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Após disparada da gasolina e do diesel, Lula critica quem se aproveita da crise global para elevar preços no Brasil e questiona por que consumidores sofrem impactos de um conflito a milhares de quilômetros de distância

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 19/03/2026 às 14:02
Assista o vídeodiesel e gasolina sobem; Lula critica repasses, cita petróleo e alerta caminhoneiros sobre impactos no bolso.
diesel e gasolina sobem; Lula critica repasses, cita petróleo e alerta caminhoneiros sobre impactos no bolso.
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Em Brasília, Lula disse que diesel e gasolina sobem porque há quem “tire proveito da desgraça”, mesmo com isenção de PIS-Cofins e subvenção; o presidente questionou por que um conflito a quase 14 mil km pesa no bolso e citou pressão sobre caminhoneiros e frete em todo o país agora

O diesel entrou no centro do debate político nesta quarta-feira (18), quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a alta do diesel e da gasolina tem relação com pessoas que, segundo ele, se aproveitam de uma crise para elevar preços no Brasil. A fala expôs a tentativa do governo de apontar responsabilidades além do cenário externo.

No mesmo discurso, Lula citou medidas já adotadas, como isenção de PIS-Cofins e uma subvenção para conter o avanço dos combustíveis, e questionou por que um conflito a quase 14 mil km deveria impactar a vida de quem vive no país. O recado foi de inconformismo com repasses rápidos ao consumidor, mesmo quando a origem está longe.

O que Lula colocou na conta da alta do diesel

Lula disse que o diesel, a gasolina e outros combustíveis aumentaram porque “tá cheio de gente no nosso meio que gosta de tirar proveito da desgraça”.

A declaração não apresentou nomes ou empresas, mas mirou a ideia de oportunismo em períodos de tensão internacional e instabilidade no petróleo.

Ao ampliar a crítica, o presidente comparou o momento ao que chamou de ganhos durante a pandemia de covid-19, sugerindo que crises costumam abrir espaço para distorções de preço.

Na prática, ele tentou enquadrar a alta do diesel como algo que não deveria ser tratado apenas como consequência automática do mundo lá fora.

As medidas citadas e o limite do que o governo controla

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No discurso, Lula lembrou que o governo tomou a decisão de isentar PIS-Cofins e fez “uma outra subvenção” para evitar que o preço do combustível “chegar” a determinados patamares.

A leitura é que essas ações buscariam amortecer o impacto do diesel e da gasolina sobre consumidores e transportadores.

O presidente também questionou aumentos em produtos que, na visão dele, não deveriam seguir o petróleo da mesma forma, como o álcool. E afirmou que não faz sentido a gasolina subir se o Brasil é autossuficiente, dentro do argumento apresentado por ele.

Esses pontos ajudam a entender a linha política do Planalto: reconhecer pressão externa, mas contestar repasses e margens no caminho até a bomba.

O conflito externo, o petróleo e a explicação para o diesel subir “no mundo inteiro”

Lula afirmou que um conflito distante tem peso concreto aqui e citou diretamente o óleo diesel: “Vocês estão vendo o que está acontecendo no óleo diesel neste país”.

Em seguida, associou o movimento a tensões internacionais e disse que o diesel estaria aumentando “no mundo inteiro”.

O presidente também mencionou variação no preço do barril de petróleo, dizendo que teria saído de US$ 65 para US$ 120, dentro do contexto narrado por ele.

A fala reforça o vínculo que costuma existir entre petróleo e diesel, mas traz um questionamento político central: por que o impacto chega rápido ao consumidor brasileiro e onde, exatamente, ele se intensifica.

Caminhoneiros, frete e a sensibilidade do diesel na economia real

As declarações ocorreram em meio a tensões com caminhoneiros, com parte do setor considerando aderir a uma greve.

O ponto é direto: diesel é um custo estrutural do transporte rodoviário e, quando sobe, a pressão tende a se espalhar por fretes, cadeias de abastecimento e preços finais.

Por isso, o diesel vira termômetro social. Ele mexe com a conta de quem abastece para trabalhar, com o planejamento de empresas que dependem de entrega e com o humor de categorias que conseguem parar a circulação de mercadorias.

Nesse contexto, o governo tenta falar simultaneamente com consumidores e com a logística do país.

Fiscalização do frete e a ponte entre diesel, custo e disputa no transporte

Na mesma quarta-feira, o ministro dos Transportes, Renan Filho, afirmou que o governo federal deve suspender o registro de contratação de frete para empresas que descumprirem a lei, atendendo a uma demanda específica dos caminhoneiros.

Embora o tema seja frete, ele conversa com o diesel porque o combustível pressiona o custo da atividade e alimenta conflitos sobre remuneração do transporte.

Renan também disse que o ministério pretende fiscalizar todos os fretes realizados no país por meio de um sistema de fiscalização eletrônica desenvolvido em parceria com o Confais (Conselho Nacional de Política Fazendária).

Segundo ele, houve convênio e compartilhamento de informações fiscais, com acompanhamento por BI. A sinalização é de endurecimento regulatório para reduzir distorções no transporte, num momento em que o diesel torna qualquer variação mais explosiva.

O discurso de Lula coloca o diesel no centro de um debate que mistura geopolítica, petróleo, repasse de preços e responsabilização interna por aumentos.

Ao mesmo tempo, o governo acena com medidas já usadas para conter combustíveis e com fiscalização mais dura no frete, num cenário em que caminhoneiros voltam a aparecer como termômetro de crise.

Na sua visão, quando o diesel dispara, o problema está mais no conflito externo ou em quem repassa e amplia o aumento aqui dentro? E na sua cidade, o diesel e a gasolina subiram juntos ou em ritmos diferentes?

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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