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Após ‘detonar’ Bolsa Família, Luciano Hang, dono da Havan, oferece salários de até R$ 5 mil para quem quiser largar o benefício e voltar ao trabalho; proposta mira idosos e aposentados em meio à falta de mão de obra que já afeta 80% das empresas no Brasil

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 02/06/2026 às 11:30
Assista o vídeoLuciano Hang defende contratar idosos e aposentados na Havan e cita salários de até R$ 5 mil em debate sobre mão de obra no Brasil.
Luciano Hang defende contratar idosos e aposentados na Havan e cita salários de até R$ 5 mil em debate sobre mão de obra no Brasil.
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Fundador da Havan citou vagas com remuneração de até R$ 5 mil, defendeu a contratação de idosos e aposentados e relacionou a falta de mão de obra ao Bolsa Família durante evento no Rio Grande do Sul.

Luciano Hang, fundador e dono da Havan, defendeu a contratação de idosos e aposentados como alternativa para enfrentar a falta de trabalhadores no país e associou o problema, durante uma fala pública, ao que chamou de excesso de programas assistenciais.

A declaração ocorreu em 30 de maio de 2026, durante a inauguração de uma loja da rede em Taquara, no Vale do Paranhana, no Rio Grande do Sul, onde o empresário comentou dificuldades de contratação e citou exemplos de trabalhadores mais velhos.

Na entrevista concedida durante o evento, o empresário afirmou que há vagas capazes de pagar entre R$ 3 mil e R$ 5 mil na empresa e criticou pessoas que, segundo ele, prefeririam viver com o valor do Bolsa Família.

“Está faltando mão de obra hoje no país. Todo mundo está reclamando. Bolsa Família, muito assistencialismo. As pessoas se acostumam a viver com R$ 600, enquanto podem trabalhar com a gente para ganhar R$ 3 mil, R$ 4 mil, R$ 5 mil”, disse Hang.

A declaração reuniu, na mesma fala, a discussão sobre escassez de profissionais em diferentes setores e o debate sobre programas de transferência de renda, tema recorrente em avaliações sobre mercado de trabalho, renda familiar e contratação formal no Brasil.

Embora tenha citado o Bolsa Família como parte de sua crítica, Hang não apresentou, na ocasião, dados que comprovem relação direta entre o recebimento do benefício social e a dificuldade enfrentada por empresas para preencher vagas abertas.

Contratação de idosos na Havan entra na estratégia da rede

Ao comentar a política de contratação da rede, o empresário afirmou que a Havan tem ampliado oportunidades para profissionais mais velhos, incluindo pessoas já aposentadas, e citou casos usados pela empresa para defender a permanência desse grupo no mercado.

Segundo Hang, colaboradores com 62, 72 e 77 anos estavam entre os exemplos mencionados para mostrar que a idade, na avaliação do empresário, não impediria o desempenho de determinadas funções dentro da companhia.

A contratação desse perfil foi apresentada por ele como uma resposta à dificuldade de preencher vagas, em um contexto no qual empresas de diferentes setores relatam obstáculos para encontrar profissionais disponíveis e com qualificação considerada adequada.

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Na avaliação de Hang, pessoas que deixaram o mercado formal ainda podem ter disposição, experiência e interesse em voltar à ativa, desde que encontrem funções compatíveis com sua rotina, trajetória profissional e condição individual de trabalho.

O empresário também afirmou que parte dos aposentados enxerga o emprego como uma oportunidade de reorganizar a própria rotina, especialmente entre pessoas que se aposentaram mais cedo e ainda se consideram aptas para atuar profissionalmente.

Em sua fala, Hang disse que esse grupo poderia encontrar espaço em diferentes unidades da Havan pelo país, sem detalhar, durante a declaração, cargos específicos, quantidade de vagas abertas ou critérios formais de seleção.

A entrada de trabalhadores mais velhos no mercado formal costuma envolver adaptações de rotina, treinamento e avaliação das condições de trabalho, especialmente em funções que exigem atendimento ao público, uso de tecnologia ou atividades operacionais.

Esse tipo de contratação também exige observância das regras trabalhistas e de saúde ocupacional, de modo que a abertura de vagas considere as atribuições do cargo, a capacidade de execução das tarefas e as condições oferecidas pela empresa.

Falta de mão de obra pressiona empresas brasileiras

O debate ocorre em um momento em que pesquisas sobre recrutamento apontam dificuldade persistente das empresas brasileiras para encontrar profissionais com as competências exigidas para determinadas funções, especialmente em áreas técnicas e operacionais.

A Pesquisa de Escassez de Talentos 2026, divulgada pelo ManpowerGroup, aponta que 80% dos empregadores brasileiros relatam dificuldade para encontrar profissionais com as competências necessárias, percentual acima da média global de 72%.

O mesmo levantamento mostra que o índice brasileiro permanece em patamar elevado há vários anos, depois de atingir 80% em 2023 e 2024, chegar a 81% em 2025 e voltar a 80% em 2026.

Esse histórico indica que a dificuldade de contratação não se limita a uma oscilação isolada do mercado, mas aparece em diferentes ciclos de recrutamento, conforme os dados apresentados pela pesquisa de escassez de talentos.

Diagnósticos do setor industrial também apontam problemas relacionados à qualificação profissional, principalmente em ocupações que exigem formação técnica, experiência prática ou atualização constante diante de mudanças nos processos produtivos.

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A Confederação Nacional da Indústria informou, em material divulgado em fevereiro de 2026, que a falta de profissionais qualificados se agravou no setor, mesmo em um cenário de desemprego em nível historicamente baixo.

Para as empresas, esse quadro amplia a necessidade de investir em capacitação, requalificação e retenção de trabalhadores, além de rever estratégias de recrutamento para diferentes faixas etárias e perfis profissionais.

A dificuldade apontada pelas pesquisas não significa ausência total de candidatos, mas um desencontro entre as vagas disponíveis, as habilidades exigidas pelos empregadores e a formação ou experiência apresentada por parte dos trabalhadores.

Áreas técnicas, funções operacionais especializadas, tecnologia, atendimento, vendas e gestão estão entre os segmentos citados com frequência em levantamentos sobre escassez de talentos, avanço da digitalização e disputa por profissionais preparados.

Bolsa Família e mercado de trabalho

A crítica de Hang ao Bolsa Família ocorre dentro de um debate recorrente sobre os possíveis efeitos de programas de transferência de renda na busca por emprego, tema tratado por economistas, gestores públicos e representantes empresariais.

O programa atende famílias em situação de pobreza e extrema pobreza, com regras ligadas à renda familiar e a compromissos nas áreas de saúde e educação, conforme os critérios definidos pelo governo federal.

Nas informações públicas relacionadas à fala do empresário, não há comprovação de que beneficiários tenham deixado vagas na Havan por causa do pagamento do programa ou recusado contratações com base no valor recebido.

Por esse motivo, a associação feita por Hang deve ser atribuída à avaliação do próprio empresário, e não tratada como dado comprovado sobre o comportamento de beneficiários do Bolsa Família diante de oportunidades formais de emprego.

O valor de R$ 600 citado por ele corresponde ao piso do benefício pago pelo Bolsa Família desde a reformulação do programa, embora o montante final possa variar conforme a composição de cada família atendida.

Famílias com crianças, adolescentes, gestantes e outros integrantes enquadrados nas regras vigentes podem receber adicionais previstos no desenho do programa, o que faz o pagamento total variar de acordo com cada cadastro.

Para trabalhadores de baixa renda, a decisão de aceitar uma vaga formal envolve fatores além do salário anunciado, como transporte, distância, jornada, saúde, cuidados familiares, estabilidade do vínculo e condições reais de permanência no emprego.

Esses elementos aparecem em análises sobre mercado de trabalho porque podem interferir tanto na entrada de beneficiários em empregos formais quanto na continuidade desses trabalhadores em funções com rotina extensa ou custos indiretos elevados.

Debate envolve idade, qualificação e legislação trabalhista

Além de criticar programas assistenciais, Hang também questionou regras ligadas à entrada de jovens no mercado de trabalho, ao afirmar que considera um erro o país permitir trabalho apenas a partir dos 18 anos.

A legislação brasileira, no entanto, prevê modalidades específicas de aprendizagem profissional para adolescentes a partir de 14 anos, com regras de proteção, exigência de vínculo educacional e limites para preservar direitos dessa faixa etária.

A declaração ampliou a discussão sobre como diferentes grupos podem ser incorporados ao mercado formal sem perda de direitos, incluindo jovens, adultos em requalificação, idosos e aposentados interessados em retomar atividades profissionais.

No caso dos jovens, as regras buscam combinar experiência profissional, permanência na escola e proteção contra atividades inadequadas à idade, enquanto a contratação de idosos exige atenção às condições do cargo e ao ambiente de trabalho.

Para aposentados e trabalhadores mais velhos, empresas podem aproveitar experiência acumulada, conhecimento de rotinas e capacidade de apoio a equipes, desde que as funções sejam compatíveis com as atribuições contratadas e com as condições oferecidas.

Ao mesmo tempo, empregadores precisam observar segurança, treinamento contínuo e adaptação de ferramentas, principalmente em atividades que envolvem tecnologia, atendimento intenso, deslocamento frequente ou esforço físico durante longos períodos da jornada.

No mercado brasileiro, a escassez de mão de obra envolve fatores como qualificação insuficiente, mudanças nas expectativas dos trabalhadores, informalidade, envelhecimento populacional, competição entre empresas e diferenças regionais na oferta de profissionais.

A proposta defendida por Hang se insere nesse cenário de dificuldade de contratação, mas o enfrentamento do problema depende também de formação profissional, produtividade, salários, condições de trabalho e políticas públicas voltadas à qualificação.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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