Após sucessivos cortes de energia em Maryland, uma família passou a usar um caminhão elétrico Ford F-150 Lightning como fonte de reserva para abastecer a casa, em um teste que transforma a bateria de 100 kWh da picape em alternativa prática durante apagões
Os cortes frequentes de energia levaram a família Foreman, em Maryland, a transformar um caminhão elétrico em fonte de reserva para a própria casa por meio de um projeto piloto que usa a picape Ford F-150 Lightning com carregamento bidirecional. A iniciativa colocou o caminhão elétrico no centro de uma alternativa doméstica para enfrentar apagões sem depender, naquele momento, apenas da rede tradicional.
A experiência foi viabilizada com os recursos Pro Power Onboard e Intelligent Backup Power, presentes na versão mais recente da F-150 da Ford. Com esse conjunto, a picape passou a devolver energia para a residência de forma confiável e segura sempre que o fornecimento externo fosse interrompido.
A mudança ocorreu em meio a uma transformação mais ampla na forma como a eletricidade é produzida e utilizada. Nas últimas décadas, a geração global deixou de depender exclusivamente de combustíveis fósseis e de grandes usinas, enquanto tecnologias renováveis ganharam espaço de forma progressiva.
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Da geração centralizada ao avanço das renováveis
A estrutura do subsector global da eletricidade mudou fortemente nas últimas décadas. Durante muito tempo, a oferta de energia esteve concentrada em refinarias, combustíveis fósseis e usinas nucleares, mas esse cenário passou a dividir espaço com inovações ligadas às fontes renováveis.
Os números mostram a dimensão dessa mudança ao longo do tempo. Em 2000, a produção combinada de energia solar e eólica respondia por apenas 0,2% da eletricidade global, enquanto em 2023 esse percentual chegou a 13,4%.
Esse avanço ocorreu junto com uma evolução tecnológica acelerada no setor. A geração renovável passou a ocupar um papel mais relevante não apenas por razões ambientais, mas também pela busca de soluções mais distribuídas e adaptáveis ao uso cotidiano.
Tecnologia solar também ampliou as possibilidades
A inovação recente não se limitou à escala das usinas ou dos sistemas residenciais. Durante décadas, os painéis solares de silício convencionais dominaram o mercado, mas nos últimos anos houve migração para a perovskita, material semelhante a um mineral que passou a ganhar espaço no setor solar.
No ano passado, as células tandem de perovskita-silício certificadas atingiram 34,85% de eficiência. Esse desempenho reforçou a percepção de que a tecnologia renovável continua avançando em ritmo constante, com capacidade de alterar a forma como casas e cidades podem ser abastecidas.
A energia solar também passou a ocupar novos espaços no ambiente urbano. Novos tipos de árvores solares começaram a ser usados como postes de iluminação pública em algumas cidades, ampliando o uso da luz do Sol para além dos formatos mais tradicionais.
Caminhão elétrico virou fonte de energia doméstica
Foi nesse contexto que a família Foreman decidiu agir diante das quedas constantes de energia em sua cidade. Em vez de depender apenas da normalização da rede, os moradores aderiram a um projeto piloto que permitiu usar o caminhão elétrico da família como principal fonte de energia para a residência.
A Ford F-150 Lightning utilizada pela família reúne recursos preparados para esse tipo de aplicação. O sistema foi desenhado para devolver eletricidade da bateria do veículo para a casa, transformando a picape em uma espécie de reserva energética móvel.
A proposta acompanha uma tendência recente de enxergar veículos elétricos como baterias gigantes. Nesse modelo, o automóvel deixa de ser apenas um meio de transporte e passa a exercer também uma função energética em momentos de necessidade.
Como o sistema funciona durante um apagão
Para operar dessa forma, o sistema precisa de um pacote de software de integração residencial que permita o carregamento bidirecional. Esse conjunto identifica a queda de energia e inverte automaticamente o fluxo, devolvendo a carga para o ponto de origem, que é a residência.
O software desenvolvido pela Ford faz essa detecção e comanda a inversão do carregamento. Isso permite que o caminhão elétrico abasteça a casa quando a rede elétrica falha, sem exigir uma operação manual complexa a cada interrupção.
Os caminhões elétricos atuais costumam trazer baterias de 100 kWh. Essa capacidade é apontada como suficiente para manter uma residência americana média funcionando por vários dias, embora por um período limitado.
O uso do caminhão elétrico como fonte emergencial surge em um momento de alerta sobre abastecimento energético em diferentes partes do mundo. Em meio a crises e tensões que pressionam o fornecimento, a experiência da família de Maryland mostra uma aplicação direta da tecnologia automotiva dentro de casa, com potencial para manter as luzes acesas nos piores cenários.

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