Prejuízo bilionário com elétricos leva montadora japonesa a rever metas, reduzir investimentos e priorizar híbridos em meio a queda nas vendas globais e mudanças regulatórias nos principais mercados.
A Honda registrou perdas bilionárias em sua divisão de veículos elétricos e anunciou uma revisão nas metas e nos investimentos destinados ao segmento.
Nos nove primeiros meses do ano fiscal encerrado em dezembro de 2025, a montadora contabilizou 267,1 bilhões de ienes em baixas contábeis e encargos extraordinários relacionados à eletrificação, o equivalente a cerca de US$ 1,71 bilhão, aproximadamente R$ 9,1 bilhões.
O impacto se intensificou no terceiro trimestre, quando foram reconhecidas novas perdas de 43,4 bilhões de ienes.
-
Novo Hyundai brasileiro aparece novamente em teaser misterioso, revela detalhes da dianteira, mostra pela primeira vez a traseira, promete porte acima dos hatches e deve ocupar espaço entre HB20 e Creta
-
Adeus minivans tradicionais: a “Kombi chinesa” gigante da Leapmotor chega às lojas com 5,28 metros, bateria de até 115 kWh e versão elétrica de 720 km de autonomia para transformar o carro da família em uma sala executiva sobre rodas na China
-
Um mecânico alerta: Ar condicionado do carro pode esconder mau cheiro, fungos e peças forçadas se motorista ignorar 5 cuidados simples que fazem diferença no calor, no frio e até em viagens longas
-
“Elon Musk brasileiro” revela protótipo do Lecar 459, um carro capaz de rodar até 1.000 km com motor elétrico de 165 cv e sistema híbrido que dispensa tração direta do motor a combustão
No acumulado de seis meses, o resultado negativo já se aproximava de US$ 1,5 bilhão.
Considerando apenas as perdas operacionais associadas aos elétricos nos três primeiros trimestres, o montante supera US$ 1 bilhão.
Para o ano fiscal completo, com término previsto para março de 2026, a projeção é de quase US$ 4,48 bilhões, sem incluir cerca de US$ 2 bilhões relacionados a tarifas nos Estados Unidos.
Com esse cenário, o lucro operacional consolidado do terceiro trimestre recuou 61%.
Em comunicado, o vice-presidente executivo Noriya Kaihara afirmou que a companhia precisa promover uma “revisão fundamental” para reconstruir sua competitividade.
No mercado, os números refletem a desaceleração.
As vendas globais de veículos elétricos caíram de 30 mil para 15 mil unidades no último trimestre.
No mesmo intervalo, a Toyota informou ter comercializado 63 mil veículos elétricos, volume superior ao período anterior.
Parceria com a GM e impacto nos Estados Unidos
Parte das perdas está ligada à estratégia adotada no mercado norte-americano em parceria com a General Motors.
O acordo previa o desenvolvimento dos SUVs elétricos Honda Prologue e Acura ZDX com base na plataforma Ultium, da montadora americana.

No último trimestre, as vendas do Prologue somaram 2.641 unidades, queda de 86% em relação ao período anterior.
A retração ocorreu em um contexto de mudanças nas políticas de incentivos federais nos Estados Unidos, que afetaram o preço final ao consumidor.
O Acura ZDX, por sua vez, foi descontinuado após um ano fiscal, com 19.411 unidades vendidas no total.
A redução dos pedidos à GM levou a ajustes contratuais, e a Honda informou que deverá compensar a parceira pela capacidade produtiva não utilizada.
Para sustentar o volume do Prologue, a empresa elevou incentivos comerciais.
Em janeiro, os descontos médios superaram US$ 17 mil por unidade.
No mesmo período, o CR-V híbrido recebeu incentivos médios de cerca de US$ 2.500, segundo dados divulgados pela própria companhia.
A montadora também reconheceu que o canal de vendas voltado a frotas corporativas não avançou no mesmo ritmo que o de concorrentes, segmento considerado relevante para a expansão de veículos elétricos.
Revisão de metas e redução da produção de elétricos
Diante da deterioração dos resultados, a Honda revisou seu plano de produção.
A meta anterior de alcançar 2 milhões de veículos elétricos por ano até 2030 foi reduzida para um intervalo entre 700 mil e 750 mil unidades.
Projetos de novos SUVs elétricos foram adiados ou cancelados.
A empresa atribui parte da revisão às mudanças regulatórias e tarifárias nos Estados Unidos, incluindo a eliminação de créditos fiscais federais para veículos elétricos e a adoção de novas tarifas.

Além disso, o ritmo de crescimento do mercado global de elétricos ficou abaixo do esperado pela companhia, o que levou à reavaliação do cronograma de investimentos.
Híbridos ganham prioridade na estratégia global
Com a revisão estratégica, os veículos híbridos passaram a ocupar posição central no planejamento da montadora.
A meta estabelecida é alcançar 2,2 milhões de unidades híbridas vendidas anualmente até 2030.
Está prevista para 2027 a introdução de uma nova geração de tecnologia híbrida, com sistemas mais avançados de assistência ao motorista.
No último trimestre, a Honda vendeu 230 mil híbridos no mundo, volume semelhante ao registrado no mesmo período anterior.
No consolidado, as vendas totais de automóveis caíram 15%, somando 881 mil unidades.
A América do Norte respondeu por 355 mil veículos, queda de 18%.
No Japão, as vendas recuaram 4,4%, para 152 mil unidades.
Já a Europa registrou 18 mil veículos vendidos, número ligeiramente superior ao do ano anterior.
Embora tenha reduzido suas metas para elétricos, a Honda mantém o desenvolvimento da plataforma própria “Série 0”.
O lançamento de um SUV elétrico e de um sedã com essa arquitetura está previsto para 2026.
Também permanece no cronograma o crossover elétrico Acura RSX, planejado para o fim de 2025.
A empresa informou que um novo plano detalhado para a eletrificação será apresentado após 1º de abril de 2026.
Indústria automotiva também ajusta investimentos em elétricos
A revisão de estratégia ocorre em meio a ajustes semelhantes na indústria.
A Ford Motor Company anunciou reestruturações em sua divisão de veículos elétricos após registrar perdas significativas no segmento.
Já a Toyota tem ampliado a oferta de híbridos enquanto mantém investimentos graduais em modelos totalmente elétricos.
Na China, onde os elétricos representam mais de 40% das vendas de automóveis novos, fabricantes estrangeiras disputam espaço com grupos locais como a BYD.
Nos Estados Unidos, alterações nos incentivos e na política tarifária impactaram a dinâmica de preços.
Na Europa, a redução progressiva de subsídios também influencia a rentabilidade do segmento.
A Honda havia anunciado anteriormente a meta de encerrar a produção de motores a combustão interna até 2040.
Com a revisão atual, a empresa mantém o compromisso de longo prazo, mas ajusta o ritmo de expansão dos elétricos e reforça o foco em híbridos.

-
-
-
-
-
20 pessoas reagiram a isso.