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Após rombo de quase US$ 4,5 bilhões com carros elétricos, Honda abandona projetos, reduz metas e volta a apostar forte nos híbridos até 2030

Escrito por Ana Alice
Publicado em 14/02/2026 às 03:37
Atualizado em 14/02/2026 às 03:41
Honda acumula prejuízo bilionário com elétricos, reduz metas até 2030 e prioriza híbridos após queda nas vendas globais e pressão nos EUA. (Imagem: Reprodução)
Honda acumula prejuízo bilionário com elétricos, reduz metas até 2030 e prioriza híbridos após queda nas vendas globais e pressão nos EUA. (Imagem: Reprodução)
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Prejuízo bilionário com elétricos leva montadora japonesa a rever metas, reduzir investimentos e priorizar híbridos em meio a queda nas vendas globais e mudanças regulatórias nos principais mercados.

A Honda registrou perdas bilionárias em sua divisão de veículos elétricos e anunciou uma revisão nas metas e nos investimentos destinados ao segmento.

Nos nove primeiros meses do ano fiscal encerrado em dezembro de 2025, a montadora contabilizou 267,1 bilhões de ienes em baixas contábeis e encargos extraordinários relacionados à eletrificação, o equivalente a cerca de US$ 1,71 bilhão, aproximadamente R$ 9,1 bilhões.

O impacto se intensificou no terceiro trimestre, quando foram reconhecidas novas perdas de 43,4 bilhões de ienes.

No acumulado de seis meses, o resultado negativo já se aproximava de US$ 1,5 bilhão.

Considerando apenas as perdas operacionais associadas aos elétricos nos três primeiros trimestres, o montante supera US$ 1 bilhão.

Para o ano fiscal completo, com término previsto para março de 2026, a projeção é de quase US$ 4,48 bilhões, sem incluir cerca de US$ 2 bilhões relacionados a tarifas nos Estados Unidos.

Com esse cenário, o lucro operacional consolidado do terceiro trimestre recuou 61%.

Em comunicado, o vice-presidente executivo Noriya Kaihara afirmou que a companhia precisa promover uma “revisão fundamental” para reconstruir sua competitividade.

No mercado, os números refletem a desaceleração.

As vendas globais de veículos elétricos caíram de 30 mil para 15 mil unidades no último trimestre.

No mesmo intervalo, a Toyota informou ter comercializado 63 mil veículos elétricos, volume superior ao período anterior.

Parceria com a GM e impacto nos Estados Unidos

Parte das perdas está ligada à estratégia adotada no mercado norte-americano em parceria com a General Motors.

O acordo previa o desenvolvimento dos SUVs elétricos Honda Prologue e Acura ZDX com base na plataforma Ultium, da montadora americana.

(Imagem: Divulgação/Honda)
(Imagem: Divulgação/Honda)

No último trimestre, as vendas do Prologue somaram 2.641 unidades, queda de 86% em relação ao período anterior.

A retração ocorreu em um contexto de mudanças nas políticas de incentivos federais nos Estados Unidos, que afetaram o preço final ao consumidor.

O Acura ZDX, por sua vez, foi descontinuado após um ano fiscal, com 19.411 unidades vendidas no total.

A redução dos pedidos à GM levou a ajustes contratuais, e a Honda informou que deverá compensar a parceira pela capacidade produtiva não utilizada.

Para sustentar o volume do Prologue, a empresa elevou incentivos comerciais.

Em janeiro, os descontos médios superaram US$ 17 mil por unidade.

No mesmo período, o CR-V híbrido recebeu incentivos médios de cerca de US$ 2.500, segundo dados divulgados pela própria companhia.

A montadora também reconheceu que o canal de vendas voltado a frotas corporativas não avançou no mesmo ritmo que o de concorrentes, segmento considerado relevante para a expansão de veículos elétricos.

Revisão de metas e redução da produção de elétricos

Diante da deterioração dos resultados, a Honda revisou seu plano de produção.

A meta anterior de alcançar 2 milhões de veículos elétricos por ano até 2030 foi reduzida para um intervalo entre 700 mil e 750 mil unidades.

Projetos de novos SUVs elétricos foram adiados ou cancelados.

A empresa atribui parte da revisão às mudanças regulatórias e tarifárias nos Estados Unidos, incluindo a eliminação de créditos fiscais federais para veículos elétricos e a adoção de novas tarifas.

(Imagem: Divulgação/Honda)
(Imagem: Divulgação/Honda)

Além disso, o ritmo de crescimento do mercado global de elétricos ficou abaixo do esperado pela companhia, o que levou à reavaliação do cronograma de investimentos.

Híbridos ganham prioridade na estratégia global

Com a revisão estratégica, os veículos híbridos passaram a ocupar posição central no planejamento da montadora.

A meta estabelecida é alcançar 2,2 milhões de unidades híbridas vendidas anualmente até 2030.

Está prevista para 2027 a introdução de uma nova geração de tecnologia híbrida, com sistemas mais avançados de assistência ao motorista.

No último trimestre, a Honda vendeu 230 mil híbridos no mundo, volume semelhante ao registrado no mesmo período anterior.

No consolidado, as vendas totais de automóveis caíram 15%, somando 881 mil unidades.

A América do Norte respondeu por 355 mil veículos, queda de 18%.

No Japão, as vendas recuaram 4,4%, para 152 mil unidades.

Já a Europa registrou 18 mil veículos vendidos, número ligeiramente superior ao do ano anterior.

Embora tenha reduzido suas metas para elétricos, a Honda mantém o desenvolvimento da plataforma própria “Série 0”.

O lançamento de um SUV elétrico e de um sedã com essa arquitetura está previsto para 2026.

Também permanece no cronograma o crossover elétrico Acura RSX, planejado para o fim de 2025.

A empresa informou que um novo plano detalhado para a eletrificação será apresentado após 1º de abril de 2026.

Indústria automotiva também ajusta investimentos em elétricos

A revisão de estratégia ocorre em meio a ajustes semelhantes na indústria.

A Ford Motor Company anunciou reestruturações em sua divisão de veículos elétricos após registrar perdas significativas no segmento.

Já a Toyota tem ampliado a oferta de híbridos enquanto mantém investimentos graduais em modelos totalmente elétricos.

Na China, onde os elétricos representam mais de 40% das vendas de automóveis novos, fabricantes estrangeiras disputam espaço com grupos locais como a BYD.

Nos Estados Unidos, alterações nos incentivos e na política tarifária impactaram a dinâmica de preços.

Na Europa, a redução progressiva de subsídios também influencia a rentabilidade do segmento.

A Honda havia anunciado anteriormente a meta de encerrar a produção de motores a combustão interna até 2040.

Com a revisão atual, a empresa mantém o compromisso de longo prazo, mas ajusta o ritmo de expansão dos elétricos e reforça o foco em híbridos.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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