Com mais de 10 mil objetos ligados à Starlink em órbita, sistemas autônomos já realizam desvios, enquanto especialistas alertam para detritos, novas constelações e possível expansão dos centros de dados orbitais também nos próximos anos
A órbita baixa da Terra já concentra mais de 34 mil satélites e pedaços de detritos, segundo o The Wall Street Journal. Com pelo menos 41 mil novos satélites previstos entre 2026 e 2034, cresce a necessidade de evitar colisões em uma região onde objetos viajam a aproximadamente 28 mil km/h.

Órbita baixa da Terra funciona como uma movimentada rodovia espacial
A região considerada órbita baixa se estende aproximadamente entre 160 e 1.930 quilômetros de altitude. Nela, os objetos podem atingir 17.500 milhas por hora e completar uma volta ao planeta entre 90 e 120 minutos.
Essa combinação de velocidade e quantidade de equipamentos torna qualquer aproximação relevante. A SpaceX já possui mais de 10 mil objetos relacionados à Starlink em órbita, sendo a maioria formada por satélites ativos usados no serviço de internet.
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Esses equipamentos enviam informações sobre sua localização. Segundo a empresa, os dados são compartilhados continuamente com militares e outros operadores enquanto sistemas calculam possíveis aproximações entre objetos.
Quando a probabilidade de colisão ultrapassa três em 10 milhões, um satélite Starlink pode modificar sua própria trajetória.
O sistema utiliza software de prevenção de colisões combinado à propulsão instalada no equipamento.

41 mil novos satélites podem aumentar congestionamento até 2034
A ocupação deve avançar nos próximos anos. Pelo menos 41 mil novos satélites estão previstos para entrar na órbita baixa entre 2026 e 2034.
Cerca de dois terços desses equipamentos devem pertencer à SpaceX, à Amazon e a empresas chinesas, ampliando uma região que já recebe constelações destinadas a diferentes serviços.
Outra possibilidade envolve centros de dados orbitais. O conceito prevê conjuntos de satélites equipados com chips de inteligência artificial funcionando no espaço.
Dallas Kasaboski, analista da Analysys Mason, estima que esse mercado poderia elevar o número de satélites para aproximadamente 1,5 milhão.
Jonathan McDowell, astrofísico ouvido pelo The Wall Street Journal, avaliou que a operação já está próxima do limite. Segundo ele, atualmente existe uma densidade máxima que ainda pode ser operada com segurança.
Colisões podem criar milhares de novos fragmentos
Apesar do congestionamento, colisões entre objetos catalogados continuam incomuns. A Agência Espacial Europeia registra quatro ocorrências.
Um dos casos aconteceu em 2009, quando um satélite da Iridium Communications atingiu um satélite russo de comunicações que estava desativado.
A colisão produziu aproximadamente 1.800 fragmentos com pelo menos 10 centímetros. Esse tipo de evento preocupa porque cada novo pedaço passa a integrar o conjunto de objetos que circulam pela região.
O problema não se limita aos materiais rastreáveis. Radares conseguem acompanhar detritos aproximadamente do tamanho de uma bola de softball ou maiores, enquanto partículas menores podem permanecer fora do monitoramento.
Mark Matney, cientista planetário do programa de detritos orbitais da NASA, afirmou que até um fragmento comparável a uma partícula de tinta pode danificar um satélite por causa da velocidade.
SpaceX reconhece aumento do risco com expansão orbital
Jonny Dyer, CEO da Muon Space, afirmou que o risco não depende apenas da quantidade de objetos. Para ele, comportamentos negligentes ou ações deliberadamente inadequadas também representam preocupação.
A própria SpaceX reconheceu o problema em documento relacionado à sua oferta pública. A empresa afirmou que o crescimento do número de satélites e outros objetos aumenta a probabilidade de colisões acidentais, fragmentações e outros incidentes.
Com novos satélites, constelações e possíveis centros de dados espaciais, a administração da órbita baixa da Terra passa a depender cada vez mais de rastreamento, compartilhamento de informações e sistemas capazes de evitar aproximações perigosas.
Esta matéria foi elaborada com base em informações do The Wall Street Journal, Agência Espacial Europeia, NASA, SpaceX, Analysys Mason e Muon Space, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.


