Na mesma declaração, reproduzida pelo Tribuna Online, ele falou em “efeito multiplicador positivo em toda a cadeia de valor” e em fortalecer a presença da empresa “em mercados de alto valor agregado, como os setores automotivo, da linha branca e da construção civil”.

Instalações industriais e altos-fornos da ArcelorMittal Tubarão vistos do alto

O que Tubarão produz hoje e o que muda com o laminador de tiras a frio

Para entender o tamanho da mudança, vale olhar o que a usina faz agora. A Unidade Tubarão nasceu como Companhia Siderúrgica de Tubarão, a CST, criada em 1976 e em operação desde novembro de 1983, e completou mais de quarenta anos de operação. Segundo levantamento do colunista Abdo Filho, de A Gazeta, ela produz 7,5 milhões de toneladas de placas por ano e roda 4,4 milhões de toneladas no laminador de tiras a quente.

A placa é o produto mais bruto da siderurgia integrada: um bloco grosso de aço que vai para exportação ou para outros laminadores. A bobina a quente é um degrau acima, uma chapa enrolada com espessura ainda alta. Até aqui, era onde Tubarão parava. O aço fino, liso e galvanizado que entra na carroceria de um carro ou na porta de uma geladeira era feito em outro lugar.

Esse outro lugar tem nome. Em fevereiro de 2025, quando a primeira versão do projeto foi apresentada, o vice-governador Ricardo Ferraço explicou, em declaração publicada por A Gazeta, que parte relevante do aço capixaba seguia para beneficiamento em Santa Catarina, “que fica com o filé, porque produz esses aços para a indústria automotiva”. A unidade da ArcelorMittal em São Francisco do Sul opera um laminador a frio de 2,2 milhões de toneladas por ano, conforme o mesmo jornal.

O laminador de tiras a frio muda exatamente esse fluxo. Ele pega a bobina a quente já feita em Tubarão, reduz a espessura a frio e entrega uma chapa de precisão. Em seguida, a linha de revestimento contínuo aplica uma camada metálica que, de acordo com a empresa, garante maior resistência à corrosão e acabamento diferenciado. Com isso, Tubarão passa a ser uma usina 100% verticalizada, da placa ao galvanizado, sem embarcar aço para outro estado.

Usina siderúrgica de Tubarão e terminal portuário às margens do litoral capixaba

De R$ 4 bilhões e 2029 para R$ 5 bilhões e 2030

O projeto não é novo, e é justamente por isso que a confirmação de agora tem peso. A versão original, divulgada no comunicado da ArcelorMittal Brasil em fevereiro de 2025, falava em R$ 3,8 bilhões a R$ 4 bilhões, 2.500 empregos no pico e operação no primeiro semestre de 2029. Naquele texto, a empresa também se comprometia a não aumentar as emissões atmosféricas nem o consumo de água do rio Santa Maria da Vitória.

Entre um anúncio e outro, o cronograma quase descarrilou. Em agosto de 2025, durante a MecShow, Jorge Oliveira admitiu ao mesmo colunista de A Gazeta que a importação de aço tinha dobrado em poucos meses, passando de 4 milhões de toneladas, e que o investimento “pode acabar atrasando”. A queixa do setor era o aço da China e do Egito entrando a preços que a siderurgia brasileira classifica de predatórios.

A virada veio em 2026. Em 24 de fevereiro, a GWM confirmou uma fábrica de automóveis em Aracruz, no norte capixaba, com capacidade para até 200 mil carros por ano. No dia seguinte, Oliveira disse a A Gazeta que o anúncio “entra na conta e facilita a nossa argumentação de investimento”, desde que a montadora consuma aço produzido no Brasil. As decisões antidumping do governo federal contra o aço chinês e indiano, no mesmo período, também pesaram. A decisão final, ele prometeu, sairia até o fim do primeiro semestre. Saiu com dois meses de atraso, mas com o número maior.

Confesso que o detalhe que mais chama atenção não é o valor, e sim a geografia. Segundo o colunista, a planta da GWM em Aracruz ficará a cerca de 60 quilômetros de Tubarão. A montadora deve abrir em 2028 e o laminador em 2030. Não existe contrato de fornecimento anunciado entre as duas empresas, e qualquer projeção nesse sentido ainda é prematura. Mas a lógica industrial de ter chapa galvanizada a uma hora de estrada da linha de montagem é difícil de ignorar.

Complexo industrial da ArcelorMittal Tubarão em vista aérea panorâmica

Por que a ArcelorMittal aposta no mercado interno

A justificativa oficial para o investimento passa por um número que a empresa vem repetindo. Segundo dados apresentados no anúncio, o consumo de aço por habitante no Brasil é de 122,5 quilos por ano, 41% abaixo da média mundial, que chega a 209 quilos. Na leitura da companhia, isso não é fraqueza, é espaço para crescer, sobretudo nos produtos de maior valor agregado.

O movimento, chamado de downstream no jargão do setor, já vinha sendo montado. Conforme o Tribuna Online, a ArcelorMittal Brasil adquiriu no ano passado a Tuper, que atende os segmentos automotivo, de óleo e gás, construção e energia fotovoltaica; a Tekno, de aços pré-pintados; e a Dânica e a Perfilor, voltadas a soluções para a construção. O laminador de Tubarão é a peça que faltava para alimentar essas empresas com chapa própria, feita no mesmo estado onde a placa nasce.

Para o Espírito Santo, a conta é de longo prazo. Além dos 3 mil empregos temporários e das 450 vagas fixas, o estado ganha um argumento que não tinha até agora: quem fabrica carro, geladeira ou perfil metálico pode se instalar perto do fornecedor de aço acabado, e não só perto do porto. Em 2025, Ferraço já citava a Marcopolo, que monta ônibus em solo capixaba, como exemplo do que o estado quer atrair em maior escala. Dá pra entender por que A Gazeta classificou o projeto como um dos maiores investimentos privados da história do estado.

Enquanto isso, a obra ainda nem começou. Serão três anos e meio de canteiro dentro de uma usina em operação, com engenharia e contratações previstas desde o primeiro semestre de 2026. O resultado, se o cronograma segurar, é uma siderúrgica que, pela primeira vez em mais de quarenta anos de história, entrega o produto final que sai dela em vez de mandar o filé para outro estado.

Com aço galvanizado feito no Espírito Santo a partir de 2030, quais indústrias você acha que vão se mudar para perto de Tubarão?

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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